Destino Incerto: TRX na Argentina para a MotoGP 2018

Eu confesso que nunca havia acompanhado o Mundial de Motovelocidade pela televisão, mas sempre acompanhei muitos fãs da MotoGP, sua admiração pelos pilotos e a vibração ao contar como havia sido a prova no final de semana anterior. Mas como Maomé não foi ia até a montanha a MotoGP veio até mim em um convite para guiar 17 motos até o Autódromo de Thermas de Rio Hondo, na Argentina. 

O tour foi idealizado pelo Thales Monteiro, também guia na TRX (Triumph Experience). Nesta segunda edição havia alguns rostos conhecidos e muitos participantes novos. Saímos em duas turmas, parte de São Paulo e parte de São José dos Campos, de onde eu trouxe 10 pilotos seguido pelo carro de apoio. E o grande encontro foi na Castelo Branco, na altura de Tatuí. Quando todas as motos se reuniram tive a dimensão do evento e pude ver nos olhos de cada um a expectativa para a expedição. 

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Saindo do Brasil (São José dos Campos - Puerto Iguazú)
Nosso primeiro dia foi repleto de rodovias largas e limpas com bastante visual. Dom Pedro e Castelo Branco nos levaram com tranquilidade e conforto até Londrina. O grupo se mostrou competente e viajou praticamente unido, nos reuníamos nos pedágios e postos a cada 180 km em média.

No segundo dia, deixamos Londrina para seguir por estradas mais estreitas, com mais curvas e belos visuais rurais. Esta região do estado do Paraná tem uma produção agrícola bem desenvolvida e nossos olhares se perdiam nas curvas de nível das plantações. Alguns caminhões e o cruzamento de cidades não foram suficientes para atrapalhar nossa missão de dormir na Argentina. Chegamos a Foz do Iguaçu e fomos diretamente à Aduana com Passaporte/RG, documentos da moto, permissões e carta verde em mãos e após uns 40 minutos de espera cruzamos o rio Iguaçu, que divide Foz de Puerto Iguazú, na Argentina. À noite comemoramos a conquista em uma parrila com música chamada El Quincho del Tio Querido. 

Atravessando a Argentina (Puerto Iguazú - Thermas do Rio Hondo)
Agora já em território Argentino seguimos pela Ruta 12 até o primeiro pedágio onde a corrente da minha moto (recém-trocada) resolveu estourar. Por sorte aconteceu quando ia deixar o pedágio, e não em alta velocidade. O carro de apoio me carregou até Eldorado, a cidade mais próxima e seguiu viagem. Para o meu azar a corrente empenou e não foi possível reparar. Então eu e o mecânico local rodamos o pueblo em uma scooter até encontrar uma “cadena” que atendesse. Com a moto consertada após duas horas, criei uma estratégia para me deslocar rápido fazendo o mínimo de paradas possível. Se minhas contas estivessem certas e eu mantivesse não mais que 140 km/h eu faria apenas 2 abastecimentos e compriria os 600 km do dia. Na primeira parada comprei alfajores que seriam minha alimentação. A técnica deu tão certo que eu passei pelo grupo logo em Posadas e me dei conta bem a frente quase em Corrientes. Então aguardei para entramos juntos na cidade. 

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O nosso destino estava a 700 km, e a Ruta 89 depois de Presidencia Roque Saéns Peña se resumia em uma reta escaldante. Mas o desafio não abalou a equipe agora já bem amiga e seguimos viagem. Nessa altura a estrada já estava cheia de motociclistas que também iam assistir a corrida. Nos postos todos se perguntavam de onde os demais haviam partido e admirávamos as motos de todos modelos. No final da tarde um susto, um dos nossos pilotos perdeu o controle da Explorer em uma reta e foi ao chão em alta velocidade. Eu só vi a fumaça subindo e assim que cheguei mandei dois sinalizarem a estrada e, enquanto buscava o kit de primeiros socorros, caçava com os olhos o paradeiro do piloto que não estava perto da moto. Foi quando eu vi uma pessoa se levantando. Por muita sorte, muita sorte mesmo, não havia acontecido absolutamente nada com o piloto. Mas a moto ficou bem danificada e subiu na carreta do carro de apoio que levou o piloto até o hospital em Rio Hondo. Passado o susto chegamos ao nosso destino e festejamos na entrada da cidade com direito a fotos. 

