RALLY DOS SERTÕES EM DETALHES

Organizadores divulgam o roteiro da prova de 2006 com várias novidades.

Por Thiago Fuganti

A 14ª edição do Rally dos Sertões já está com os seus principais detalhes definidos. O tradicional evento brasileiro — considerado a maior competição off-road da América Latina — teve revelado o seu roteiro de 2006, durante um briefing para pilotos e imprensa, realizado na noite da última segunda-feira, em São Paulo. Marcos Ermírio de Moraes e Simone Palladino, diretores da Dunas Race, organizadora da prova, foram os responsáveis pelo anúncio.

Neste ano, a corrida de cross country terá um total de 3.878 quilômetros, sendo 1.986 de especiais, o que representa 51% do percurso. A largada será em Goiânia (GO), no dia 27 de julho, e passará por Minaçú (GO), Palmas (TO), Alto Parnaíba (MA), Correntes (PI), Barra (BA), Seabra (BA), Brumado (BA), Cândido Sales (BA), com chegada em Porto Seguro (BA).

Na apresentação, Marcos Ermírio de Moraes, diretor-presidente da Dunas e também responsável pelo levantamento do roteiro, explicou etapa por etapa e também mostrou fotos dos principais obstáculos que os competidores encontrarão. “A prova está bem dura, com trilhas travadas, especiais técnicas, mas bem gostosa de andar. Cerca de 70% do percurso é inédito, a partir de Alto Parnaíba teremos especiais por onde o Rally dos Sertões nunca passou”, destacou.

A etapa maratona, em que os veículos não podem receber apoio mecânico, será já no terceiro dia de disputa, entre Alto Parnaíba (MA) e Correntes (PI), passando pelo famoso Deserto do Jalapão, que tem como principal característica as trilhas arenosas. Os reparos nos veículos só poderão ser feitos no dia seguinte, pelos próprios competidores, com as peças que levarem e somente depois da largada, já com o cronômetro aberto.

Para 2006, a organização procurou fazer dias menores, ou seja, sem muitos deslocamentos iniciais ou finais, para que os corredores possam chegar mais cedo nas cidades-sede. Outra novidade está no briefing, que a exemplo do que é feito no Campeonato Mundial de Rally Cross Country, será escrito. No final de cada dia, todos os participantes receberão as possíveis modificações na planilha e todas as orientações impressas. Os organizadores promoverão também o briefing falado, para esclarecer dúvidas.

Como o Rally dos Sertões é válido pelo Campeonato Mundial de Rally Cross Country para a categoria motos, a organização incorporou mais uma exigência do regulamento da FIM (Federação Internacional de Motociclismo): o uso obrigatório do Sentinel, aparelho que será instalado em todos os veículos e será utilizado na hora de fazer as ultrapassagens. O competidor que vem atrás aciona o aparelho e o que está na frente recebe um sinal luminoso e sonoro, e assim fica ciente de que tem alguém querendo passar. Além do Sentinel, os veículos também deverão ser equipados com GPS, GPS Spy (introduzido no ano passado) e rádio HT/PY.

O Sertões é compreendido de duas competições: o cross country (velocidade), que tem motos (subdividida em nove categorias); carros (subdividida em cinco) e caminhões (a partir deste ano com duas categorias); e o regularidade, com três categorias (Super Master, Master e Turismo). Nesta edição não haverá a categoria Expedition.

O percurso do regularidade é diferente do cross country e a conferência final para a definição do trajeto está sendo finalizada. Por enquanto, a prova terá um total de 3.728 quilômetros, destes, 1.426 de trechos navegados.

Ações Sócio-ambientais

Além da competição, a organização do Rally dos Sertões também promove ações sociais e ambientais ao longo do percurso da prova, que beneficiam as comunidades das cidades por onde o evento passa e as trilhas, que são deixadas exatamente como foram encontradas. O trabalho da Ação Social é realizado em três fases: a primeira antes da prova, a segunda ocorre junto com o rali e a terceira após a disputa.

Coordenados por Luiz Salvatore, os trabalhos dos 30 profissionais voluntários abrangem as áreas de educação, saúde, cultura, meio ambiente e inclusão digital. A participação na Ação Social é aberta e bem-vinda. Os competidores que desejarem fazer doações podem procurar a organização e fazer sua contribuição.

Os Canastras também atuam na área ambiental. O grupo é o último a percorrer as trilhas do rali e faz esse caminho recolhendo todo tipo de detritos deixados pelos competidores, desde pedaços dos veículos até o óleo derramado no chão. Nos acampamentos, o lixo reciclável é coletado, assim como o óleo e os pneus, que são encaminhados para os lugares adequados. O grupo também realiza palestras sobre meio ambiente em escolas ao longo do percurso.

Um exemplo de iniciativa em prol do Sertões é visto da Web Racing, a maior loja de peças e acessórios para motos off-road da América Latina. Além de ser uma das apoiadoras oficiais do rally, a mega store almeja realizar passeios beneficentes visando à competição.

