Ducati 848 é a mais cara da categoria

Arthur Caldeira

A Ducati 848 não é apenas uma pequena 1098. É mais que isso. Apesar da menor capacidade cúbica, a representante da marca italiana na categoria supersport – das meio pesadas – é uma moto rápida, precisa nas curvas e, sobretudo, uma Ducati. Não só pelo seu desenho inconfundível, com dois faróis na dianteira e as duas ponteiras de escape saindo por baixo da rabeta. Mas também pela sua herança das pistas.

Basta montar na 848 para perceber que os recortes do tanque encaixam-se perfeitamente às pernas do piloto – talvez os mais altos sofram um pouco – como em uma verdadeira superesportiva de corrida. Apenas uma volta na pista também é suficiente para lembrar que conforto não entrou na lista de prioridades dos engenheiros que desenharam a Ducati 848. Seu banco estreito e com pouca espuma é duro, porém facilita se movimentar sobre a moto para deitar nas curvas. Mas a garupa sofre ainda mais: tem praticamente um pequeno pedaço de espuma para se acomodar.

Mas apesar disso a Ducati 848 é uma esportiva gostosa de pilotar. A começar pelo torque de sobra proporcionado pelo motor Testastretta de dois cilindros em “L” projetado especialmente para a 848. A “força” aparece já nas médias rotações e chega ao torque máximo de 9,8 kgf.m a 8.250 rpm. Só para comparar: a Honda CBR 600RR oferece apenas 6,73 kgf.m a 11.000 rpm. Na prática isso representa uma aceleração mais vigorosa nas retomadas e saídas de curva. Se exagerar na dose, a roda dianteira sai do chão com facilidade.

A potência máxima também é superior às concorrentes. O motor, alimentado por injeção eletrônica, com comando desmodrômico e refrigeração líquida atinge 134 cv a 10.000 rpm – a CBR 600RR tem 120 cv. Claro que temos de levar em consideração que o motor da 848 tem maior capacidade: 849 cm³ contra 599 cm³ da Honda. Além disso, seu comportamento também difere das japonesas de quatro cilindros em linha. E aí que está outra vantagem dessa italiana: o torque e a potência são entregues de forma mais linear e suave, sem sustos para o piloto.

Compacta e leve

Apesar do motor maior, a Ducati 848 é apenas 13 kg mais pesada que a Honda CBR 600. Com 168 kg (a seco), a 848, entretanto, é 20 kg mais leve que sua antecessora, a 749. Tudo isso distribuído em 2.100 mm de comprimento. Um conjunto bastante compacto que faz dela uma moto ágil. Ágil para se rodar na pista ou em estradas tortuosas, mas não no meio do trânsito urbano.

Destaque também para o conjunto de suspensões da marca Showa. Garfos telescópicos invertido na dianteira com 43 mm de diâmetro e totalmente ajustável. Assim como o monoamortecedor traseiro ancorado no belo monobraço em alumínio. Contribui para essa sensação de agilidade o pneu traseiro de 180 mm de largura montado em uma roda de 17 polegadas mais estreita que sua irmã maior, a 1098 que usa pneu 190 mm.

As suspensões são bem rígidas de acordo com a proposta esportiva dessa Ducati e devem fazer o piloto sofrer no asfalto irregular, como toda moto da categoria, vale dizer. Assim como rígido é o quadro em treliça, que praticamente “conversa” com o piloto, transmitindo as reações da moto em acelerações, curvas e frenagens.

Para parar essa potente moto italiana freios da marca Brembo. Na roda dianteira, a 848 tem disco duplo de 320 mm de diâmetro com pinças de fixação radial. Não são pinças monobloco, como na 1098, porém param com eficiência o modelo. Na traseira, um disco simples com pinça de dois pistões.

Cockpit

O painel, inspirado na Desmosedici de MotoGP pilotada por Casey Stoner, faz o motociclista se sentir um piloto de motovelocidade. Totalmente digital compõe o cockpit dessa esportiva meio pesada. Além das informações básicas, como velocidade e conta-giros, traz um pequeno computador de bordo que informa consumo, temperatura do óleo e do ar e um cronômetro, acionado por um botão no punho esquerdo. Reforçando sua ascendência esportiva.

Essa superesportiva é praticamente uma moto de pista homologada para rodar nas ruas. Afinal tem farol, lanterna, piscas e belos (mas ineficientes) retrovisores. Com o nome Ducati e um design inconfundível, cobra um preço alto por tudo isso. Cotada a R$ 71.900 tem preço bastante superior aos modelos da mesma categoria. A Triumph Daytona 675, também importada pelo Grupo Izzo assim como a Ducati, custa R$ 41.900 (apesar de se tratar do modelo 2008). A Honda CBR 600RR, modelo 2008, tem preço de US$ 25.000, cerca de R$ 48.000.

FICHA TÉCNICA
Motor: 4 tempos, dois cilindros em “L” a 90°, 4 válvulas, comando
desmodrômico, refrigeração líquida
Capacidade: 849 cm³
Diâmetro x curso: 94 mm x 61,2 mm
Taxa de compressão: 12,0:1
Potência máxima: 134 cv a 10.000 rpm
Torque máximo: 9,8 kgf.m a 8.250 rpm
Câmbio: 6 marchas
Transmissão final: por corrente
Alimentação: Injeção eletrônica Magnetti Marelli
Comprimento total: 2100 mm
Largura total: não informada
Altura: não informada
Distância entre eixos: 1.430 mm
Altura do assento: 830 mm
Peso a seco: 168 kg
Suspensão dianteira: Garfo Telescópico invertido (upside-down) - Showa totalmente ajustável
Suspensão traseira: Monobraço em alumínio com um único conjunto mola-amortecedor - Showa totalmente ajustável
Freio dianteiro: Disco duplo flutuante de 320 mm de diâmetro, com pinças de quatro pistões Brembo fixadas radialmente
Freio traseiro: Disco simples de 245 mm de diâmetro com pinça Brembo de dois pistões
Pneu dianteiro: 120/70-ZR17
Pneu traseiro: 180/55-ZR17
Tanque de combustível: 15,5 litros
Cores: Vermelha e Branca perolizada
Preço: R$ 71.900

Fotos: Caio Mattos



Fonte:
Agência Infomoto




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