moto.com.br
Publicidade:

Testes

Teste: Ducati Scrambler resgata prazer das coisas simples

Modelo robusto da marca italiana tem visual minimalista e inspiração clássica para atrair um novo público ao mundo das duas rodas

04 de January de 2016
Compartilhe este conteúdo:

Aldo Tizzani

A felicidade está nas coisas simples da vida. E isso vale também no mundo das motos. Simples como arroz e feijão, a Ducati Scrambler Icon tem a proposta de ser minimalista para resgatar a essência e a pureza do motociclismo. Inspirado nas linhas do ícone italiano dos anos 60 e 70, o modelo se resume ao básico: rodas, pneus, suspensão, freios e um motor aparente. De quebra, é fácil de pilotar e muito divertida para contornar curvas. A Scrambler Icon traz somente o essencial em termos de tecnologia: freios ABS de série e custa R$ 36.900.

De cara, a moto impressiona por seu estilo retrô revigorado. Traz pneus de uso misto, tanque de combustível em forma de gota – cujo bocal do reservatório ostenta os dizeres “born in 1962” (“nascida em 1962” em referência à primeira Scrambler) e tampas laterais em alumínio escovado. Isso sem falar no escape curto, banco reto e guidão largo.

O apelo contemporâneo e tecnológico fica por conta do farol dianteiro redondo, que conta um aro de LED como iluminação diurna, e painel totalmente digital. Na traseira, a lanterna e a luz de freio também são de LED.

Hora de dar partida
Ao acionar o botão de partida, o motor da Scrambler Icon desperta e faz ecoar um som médio grave que instiga o motociclista a acelerar. O coração desta Ducati é o Desmodue de dois cilindros em “L”, derivado da antiga Monster 796, com 803 cm³, comando de válvula Desmodrômico e arrefecimento a ar e óleo. Na Scrambler, porém, foi retrabalhado para oferecer mais torque em baixos e médios regimes de rotação. São 6,9 kgf.m disponíveis a apenas 5.750 giros e por isso a moto tem bastante força para largar na frente dos carros quando a luz verde do semáforo acende.

Mas é na retomada de velocidade que o motor dessa Ducati gosta de despejar seu torque. O propulsor “enche” de forma gradual, sem trancos e sustos, e tem fôlego em uma ampla faixa de giros. Comportamento bem diferente da descontinuada Monster 796, que exigia que o piloto rodasse sempre em giros mais altos.

Assim, a Scrambler é mais agradável de rodar na cidade e no dia-a-dia. Seu câmbio de seis velocidades mostrou-se bem escalonado: mesmo com garupa é possível rodar em terceira ou quarta marcha com giros mais baixos, sem que o motor “bata pino”. O calor nas pernas, entretanto, ainda incomoda nos dias mais quentes, uma característica dos motores com arrefecimento a ar.

Rodando apenas em trechos urbanos, a Scrambler consumiu 15,26 Km/l. Mas vale uma ressalva: como tivemos o privilégio de sermos os primeiros a pilotar a nova Ducati no Brasil, a unidade testada era “0 km”. Por isso acreditamos que, com o motor “amaciado”, o consumo deve melhorar e chegar próximo dos 20 km/l, como demonstram testes no exterior.

Ciclística eficiente
Robusta, a Scrambler Icon é construída sobre um quadro de aço tubular em treliça, que abraça o motor. No trem dianteiro, garfo telescópico invertido com tubos de 41 mm da Kayaba e disco simples de 330 mm de diâmetro, com pinça radial Brembo de quatro pistões.

Na traseira, balança em alumínio monoamortecida e disco único de 245 mm de diâmetro, com pinça Brembo de um pistão. Os freios tem sistema ABS de série e ambas as suspensões contam com curso de 150 mm e ajuste na pré-carga da mola.

Na prática, mesmo rodando por ruas e avenidas esburacadas, as suspensões absorveram bem os impactos, isolando o piloto. Mesmo acertadas para oferecer conforto, transmitiam segurança nas curvas. O sistema de freio também se mostrou eficiente, mesmo em situações extremas.