“Vamos fazer dois passeios neste fim de semana (clique aqui para ler a matéria) e, na seqüência, pensamos em organizar outros para a arrecadação de alimentos e roupas, que seriam entregues às comunidades carentes pelas quais o Sertões passará”, afirmou Fabio Takizawa, diretor de marketing da Web Racing.

Confira o roteiro do Rally dos Sertões (Categoria Cross Country), comentado por Marcos Ermírio de Moraes:

27/07: 1ª Etapa
Goiânia (GO) – Minaçu (GO)
Deslocamento Inicial (DI): 353Km
Trecho de Especial 1 (TE): 105 Km
Deslocamento: 63 km
TE 2: 118 km
Deslocamento Final (DF): 7Km
Total: 646 Km

“Decidimos quebrar a etapa em duas especiais para não ter uma longa zona de radar. Será o único dia da prova com dois trechos cronometrados. Pelo caminho, várias travessias de rios em todas as zonas de depressão, piso de cascalho do começo ao fim e trechos de serra. As pontes também estarão presentes, algumas não estão em bom estado de conservação. De qualquer forma, todas as pontes do rali terão graduação máxima de perigo”.

28/07: 2ª Etapa – Minaçu (GO) – Palmas (TO)
DI: 20 Km
TE: 255 Km
DF: 276 Km
Total: 551 km

“O percurso passa por pontes de madeiras em estado precário e travessia de rio com muitas pedras. Após este trecho, todos entram em zona de radar até o asfalto, onde há o abastecimento das motos no posto. Deste ponto em diante inicia-se um trecho de alta até entrarmos nas fazendas ficando novamente travado até o final da prova. A marca do rali no início serão trechos travados”.

29/07: 3ª Etapa
Palmas (TO) – Alto Parnaíba (MA)
(Etapa Maratona )

DI: 202 Km
TE: 457 Km
DF: 2 Km
Total: 661 km

“Especial mais longa do rali. Começa com altas velocidades e logo inicia um trecho de pedras, lombas e pontes de toras, seguindo por um de trial com muitas lages, erosões e lombas, até entrar nos locais de areia. Será a entrada no Jalapão e terá um trecho de navegação por GPS, com quatro waypoints (pontos marcados no GPS), em uma área de savana”.

30/07: 4ª Etapa
Alto Parnaíba (MA) – Corrente (PI)

DI: 02 Km
TE: 187 Km
DF: 77 Km
Total: 266 km

“Temos um dia curto na continuação da etapa maratona. A prova segue no Jalapão e começa travada, passa para uma região de areia e entra em um terreno mais duro, na caatinga, como há muito tempo não acontecia no Sertões. Uma dica para os pilotos: no Jalapão, solo avermelhado ou amarelado é sinal de problema. Apenas no solo branco não costuma ter erosões importantes”.


31/07: 5ª Etapa
Corrente (BA) – Barra (BA)

DI: 129 Km
TE: 273 Km
DF: 46 Km
Total: 448 km

“Faremos a Especial dos dez anos ao contrário. Será um trecho duríssimo, com uma areia branca muito fina. A navegação será importante nesse dia. É uma especial tecnicamente perfeita. Tem de tudo e será muito importante para o desempenho das equipes no rali”.


01/08: 6ª Etapa
Barra (BA) – Seabra (BA)

DI: 107 Km
TE: 152 Km
DF: 53 Km
Total: 312 km

“A especial inicia com muitas pedras, subidas e descidas fortes. Alguns trechos de serra têm calçamento muito escorregadio, principalmente para as motos. Em geral, a especial é um misto de cascalho e areia. Também é um local bastante habitado, e estamos fazendo um trabalho muito grande com a população local para que não aconteçam problemas”.

02/08: 7ª Etapa
Seabra (BA) – Brumado (BA)

DI: 13 Km
TE: 168 Km
DF: 97 Km
Total: 278 km

“Essa região é parecida com a Serra da Canastra, em Minas Gerais, por onde o rali já passou. Com muitas pedras e alguns penhascos. Haverá um trecho asfaltado de cerca de três quilômetros na subida de uma serra”.

04/08: 8ª Etapa
Brumado (BA) – Cândido Sales (BA)
DI: 13 Km
TE: 168 Km
DF: 97 Km
Total: 278 km

“Começa com muita serra, terra batida, areia e cascalho. Da metade para frente a especial fica mais rápida com trechos muito sinuosos e vários mata-burros perigosos, em sua maioria, longitudinais com vão central e de toras até o final”.

03/08: 9ª Etapa
Cândido Sales (BA) – Porto Seguro (BA)
DI: 99 Km
TE: 131 Km
DF: 184 Km
Total: 414 km

“A chuva será decisiva para a qualidade do terreno dessa especial. A previsão é que pode chover nessa época, o que vai tornar a última especial bem perigosa, com trechos de serra com chão muito liso e escorregadio. É uma região bem sinuosa, o que torna a especial bem técnica para os pilotos, apesar de ser fácil para os navegadores”.



Fonte:
Equipe MOTO.com.br

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