Nova Biz EX é diferente, mas cobra por isso

André Jordão

Rodas de liga leve, freio dianteiro a disco, novo farol e piscas dianteiros com refletores multifocais, injeção eletrônica de combustível, grafismos exclusivos e motor Flex. Não estamos falando de um modelo de grande porte, mas sim da nova Honda Biz 125 EX que, por R$ 6.590, oferece todos esses acessórios — as versões KS e ES custam R$ 5.297 e R$ 5.854, respectivamente.

Desde que foi lançada, em 2005, a Biz domina o segmento CUB e já superou a marca de 970 mil unidades comercializadas. Para ser ter ideia, só em 2011 a CUB da Honda já vendeu 101.247 unidades, sendo o quinto veículo mais vendido do País, atrás apenas de Honda CG 150, Honda CG 125, VW Gol e Fiat Uno, de acordo com a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

E foi devido a todo esse sucesso que a Honda decidiu lançar, este ano, a Biz 125 EX, sucessora da Biz+. Modelo com aspecto esportivo, já que suas cores, grafismos e as rodas de liga leve em seis pontas o elevam a um nível mais exclusivo, mesmo que cobre R$ 736 a mais por isso. Na prática, essa diferença compensa? É isso que fomos verificar, assim que retiramos uma Biz 125 EX zero-quilômetro na Honda.

Flex
Uma novidade que faz da Biz uma boa opção para o dia a dia dos grandes centros é a adoção do sistema Flex. A tecnologia antes disponível apenas nas CG 150 Titan, CG 150 Fan e NXR 150 Bros veio dar mais dinamismo à Biz. Além de mais barato, o etanol (álcool) está alinhado com a estratégia do Governo de diversificar as matrizes energéticas e tem a vantagem de ser uma fonte de energia renovável e menos poluente quando comparado à gasolina.

Com o etanol, o modelo testado rodou mais de 40 km/litro, ou seja, a Biz oferece uma autonomia superior a 220 km, já que seu tanque tem capacidade para 5,5 litros. Fazendo uma comparação com o transporte público, uma pessoa que utiliza duas conduções diárias a R$ 2,90 cada, por exemplo, gasta R$ 116 mensais, considerando somente dias úteis. A bordo da Honda Biz, com o preço médio do litro de etanol a R$ 1,79 (na capital paulista), os mesmos R$ 116 gastos em álcool seriam suficientes para rodar 2.592 km no mês.

Modelo renovado
O modelo 2011 da líder da categoria chegou às concessionárias totalmente renovado. Chassi e carenagem receberam alterações em cerca de 95% de seus componentes. Essas alterações deixaram a Biz mais ágil na cidade, o que é bom, já que sua proposta é totalmente urbana.

O chassi, do tipo monobloco, não transmite muita firmeza ao piloto. A Biz, até pelo seu porte, não é uma moto que encara buracos com tranquilidade. O piloto deve ter uma condução consciente, fugindo de obstáculos maiores.

Aliás, o conjunto de suspensões contribui muito para isso. Excessivamente macias, as suspensões dianteira telescópica, com 100 mm de curso, e traseira, com dois amortecedores de 86 mm de curso, não copiam as irregularidades do asfalto com perfeição.

A moto vai bem nos percursos urbanos, mas o condutor deve sempre se lembrar que está a bordo de um veículo frágil. Por outro lado, os freios agradaram. Mesmo sendo uma unidade zero-quilômetro, o disco dianteiro de 220 mm e o tambor traseiro de 130 mm pararam a Biz com eficiência e transmitem confiança sempre que exigidos.

Outro ponto positivo na nova Biz está no tamanho dos aros. O traseiro de 14” e o dianteiro de 17” em rodas de liga leve estão de acordo com a proposta e, se não permitem que o piloto abuse nas curvas, são mais eficientes que os acanhados aros usados nos scooters, de até 10”.

Design
A Biz 125 2011 teve seu design reformulado. O escudo frontal ficou maior, a carenagem agora tem maior área pintada na cor na moto e o escapamento está todo preto. Na dianteira, o conjunto ótico é composto por novo farol e piscas dianteiros com refletores multifocais. Na traseira, os piscas não estão mais juntos com a lanterna, sendo localizados abaixo do conjunto. Essa nova alternativa da Honda para os piscas traseiros não agradou nossa equipe, mas esquecendo a questão estética, de fato estão mais funcionais.

