Burgman 125i X Lead 110: Um confronto urbano

Arthur Caldeira

A Suzuki demorou em renovar seu scooter e apenas em março deste ano apresentou o Burgman i, com motor de 125 cc e injeção eletrônica. Seu atraso lhe custou a liderança do mercado, hoje ocupada pelo Honda Lead 110, lançado em julho de 2009.

Mas vale dizer que não foi apenas a letargia da J.Toledo/Suzuki que fez do scooter da Honda o mais vendido do segmento. Projeto já consagrado, o Lead é uma dos modelos mais vendidos da marca em todo o mundo. Mas como nem sempre a liderança de mercado significa a melhor opção de compra, colocamos os dois pequeninos scooters frente a frente em uma disputa urbana para ajudá-lo na hora da compra.

Motorização
O scooter Suzuki Burgman i 2011 ganhou injeção eletrônica de combustível para alimentar seu propulsor de quatro tempos, 125 cm³, duas válvulas, OHC, monocilíndrico e refrigeração a ar. Mas para atender às regras antipoluição, o desempenho do motor é bastante comedido para sua capacidade cúbica: produz 9 cavalos de potência máxima a 7.500 rpm e torque máximo de 0.95 kgf.m a 6.500 rpm. Números inferiores que o antigo Burgman, que oferecia 12,3 cv de potência máxima e 1,1 kgf.m de torque.

Já o Honda Lead tem propulsor monocilíndrico de menor capacidade, 108 cm³, OHC (comando simples no cabeçote), porém com arrefecimento líquido. A potência máxima é praticamente a mesma - 9,2 cv a 7.500 rpm – assim como o torque de 0,97 kgf.m a 6.000 rpm.

O pequeno motor também é alimentado por injeção eletrônica de combustível. Ambos são equipados com câmbio CVT – transmissão continuamente variável – e não têm marchas e nem embreagem.

No uso urbano, o desempenho do Burgman i e do Lead 110 praticamente se equivalem. Mas é na hora de acelerar em vias de trânsito mais rápido ou em estradas que o modelo da Suzuki leva vantagem, chegando a atingir velocidade próxima aos 100 km/h no velocímetro, enquanto o scooter Honda tem um limitador que não o deixa passar dos 80 km/h.

Outro ponto positivo do scooter Suzuki foi a economia de combustível. Em cerca de 300 km rodados, o Burgman teve média de consumo que variou entre 38 e 41 km/l. Como tem tanque de 6,0 litros, sua autonomia beira os 250 km.

Já o Honda Lead 110 teve média de consumo entre 33 e 35 km/l. E com tanque de 6,5 litros, o scooter tem autonomia para rodar cerca de 200 km.

Ciclística
Na parte ciclística, ambos também trazem projetos bastante semelhantes. Tanto Honda como Suzuki montaram seus scooters sobre chassis monoblocos, com suspensões telescópicas na dianteira e balança monoamortecida na traseira. Como era de se esperar, o conjunto de amortecimento não é suficiente para absorver as enormes imperfeições do asfalto paulistano em nenhum dos dois modelos. Mas isso não é um defeito dos veículos, mas sim das nossas ruas.

O que vale ressaltar aqui é que, ao conduzir um scooter, o piloto tem de estar ciente de suas limitações de desempenho e ciclística e respeitar o veículo para evitar acidentes.

As diferenças aparecem mesmo nas rodas e freios. A Honda equipou o Lead com roda dianteira de 12 polegadas e traseira de 10 polegadas, enquanto a Suzuki optou pelas rodas de 10 polegadas na frente e atrás. Ao passar por ondulações, a roda de 12 polegadas oferece um pouco mais de firmeza e transmite mais segurança ao motociclista.

A diferença, contudo, não é tão gritante como nos freios – bem melhores também no scooter Honda. Ambos têm freio a disco na dianteira e a tambor na traseira. Porém o Lead traz o sistema de freios combinados mecanicamente: ou seja, ao acionar o manete do freio traseiro, o disco dianteiro também entra simultaneamente em ação, o que representa menor espaço de frenagem e mais segurança para o piloto. Já na unidade do Burgman testada por nós, o freio traseiro mostrou-se bastante ineficiente – um pequeno ajuste melhorou a frenagem, mas não chegou a se equivaler ao desempenho dos freios do scooter Honda.

O Lead marca mais um ponto ao trazer o útil freio de estacionamento. Além de evitar quedas quando estiver estacionado em ladeiras, já que não é possível deixar o scooter “engatado”, facilita a vida do motociclista em situações cotidianas, como encostar o veículo para atender ao celular, por exemplo.

Por outro lado, a Honda não equipou o Lead com um simples descanso lateral – item de série no Suzuki Burgman, que também traz o cavalete central. A necessidade de colocar o scooter da Honda no cavalete central em qualquer parada é irritante. A alegação de que o descanso lateral pode causar acidentes quando o motociclista se esquece de recolhê-lo, não colou. Caso contrário, a fábrica não venderia o descanso como opcional em suas concessionárias, não é mesmo?