Uma aventura nos Andes (Thermas do Rio Hondo - Tafi del Valle)
Sexta de MotoGP e o grupo se dividiu. Parte foi ver os treinos livres e eu levei 10 motos para Tafi del Valle a 180 km dali. No caminho para lá atravessamos um dos lugares mais incríveis que eu já passei de moto. Uma estrada que serpenteia por um vale subindo e descendo escarpas entre a mata seguindo um rio de águas revoltas que batalham para atravessar o leito de pedras, uma Serra do Rio do Rastro sem fim em pleno Chaco Argentino. Almoçamos em Tafi bons cortes de carne no simpático Rancho Félix. Na sequência subimos parte da cordilheira dos Andes até o Infiernillo o ponto mais alto da região. Ali algumas casas bem rústicas exibiam o artesanato local e algumas lhamas descansavam a frente do local. Já estávamos inseridos em outra realidade: o visual, a arquitetura, a arte e as cores locais eram encantadores. Na volta paramos no belo Dique La Angostura em Mollar para fotos. A chuva na serra não assustou os pilotos e vencemos suas curvas e relevo com coragem. Um dia pitoresco que já valeria a viagem!

MotoGP
Sábado e Domingo a atração era a MotoGP
! No autódromo milhares de visitantes estavam presentes muito deles motociclistas. A estrutura grande e organizada tinha opções de comida, lojas e um palco para shows. No sábado houveram mais treinos e no domingo as corridas! Na Moto3 e Moto2 os pilotos mais jovens competiram com garra e na hora da Grande Prêmio a tribuna do Valentino Rossi parecia que desmoronaria de tanta festa ao ver a Yamaha 46 acelerando pelo Autódromo. As bandeiras mergulhavam os torcedores em um mar de verde e azul que se mesclava com a fumaça dos sinalizadores. Infelizmente o piloto tinha poucas chances de ganhar mas a cada volta acompanhávamos a conquista de algumas posições. Quem brilho no dia foi Marc Marquez, após as trapalhadas na largada que lhe custaram punições o piloto recuperou as posições perdidas como se soubesse um caminho secreto no autódromo. Mas a ousadia transformou o que seria uma conquista heróica em motivo de vaias quando derrubou Valentino em busca do seu objetivo. O vencedor foi o inglês Cal Crutchlow que participou do disputado grupo que correu a frente como se estivessem separados em outra corrida. Hora de voltar para o hotel, detalhe, sem capacete se quiser. Mesmo com bastante policiamento o item de segurança era opcional e muitos aproveitaram a oportunidade de não usá-lo. 

Calor e estrada (Thermas do Rio Hondo - Foz do Iguaçú)
“A estrada é longa e o caminho parece um deserto”! O primeiro dia da volta de longe foi o dia mais difícil de viagem. O sol foi impiedoso e rodamos com temperaturas próximas a 40º. O cansaço estava no rosto de cada um quando retirávamos os capacetes. 700 km nos separavam de Resistência e Corrientes, por sua vez separadas pela majestosa ponte General Belgrano que passa sobre o caudaloso Rio Paraná. Um belo troféu após o dia exaustivo.

No segundo dia, os poucos graus a menos já eram um alívio e logo estávamos de volta à Ruta 12 que após Posadas na Província histórica de Misiones é ladeada por florestas e belas represas até a divisa entre os países. 

Das cataratas até em casa (Foz do Iguaçu - São Paulo)
Como é bom falar e ouvir em português novamente! Na manhã em foz parte do grupo aproveitou para visitar as Cataratas do Iguaçu. Eu já havia ido muitas vezes, mas as quedas impressionam como se fosse a primeira vez. A cada mirante, a cada ângulos que contemplávamos as cataratas a água despencava de forma diferente e várias outras cachoeiras podiam ser vistas ao fundo. Simplesmente um espetáculo imperdível. Pela tarde 400 kms até Maringá. 

O último dia amanheceu com uma inquietação: estávamos a 800 km de São José dos Campos. Alguns se entreolhavam nervosos. Mas a tensão se desfez aos poucos quando vencíamos bravamente a distância em um dia azul e sombreado ótimo para pilotagem. Após a despedida próximo a Sorocaba seguimos até a Dom Pedro e o dia se despediu com um céu com tons de rosa e azul pouco antes de chegarmos ao destino onde a família dos “pilotos da MotoGP” aguardavam ansiosas o retorno. Para mim faltava ainda um pouco até São Paulo mas o que eram 100 kms após 10 dias e mais de 5.300 km de estrada para dormir na minha cama? 

Texto e Fotos: Ton Pederneiras
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Fonte:
Equipe MOTO.com.br




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