KTM 990 Super Duke é diversão garantida

André Jordão

Imagine que você pudesse fabricar sua própria motocicleta. Como você montaria a sua máquina e que componentes usaria? Com certeza vieram a sua cabeça as marcas mais conceituadas do segmento, como freios Brembo, rodas italianas da Marchesini e os famosos amortecedores da WP, marca que hoje pertence à KTM.

Pois foi isso que fez a KTM ao projetar a naked Super Duke 990. Pensando apenas no desempenho, a fábrica austríaca equipou a radical motocicleta com os melhores componentes disponíveis no mercado. Mas será que reunir tanta grife em uma motocicleta surte efeito positivo na pilotagem? Certamente, a resposta é sim!

Mesmo lhe cobrando por isso, — seu preço sugerido é de R$ 49.990,00 — a KTM 990 Superduke, vendida no Brasil, hoje é uma opção para quem deseja fugir de uma naked japonesa. Além das representantes nipônicas, leia-se Kawasaki Z1000, Honda CB 1000R e Suzuki B-King 1300, a MV Agusta Brutale 1090RR é uma concorrente direta neste segmento. Principalmente pelo fato de a marca italiana privilegiar o que há de melhor, ponto em comum com a também européia KTM.

Herança esportiva
Embora seja uma naked, estilo caracterizado pela ausência de carenagem, a Super Duke 990 é equipada com um propulsor LC8 derivado da superesportiva austríaca RC8 R. Amansado e com menor capacidade cúbica, o motor produz 120 cavalos de potência a 9.000 rpm. Números que levam a Super Duke a romper facilmente os 160 km/h, sem precisar abrir o acelerador com muita vontade.

A grande característica deste motor, um bicilíndrico em V dispostos a 75°, com 4 válvulas por cilindro e duplo comando no cabeçote, é realmente o torque. Sem aerodinâmica, por se tratar de uma “moto pelada”, o piloto não sente segurança em manter velocidades muito altas, mas sua aceleração é impressionante.

Entretanto, na cidade, essa motocicleta mostra todo seu lado “Super”. São 10,20 kgf.m de torque máximo a 7.000 rpm. Sim, a bordo da KTM Super Duke o piloto tem força à vontade em todas as faixas do motor.

Aliás, essas particularidades fazem desta moto um “brinquedo” de gente grande. É fácil conduzi-la, mas levá-la ao extremo exigirá experiência e anos ao guidão. Todavia, para desfilar na cidade, ou mesmo esticar até a praia para ver o mar, a Super Duke também permite tocadas mais comportadas, em função do grande torque à disposição.

Quadro em treliça e muita grife
O desfile de grifes na KTM começa já na alimentação, feita pela injeção eletrônica Keihin com corpo de 48 mm. O chassi em treliça, muito usado nas esportivas da italiana Ducati, é o berço do LC8, juntamente com um subquadro em alumínio. Rígido, ele credencia a Super Duke a realizar boas curvas, porém em função de seu porte e pneu largo na dianteira, o modelo não é muito ágil na troca rápida de direção.

Quem favorece muito a realização de cada curva e também não para de trabalhar no esburacado asfalto metropolitano é o conjunto de suspensões. Perfeitos, tanto o garfo dianteiro invertido WP com 48 mm de diâmetro e 135 mm de curso, como o monoamortecedor traseiro WP com 160 mm de curso, trabalham com maestria. Chega a impressionar a diferença que um conjunto como este faz na pilotagem.

Seguindo a proposta, a KTM optou por equipar o trem dianteiro com um disco duplo de 320 mm com pinças radiais Brembo de quatro pistões e um disco simples de 240 mm com pinça Brembo de dois pistões na traseira.

Aliados as rodas de liga leve da italiana Marchesini e os pneus Pirelli Corsa III com medidas de 120/70 ZR x 17 na frente e 180/55 ZR x 17 atrás, a Super Duke desperta prazer em pilotar. É difícil deixá-la parada, pois, conhecendo a pequena fábrica da KTM, sabemos que se trata de produto quase artesanal, feito na medida pra você.

Conclusão
Com certeza empregar toda essa grife de equipamentos na KTM 990 Super Duke fez dela uma motocicleta exclusiva, de pilotagem única. Mas o mercado de motos naked com alta capacidade, as big nakeds, está cada dia mais concorrido.

Resta escolher entre os conjuntos padronizados das concorrentes japonesas, mas que chegam a um preço muito mais acessível. Ou optar pelo requinte das concorrentes européias, que podem pedir mais investimento, mas compensam na tocada e na tranquilidade de poder andar por aí sem precisar se preocupar com os amigos do alheio.

FICHA TÉCNICA
MOTOR
Bicilíndrico em V, dispostos a 75°, 4 tempos, 4 válvulas por cilindro com duplo comando no cabeçote
Cilindrada 999 cm³
Potência 120 cv a 9.000 rpm
Torque 10,2 kgf.m a 7.000 rpm
Diâmetro x Curso 101 x 62,4 mm
Taxa de compressão 11,5:1
Refrigeração Líquida
Partida Elétrica
Alimentação Injeção eletrônica Keihin com corpo de 48 mm
Lubrificação Bomba de óleo dupla
Transmissão Seis marchas
Embreagem Multidisco banhado a óleo com acionamento hidráulico
CHASSI
Quadro Treliça tubular de aço cromo molibdênio com pintura eletrostática
SUSPENSÕES
Dianteira Invertida WP com 48 mm de diâmetro e 135 mm de curso
Traseira Monoamortecedor WP e 160 mm de curso
FREIOS
Dianteiro Disco duplo flutuante de 320 mm com pinças radiais Brembo de quatro pistões
Traseiro Disco simples flutuante de 220 mm com pinça Brembo de dois pistões
RODAS E PNEUS
Dianteira Liga leve, 120/70 ZR x 17
Traseira Liga leve, 180/55 ZR x17
DIMENSÕES
Altura do assento 850 mm
Distância livre do solo 150 mm
Distância entre-eixos 1.450 mm
Tanque de combustível 18,5 litros (2,5 de reserva)
Peso a seco 186 kg
Preço R$ 49.900

Fotos: Doni Castilho



Fonte:
Agência Infomoto




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