Dicas para um Viajante Solitário

A coluna anterior teve uma boa repercussão. Recebi vários e-mails, onde cada leitor colocava a sua opinião. É muito gratificante saber que a maioria concorda com o meu ponto de vista: somos sim uma grande irmandade, várias tribos, mas todos com algo em comum que é o amor às motos !

Hoje quero colocar algumas dicas simples que aprendi com as minhas 'viagens solitárias'. Se você me acompanha desde o início, sabe que eu não me acho “o cara”, e sei que existem muitos — dezenas, centenas, milhares — de motociclistas com mais “estrada” do que eu. Mas como sempre escrevo no meu blog, meu interesse é ajudar, de alguma maneira, outros irmãos motociclistas.

Fiz uma coletânea de pequenas dicas que sigo quando preparo uma viagem e mesmo durante ela. Não tenho como objetivo lhe dar todas as dicas para uma viagem segura, mas apenas algumas que sempre sigo nas minhas viagens.

Então vamos à elas :

- Sobre documentação sua e da moto nem precisa falar nada. Todos sabemos que é importante estar com tudo em dia. Se sua viagem for para algum outro país, se informe do que é necessário por lá. A internet ainda é uma das melhores fontes de consulta.

- Hoje o www.google.com/maps permite que você crie seu roteiro sem custo nenhum. Use e abuse desse recurso até para conhecer a estrada por onde você vai viajar. Se você já conhece a estrada, olhos abertos, afinal nosso maior inimigo somos nós mesmos (quando achamos que somos 'o bom', nos descuidamos de pequenos detalhes).

- Quanto a vestimentas, procure estar com o melhor possível dentro da sua realidade. Eu já viajei, no começo da minha “carreira” como motociclista, com jaqueta simples de couro e calça jeans. Lembro que uma vez, quando tive minha primeira TDM 850, fui a Curitiba com “sacolas de plástico” amarradas nos pés porque não tinha um calçado impermeável e estava chovendo (que tempo gostoso).

- Na viagem, procure fazer paradas a cada hora e meia de viagem pelo menos. Sugiro 10 a 15 minutos de parada. Eu sempre aproveito quando vou abastecer, desço da moto, vou ao banheiro, tomo alguma coisa, estico as pernas e continuo.

- Evite ao máximo viajar a noite. Se for necessário, procure começar a viagem viajando à noite. Se você sair às 4 da madrugada e viajar 3 horas no escuro vai ser muito melhor do que viajar 3 horas no escuro no finalzinho da sua viagem. Afinal, as 4 da manhã você estará - teoricamente - mais descansado que no final da viagem.

- Procure chegar nas cidades-destino sempre durante o dia. Isso facilita a busca e localização de hotéis, pontos turísticos, etc. Além de permitir que você tome um bom banho e saia para um jantar com calma. Chegar na cidade-destino às 23h ou, como já aconteceu com amigos meus, as 3 da madrugada, é para “derrubar o cabloco da ceifa”.

- Leve lanche de reserva (barras de cereal, chocolate, frutas, etc). Eu já me peguei em várias situações onde isso me ajudou um bocado. Você sabia que se você estiver com sono e comer uma barra de ceral você já tem um “up”? É a glicose que é quebrada em... bom, isso é conversa para os doutores especializados!

- Leve, pelo menos, um “reparador instântaneo de pneus”. Em viagens longas eu levo sempre dois. Nunca usei! E espero nunca usar, mas se precisar, não vou ser pego de surpresa.

- Leve corda, ou algo que você possa usar para rebocar sua moto. Afinal, panes secas e elétricas podem acontecer, e se você estiver no meio do nada, vai ser mais fácil ser rebocado - se for o caso.

- Em relação à bagagem, menos é mais. Eu sempre levo muito mais roupa do que realmente vou usar. Por mais que tente não consigo chegar na “equação perfeita”, mas estou tentando. Claro que se você for até Ushuaia vai precisar de bastante bagagem, mas para viagens mais curtas não é necessário tanto. O motociclistas de 'bikes' conseguem levar numa mochila roupa para até 4 dias, hehehehe.

- Não pare em locais desertos - a menos que sejam desertos mesmo, hehehe. Essa dica nem é preciso comentar.

Se essas dicas falharem e mesmo assim você estiver numa situação delicada, peça ajuda aos céus. Isso mesmo. Aconteceu comigo na minha ida ao Deserto do Atacama.

Um amigo que me disse que eu poderia ir no “Vale da Muerte” de moto, lá fui eu com a FJR 1300. O lugar é lindo e as paisagens maravilhosas. De repente noto que a estrada começa a virar areião. Tarde demais, a FJR atolou. Consigo mexer ela um pouco para tentar virar e voltar pelo mesmo caminho. Atolo ela de novo, no meio da estrada. Vou insistindo, tentando, e consigo virar ela, mas aí acontece o inevitável: ela atola em definitivo, com ambas as rodas enterradas na areia.

Fico olhando para ela, o lugar estava deserto - literalmente - e o calor insuportável. Espero um tempo e decido ir caminhando até São Pedro de Atacama para pedir ajuda. Mas antes peço aos céus que me mandem socorro. Caminho por uns 10 minutos e escuto o barulho de um carro. Seria a minha salvação chegando? Sim, um casal de alemães, que viajam 6 meses por ano nas Américas, estava passando numa Toyota 4x4 das boas. Aceno, abano, pulo na frente do carro.

Com meu 'portunhol' e um pouco de inglês consigo explicar e pedir ajuda. Resumo da ópera : a Toyota 'rebocou' a FJR e eu consegui sair do atoleiro. Não sem antes tirar umas boas fotos!

Bom, espero que essas dicas sejam úteis para você. Se você tem mais alguma dica importante, deixe nos comentários.

Forte abraço e bons caminhos!



Fonte:
Equipe MOTO.com.br




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