Não é fotogênica, mas é uma bela moto

André Jordão

Ainda estávamos em Manaus quando a XRE 300 nos foi apresentada. Parece que não faz muito sentido este começo, mas realmente foi assim que aconteceu. A Honda apresentou esta nova motocicleta no final dos testes realizados na, também nova, CB 300R.

Cansados, depois de um dia inteiro de testes, voltamos para o salão central e lá estava mais uma moto coberta por um pano. Era ela, a substituta da NX4 Falcon e também da XR Tornado, a nova XRE 300. Infelizmente, naquela oportunidade, a chave da moto não estava presente, impossibilitando o teste ride do novo modelo. Apesar de tantas novidades sairíamos da capital do Amazonas um pouco frustrados.

Uma nova data foi marcada e em breve teríamos contato com a adventure touring da Honda. Centro de Educação em Transito Honda (CETH), este foi o cenário escolhido para acelerar a nova “bike”. Que frio que fazia aquela manhã, 13º, com sensação térmica de 5º, mas nada que tirasse o sorriso e a vontade de rodar no asfalto e na terra com a on-off-road.

No asfalto

Ela se comportou bem no asfalto. Apesar da fabricante ter mantido traços como uma suspensão de longo curso e escapamento com saída alta, para sustentar as qualidades off-road da motocicleta, ela ficou muito mais on-road. Com o mesmo motor utilizado na CB 300R, a XRE carrega o DOHC, com duplo comando de válvulas e câmbio de cinco velocidades, isso faz com que a velocidade máxima seja alcançada de forma rápida, entretanto a final continua semelhante a Tornado, não passando os 140KM/h.

Aí pode estar um problema, pois para substituir a Falcon ela deveria oferecer uma velocidade final um pouco maior, quem está acostumado a pegar sua NX4 e fazer longas viagens, irá estranhar o desempenho acima dos 130km/h.

O novo chassi do tipo berço semi-duplo, permite uma posição confortável de pilotagem, deixando o corpo mais ereto, sem a sensação de “cair”sobre o tanque, como acontece na XR 250.

Na terra

A nova XRE 300 ganhou muitas características on–road, tirando ela do universo que vivia a Tornado. Apesar da suspensão traseira do tipo Pro-Link e na dianteira garfo telescópico passarem tranquilidade para encarar as peripécias do terreno off-road, a moto não tem uma boa desenvoltura fora da estrada. Rodando com a Tornado pelas mesmas “estradinhas” que passei com a sua evolução, consegui uma velocidade maior, obtendo mais facilidade na terra.  

A intenção da montadora foi atender um universo maior, por isso remanejaram a XRE 300 para o mundo pavimentado, sem abrir mão de alguns detalhes off-road. Entretanto esta motocicleta fugiu da terra, se tornou uma on-road com poucos traços do campo, para quem gosta de ir para fora da estrada, a diferença será sentida no braço. 


Ciclística

A moto ficou imponente, traços de BMW, somados a lembranças da antiga Sahara, construíram um design marcante. Agora em espaços curtos — fazendo uma alusão ao trânsito das cidades — nota-se uma dificuldade para realizar manobras de curto espaço. O assento em dois níveis faz com que o encaixe das pernas no tanque seja perfeito, principalmente para pessoas com maior altura.

O guidão também ganhou um novo posicionamento, permitindo que os braços fiquem mais altos, melhorando a tocada, o que é muito bom para quem utiliza a moto o dia todo. 

O destaque é  o novo freio traseiro: um disco de 220 mm de diâmetro com pinça de pistão simples. O peso a seco da XRE 300 é de 144,5 kg,  7,5 kg mais leve que a Falcon, porém 10 kg mais pesada que a XR 250.

Design e fotogenia

A XRE 300 conta com linhas marcantes e segue a tendência “adventure”. Ao olhar olhá-la pela primeira vez ao vivo, você realmente se apaixona, entretanto olhando as fotos e após ler comentários negativos a seu respeito percebi que ela não é fotogênica. A on/off-road da marca nipônica, chama a atenção pelo bom nível de acabamento, mas só se percebe isso vendo a XRE na sua frente.

O farol multi-refletor com lentes em policarbonato ganhou lâmpadas mais potentes (60/55W). O tanque de combustível possui 12,4 litros, na antiga Tornado eram 11,5 litros e na Falcon 15,3 litros. Os amantes da NX4 vão sentir falta da autonomia.

O painel está embutido à carenagem do farol e traz marcador de combustível, velocímetro, hodômetros total e parcial, além de luzes-espia, totalmente digital.

Na traseira, o conjunto óptico é formado por lanterna e piscas independentes, suporte de placa alto e alças em alumínio integradas ao bagageiro. As rodas de alumínio na cor preta têm 21 polegadas na dianteira e 18 polegadas na traseira, calçadas com pneus de uso misto Metzeler Enduro 3.

Disponível nas cores preta, vermelha e amarela metálica, a moto chega à rede de concessionárias em agosto. No primeiro ano, a Honda espera vender 40 mil unidades da XRE 300. O preço público sugerido é de R$ 12.890,00 (base Estado de São Paulo) e não inclui despesas com frete e seguro. Porém, na prática esta moto deverá ser comercializada em torno de R$ 13.500,00. Sua principal concorrente, a Yamaha Lander 250 (2008), tem 20,7 cv de potência máxima e custa R$ 12.331,00.



Fonte:
Equipe MOTO.com.br




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