Rally Dakar: O diário de Dimas Mattos

Acompanhe o relato emocionante do piloto Dimas Mattos, 46 anos, da equipe Brasil Moto Tour, sobre mais uma participação no Rally Dakar (ex Rally Paris Dakar), considerada a principal competição Off Road do planeta. Ele foi um dos quatro pilotos do Brasil que completaram a prova em 2012, de um de sete brasileiros que competiram nas motos.

“Estou muito feliz por ter completado este Dakar, pois sempre foi um grande sonho. Ainda mais num Rally tão difícil no qual metade dos pilotos acabou ficando pelo caminho.

Antes da prova, tinha uma idéia de que a maior dificuldade seria a grande kilometragem, mas fui descobrir que o desafio estava sim na dificuldade do terreno!

O primeiro dia que achei que seria cansativo devido aos 800 kilometros de deslocamento, foi moleza perto dos dias 2, 3 e 4 da prova. Andávamos muito tempo dentro de leitos de rio seco aos pés da Cordilheira dos Andes. Era um verdadeiro trial!

Teve uma especial de 400 km que no meio dela, entramos num rio seco e ficamos por 30 kilometros andando num trial em primeira marcha pois tinha degraus de pedra bem altos, foi super cansativo, teve piloto que parou, chorou e continuou...

Para mim, o alívio veio quando entramos nas regiões das dunas do Chile, pois adoro dunas e me diverti bastante, mas teve gente que sofreu lá também.

No dia de descanso em Copiapó, o helicóptero trouxe várias motos que dormiram no deserto. Quando entramos no Peru, onde pelas kilometragens serem menores achávamos que seria mais tranquilo...que nada!

As dunas eram diferentes das do Chile, eram mais moles e com mais "panelas", mas a dificuldade maior estava nos intermináveis trechos de "fesh fesh", trechos que tinham até meio metro de talco com varias pedras escondidas.

Foi no Peru que chegamos num trecho que apelidamos de inferno.

No meio de uma especial, estava no alto de um platô quando avistei dois helicópteros parados e o pessoal da organização apontando uma descida...já vi que teria encrenca...

Era uma descida de uns 200 metros super inclinada, de ...fesh fesh (areia que parece pó de tão fina). Eu brecava tudo com a traseira mas a moto só ganhava velocidade, sem enxergar nada ia batendo nas pedras soltas e tentando desviar das motos caídas... consegui despencar sem cair.

Quando acabou a descida respirei aliviado, mas estava dentro de outro leito de rio seco, adiantei a planilha e vi que ficaríamos dentro deste rio por uns 10 kilometros, tudo bem se ele não fosse inteiro do maldito fesh fesh com pedras dentro...

Neste momento já deu para imaginar como estava odiando o tal do fesh fesh...

Foram 10 km de sofrimento, pois a moto batia numa pedra e eu ia pro chão... A média foi de um tombo por km...

Até que a planilha mandou sair do rio... ufa...ufa nada, era uma subida de pedra solta que eu duvidava que os carros conseguiriam subir. Terminar esta subida foi como sair do inferno!!!

E assim fomos indo no Rally Dakar que foi considerado por muitos como o Rally mais difícil da década.

Na África o Rally Dakar era cansativo devido às longas kilometragens dos dias, mas fluía, tinha algumas zonas de dunas difíceis ou trechos de erva de camelo cansativas, mas não se compara com o que enfrentamos aqui... Se eles queriam manter a prova como uma aventura extrema, eles se superaram.

Chegar em Lima me deu uma alegria gigante, os últimos kilometros dentro de Lima, com milhares de pessoas acenando para nós foi emocionante, não tem como não chorar dentro do capacete.

Parabéns ao Felipe Zanol que fez uma prova fantástica.

Parabéns ao Zé Hélio que soube administrar com perfeição sua corrida.

Parabéns ao Denisio do Nascimento que apesar da dor no pulso reservou o início da prova para entender como ela era e dedicou a segunda metade para acelerar.

Parabéns ao Ike Klaumann, ao Arndt Budweg e ao Vicente Benedicts pela coragem de enfrentar o desafio.”

Dimas Mattos, piloto da equipe Brasil Moto Tour

Fotos: Divulgação



Fonte:
Equipe MOTO.com.br




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