Para completar, a Scrambler está calçada com pneus Pirelli MT60 RS, sendo 110/80 aro 18 na dianteira e 180/55 aro 17 na traseira. Este tipo de pneu oferece bom desempenho no asfalto e na terra e, em função de sua geometria e espessura, ajuda ainda a absorver as ondulações do terreno.

Em meio aos carros, o ângulo de esterço mostrou-se limitado, prejudicando manobras em baixa velocidade. Além disso, o guidão largo enrosca nos retrovisores dos carros nos corredores mais apertados. A ergonomia é muito semelhante a adotada pelas motos trail da década de 1970: braços abertos, costas eretas e pernas pouco flexionadas. No geral, o conjunto oferece ao piloto um bom nível de conforto.

Leve, a Icon pesa apenas 170 kg e seu tanque de combustível tem capacidade para 13,5 litros de gasolina, que confere uma autonomia de cerca de 200 Km. Em função de seu baixo peso, a moto se torna bastante ágil em qualquer tipo de condução, até em estradas de chão batido!

Conclusão
A Scrambler não é o modelo mais potente ou torcudo da Ducati, mas é divertida, gostosa de pilotar e bonita. Tem boa aceleração, gosta de contornar curvas, e seu estilo retrô é um diferencial que tem atraído novas pessoas para o mundo em duas rodas. Suas linhas chamam a atenção de muita gente que nunca imaginou ter uma moto. Ouvi a seguinte frase em um posto de gasolina – “Não gosto de moto, mas esta me despertou a curiosidade de pilotar esta máquina”, disse o jovem de vinte e poucos anos.

Enfim, a Icon é uma moto para desfilar, ser visto e causar inveja! Não pela ostentação de cromados e adereços. Mas sim, justamente, por sua simplicidade estética e mecânica. Pena que custa R$ 36.900.

FICHA TÉCNICA
Ducati Scrambler
Motor Dois cilindros em “V”, duas válvulas por cilindro e refrigeração a ar
Capacidade cúbica 803 cm³
Diâmetro x curso 88 x 66mm
Taxa de compressão 11:1
Potência máxima 75 cv a 8.250 rpm
Torque máximo 6,9 kgf.m a 5.750
Câmbio Seis marchas
Transmissão final Corrente
Alimentação Injeção eletrônica
Partida Elétrica
Quadro Treliça em tubos de aço
Suspensão dianteira Garfo telescópico invertido Kayaba de 41 mm de diâmetro com 150 mm de curso
Suspensão traseira monoamortecedor e balança oscilante em alumínio com 150 mm de curso
Freio dianteiro Disco simples dianteiro de 330 mm de diâmetro, mordido por pinça Brembo de quatro pistões e ABS
Freio traseiro Disco único de 245 mm de diâmetro e ABS
Pneus 110/80 aro 18 (D) e 180/55 aro 17 (T)
Comprimento 2.100 mm
Largura 845 mm
Altura 1.150 mm
Distância entre-eixos 1.445 mm
Altura do assento 790 mm
Peso a seco 170 kg
Peso em ordem de marcha 186 kg
Tanque de combustível 13,5 litros
Cor Amarela
Preço sugerido R$ 36.900



Fonte:
Agência Infomoto
Compartilhe este conteúdo:

Nova Ducati Multistrada 950 é confortável, divertida e valente

Nova Versys-X 300 inaugura segmento de pequenas aventureiras

Super Ténéré sente o peso da idade, mas é boa opção para aventuras

Kawasaki lança nova Z900 no Brasil em versão única com ABS

BMW G 310R vai bem na cidade, mas perde força na estrada

Triumph Street Triple 765 RS é explosiva, empolgante e ágil

Honda NC 750X entra na briga com preço mais baixo

Honda NC 750X entra na briga com preço mais baixo

Triumph Street Triple 765 RS é explosiva, empolgante e ágil

BMW G 310R vai bem na cidade, mas perde força na estrada

Nova Yamaha Factor 150 UBS traz freios mais eficientes

Teste: Yamaha Neo mostra agilidade e economia no trânsito

BMW F 700 GS é versátil e ótima opção para viagens

Teste da Falcon NX4 por um usuário


Comente

Para comentar é necessário autenticar, clique aqui!


Busca Rápida

Busca avançada

Comprar ou vender

Cadastre-se | Anuncie agora!

Anúncios em Super Destaque

Montadoras