Triumph Tiger 1050: Mais on-road

Arthur Caldeira

Foi-se a época em que os modelos big-trail eram sinônimos de motos puramente off-road, prontas para encarar qualquer terreno. De uns tempos para cá, as big-trails se “urbanizaram” cada vez mais. Deixaram de lado seu caráter fora-de-estrada e assumiram uma postura mais urbana.

Bom exemplo disso é a Triumph Tiger 1050. A remodelação feita em 2007 trouxe, além do motor de três cilindros em linha com maior capacidade (1.050 cc), diversas novidades que deixaram essa big-trail inglesa muito mais on-road.

A começar pelo visual. Com suas linhas angulosas, a Tiger 1050 até lembra um modelo esportivo. Mas a carenagem e o pára-brisa altos têm outra função: desviar o vento em longas viagens, preferencialmente em estradas pavimentadas. Afinal, com rodas de liga-leve e pneus Michelin Pilot Road, radiais e de perfil esportivo, o que a Tiger 1050 gosta mesmo é de asfalto bom.

Classificada pela Triumph em sua linha de Urban Sports, a Tiger se propõe a ser uma companheira ideal para pegar a estrada e viajar muito. Seja uma rodovia com quatro pistas ou uma serra travada de mão dupla.

Usabilidade

Mas o fenômeno de urbanização da Tiger, assim como de outras big-trails, é conseqüência do uso que os motociclistas fazem dessas motos. Na Europa, de onde vem a maioria das motos nesse estilo, são cada vez mais raras as estradas de terra em péssimas condições. Há as chamadas estradas secundárias, de cascalho ou terra batida, nas quais a Tiger se sairia muito bem.

Afinal, o conjunto de suspensão tem longo curso: na dianteira o garfo telescópico invertido de 43 mm de diâmetro tem curso de 150 mm; o mesmo da balança traseira monoamortecida. Com isso, pequenos buracos ou imperfeições no solo são ignorados pela Tiger, porém na terra mais fofa ou na lama os pneus esportivos – 120/70 (dianteira) e 180/55 (traseira) – montados em rodas aro 17 polegadas sofreriam bastante.

Mas dentro da proposta da Tiger, ela se sai muito bem. A Triumph afirma que focou o desenvolvimento desse novo projeto na usabilidade. Pois ao rodar com essa última versão, lançada no Brasil em 2008, podemos constatar que a fábrica inglesa acertou.

A posição de pilotagem ereta é confortável para rodar na cidade e a excelente visão em função da altura da moto facilita se adiantar a obstáculos e outras “encrencas” do trânsito. O motor de três cilindros em linha com 1.050 cc tem comando duplo no cabeçote (DOHC), refrigeração líquida e injeção de combustível. Suas principais qualidades são a entrega linear de potência até atingir 115 cv a 9.400 rpm e o torque de 10,2 kgf.m já nas 6.250 rpm. Resumindo: força à vontade desde baixas rotações e uma ampla faixa útil do motor.

Esse motor, em conjunto com o quadro esportivo e os freios potentes (da marca Brembo com pinças de fixação radial na dianteira), também torna a Tiger 1050 uma boa motocicleta para percorrer uma estrada sinuosa. Já seu largo banco em dois níveis, o útil pára brisa e o tanque de 20 litros a transformam na companheira ideal para uma longa viagem por todo o Brasil, exceção feita se você quiser enfrentar as dunas dos Lençóis Maranhenses ou a lama da Rodovia Transamazônica.

Completa: ABS, computador de bordo...

A versão testada era equipada com freios ABS que, vale ressaltar, funcionam muito bem nessa big-trail inglesa. Independentes nas duas rodas param com segurança os 201 kg a seco.

Outro item que merece destaque na Triumph é seu painel bastante completo. De fácil leitura e boa visualização traz, além do conta-giros analógico e o velocímetro digital, um computador de bordo que fornece informações como consumo, autonomia, etc... Tudo muito útil para longas viagens.

Enfim, a Tiger é uma boa representante das novas e potentes big-trails mais urbanas, que têm no conforto e nas suspensões de longo curso suas grandes qualidades. Cotada a R$ 47.900, a Triumph Tiger 1050 se equipara a suas concorrentes também nesse quesito. A Suzuki V-Strom DL 1000 está sendo vendida por cerca de R$ 44.000, enquanto a Honda XL 1000V Varadero tem preço de tabela de US$ 28.064, mas até 31 de maio, está com preço promocional de R$ 46.990.

Ambas as concorrentes, porém, usam motores de dois cilindros em “V” que não oferecem a mesma potência do modelo inglês.

FICHA TÉCNICA
Motor: Três cilindros em linha, 12 válvulas, DOHC, com refrigeração líquida
Potência máxima: 115 cv a 9.400 rpm
Torque máximo: 10,2 kgf.m a 6.250 rpm
Capacidade cúbica: 1.050 cm³
Câmbio: Seis marchas
Partida: Elétrica
Transmissão final: Corrente
Alimentação: Injeção eletrônica multiponto sequencial
Quadro: Dupla trave superior em alumínio
Suspensão dianteira: Garfo telescópico invertido Showa totalmente ajustável e com 150 mm de curso
Suspensão traseira: Balança monoamortecida Showa totalmente ajustável e com 150 mm de curso
Freio dianteiro: Disco duplo de 320 mm de diâmetro e pinça Nissin de quatro pistões fixada radialmente com ABS
Freio traseiro: Disco de 255 mm de diâmetro e pinça Nissin de dois pistões com ABS
Pneu dianteiro: 120/70 ZR 17
Pneu traseiro: 180/55 ZR 17
Comprimento total: 2.110 mm
Largura total: 840 mm
Altura total: 1.320 mm
Distância entre eixos: 1.510 mm
Altura do assento: 835 mm
Tanque de combustível: 20 litros
Peso seco: 201 Kg
Preço: R$ 47.900

FOTOS: Caio Mattos



Fonte:
Agência Infomoto




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