Praticidade
A opção de muitos motociclistas em trocar sua moto de “verdade” por um scooter para rodar na cidade se deve à praticidade desses veículos. São fáceis de pilotar, seu escudo frontal protege até mesmo contra garoas, a ausência de pedal de câmbio faz os sapatos durarem mais e o espaço sob o banco e outros porta-trecos faz dos scooters ótimas opções para o uso urbano.

E nesse quesito o Honda Lead ganha de lavada. A começar na hora de abastecer: no Honda não é preciso levantar o banco para colocar combustível, pois o bocal fica no assoalho; já o Burgman exige que se abra o banco.

E não é só isso. Essa diferença de projeto denuncia outra grande vantagem do Lead. Além de reduzir o centro de gravidade e garantir mais estabilidade, o tanque de combustível no assoalho “libera” um enorme espaço sob o banco do scooter Honda. Para se ter uma idéia, pode-se colocar até dois capacetes, um integral e outro do estilo Jet. Já no Burgman i cabe apenas um capacete do tipo Jet e somente se for bem encaixado.

Outro detalhe é que o porta luvas, localizado no escudo frontal do Honda Lead, não precisa ficar trancado o tempo todo, é possível apenas fechá-lo. Já no Burgman i sempre é preciso a chave para abrir o porta luvas. Em outros detalhes ambos se equivalem: têm bagageiro como item de série e um gancho para transportar sacolas, além de contarem com shutter key e pedaleiras retráteis para a garupa.

Conclusão
Os dois scooters – Honda Lead 110 e Suzuki Burgman i – são excelentes opções para rodar na cidade se você já se cansou dos congestionamentos dentro do seu carro ou até mesmo para deixar a moto maior em casa. Porém, as qualidades do Honda Lead 110 no quesito praticidade dão larga vantagem ao modelo e, até certo ponto, justificam sua liderança no segmento. Quem busca um scooter para o uso estritamente urbano tem no modelo da Honda uma opção melhor.

Porém, se no caminho do trabalho você transitar por alguma estrada, o Suzuki Burgman oferece uma velocidade final maior e um desempenho um pouco melhor, garantindo sua segurança. Além, é claro, do fator estético que fica por conta do gosto de cada um.

O preço de cada um dos dois scooters não é um fator decisivo. Em São Paulo (SP), o Suzuki Burgman i custa R$ 5.990; enquanto a Honda está vendendo o Lead 110 por R$ 5.690, com a ressalva de que se trata de um preço “teoricamente” promocional, mas que já dura desde janeiro. Uma vez que os preços dos dois scooters são praticamente o mesmo, o Honda Lead 110 se saiu melhor nesse embate urbano.

Ficha Técnica

Suzuki Burgman i
Motor
Quatro tempos, monocilíndrico, duas válvulas, OHC, refrigerado a ara forçado
Capacidade 124 cm³
Potência Máxima 9 cv a 7.500 rpm
Torque Máximo 0,95 kgf.m a 6.000 rpm
Diâmetro X Curso 53,5 mm x 55,2 mm
Taxa de compressão 9,6:1
Transmissão CVT
Alimentação Injeção Eletrônica
Partida Elétrica e Pedal
Suspensões
Dianteira Telescópica
Traseira Balança articulada, de monoamortecimento hidráulico, mola helicodial, com ajustes
Freios
Dianteiro Disco
Traseiro Tambor
Pneus
Dianteiro 90/90-10 50J, sem câmera
Traseiro 100/90-10 56J, sem câmera
Tanque 6 litros
Óleo do Motor 1 litro com troca do filtro
Comprimento Total 1.840 mm
Largura Total 650 mm
Altura Total 1.100 mm
Entre eixos 1.230 mm
Distância do Solo 125 mm
Altura do Assento 730 mm
Peso 110 kg
Cores preta, prata, vermelha, branca e amarela
Preço R$ 5.990

Honda Lead 110
Motor
OHC, quatro tempos, monocilíndrico, duas válvulas por cilindro, arrefecido a líquido
Capacidade 108 cm³
Potência máxima 9,2 cv a 7.500 rpm
Torque máximo 0,97 kgm a 6.000 rpm
Alimentação Injeção Eletrônica
Partida Elétrica e a pedal
Câmbio Automático CVT
Quadro Monobloco
Suspensão
Dianteira Garfo telescópico, com 90 mm de curso
Traseira Monoamortecedor, com 84 mm de curso
Rodas e pneus
Dianteiro 90/90-12 44j, 12 polegadas de liga leve
Traseiro 100/90-10 56 j, 10 polegadas de liga leve
Freios
Dianteiro Disco simples de 190 mm de diâmetro
Traseiro Tambor, de 130 mm de diâmetro
Dimensões CxLxA 1.838 mm x 668 mm x 1.125 mm
Entre-eixos 1.274 mm
Altura do assento 740 mm
Capacidade do tanque 6,5 litros
Peso seco 109 kg
Cores preta, vermelha metálica, amarela metálica e rosa metálica
Preço R$ 5.690

 

Fotos: Doni Castilho



Fonte:
Agência Infomoto




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