O novo assento em dois níveis ficou mais plural, aceitando pilotos de todos os tamanhos. Para o garupa, o conforto foi reforçado pelas novas pedaleiras, agora fixadas ao chassi. Entretanto, a Biz perde muito fôlego ao levar um passageiro.

O novo painel de instrumentos traz hodômetro, marcador do nível de combustível e escala de utilização das marchas no velocímetro, além de luz de diagnóstico da injeção eletrônica.

Visando auxiliar o consumidor em relação ao funcionamento da tecnologia bicombustível, o painel traz ainda a luz “ALC”, que acenderá sempre que houver mais de 80% de etanol (álcool) no tanque e piscará em condições de temperatura ambiente abaixo de 15°C.

Quase o mesmo motor
Com 124,9 cm³ e quatro marchas semi-automáticas, o propulsor OHC (Over Head Camshaft), quatro tempos, arrefecido a ar, só ganhou novos balancins roletados no cabeçote. Essa alteração deixou a moto mais eficiente e progressiva.

O engate das marchas é preciso e não deixa o piloto na mão nem nas maiores subidas — potência máxima é de 9,1 cv a 7.500 rpm e torque de 1,01 kgfm a 3.500 rpm, com ambos os combustíveis. O câmbio é semi-automático e rotativo, dispensando o acionamento manual da embreagem.

Um destaque negativo fica para o pedal de partida. A versão EX também tem partida elétrica, mas o pedal fica posicionado de forma conflitante com o pé direito do piloto. Basta fazer uma curva ou mesmo flexionar o pé, que o pedal incomoda, forçando o pé a ficar curvado para o lado.

Mercado CUB
A Biz, desde seu lançamento, domina o segmento CUB no Brasil. O espaço generoso que há sob o banco é um dos fatores que contribuem para isso, mas esse porta-objetos só apareceu no modelo 2011. Então qual seria o motivo? A Yamaha Crypton ficou fora do mercado por cinco anos, de 2005 a 2010.

Em 2011 a Crypton vendeu 11.615 unidades, de acordo com a Fenabrave, ou seja, quase dez vezes menos que a Biz. Mas em 2010 a CUB da Yamaha teve 18.368 unidades comercializadas durante todo o ano, o que mostra que neste ano a Crypton já vendeu mais de 60% do que foi comercializado durante todo o ano passado, sendo que ainda nem se encerrou o mês de junho.

Já a Dafra disponibiliza a Zig 100. Terceira mais vendida do segmento, a CUB da Dafra teve 3.555 unidades comercializadas em 2011, o que só comprova a força da Honda e, em especial, da Biz. E a quarta CUB mais vendida no País neste ano é a Win 110, da Kasinski. Foram 1.355 unidades vendidas, tudo segundo dados da Fenabrave.

Conclusão
Seja por limitação de outras fabricantes ou por méritos da Honda, a Biz é hoje a terceira moto mais vendida no Brasil. Sua ciclística se mostrou bem acertada, a economia de combustível impressiona e seu torque não deixa o piloto na mão na cidade. Por essas e outras a Biz continua soberana do segmento CUB.

E respondendo se vale a pena pagar mais R$ 736 para ter a versão EX em vez da ES, de acordo com nossa opinião, sim. A única diferença relevante de um modelo para o outro é o freio a disco dianteiro de 220 mm, o que já basta como ganho em segurança.

Ficha Técnica
Motor
OHC, monocilíndrico, 4 tempos, arrefecido a ar
Capacidade cúbica 124,9 cm³
Potência máxima 9,1 cv a 7.500 rpm
Torque máximo 1,01 kgf.m a 3.500 rpm
Câmbio Semi-automático e rotativo de quatro marchas
Transmissão final Corrente
Alimentação Injeção eletrônica
Partida Elétrica
Quadro monobloco
Suspensão
Dianteira Garfo telescópico com 100 mm de curso
Traseira Bichoque, com 85 mm de curso
Freio
Dianteiro Disco
Traseiro A tambor/ 110 mm
Pneu
Dianteiro 60/100 – 17M/C 33L
Traseiro 80/100 – 14M/C 49L
Comprimento não disponível
Largura não disponível
Altura não disponível
Distância entre-eixos 1261mm
Distância do solo 130
Altura do assento 753 mm
Peso a seco 103 kg
Tanque de combustível 5,5 litros
Cores Rosa metálico, verde metálico, vermelho e preto
Preço sugerido R$ 6.590

Fonte: Infomoto

Fotos: Doni Castilho



Fonte:
Equipe MOTO.com.br




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