RALLY DAKAR 2006

Jean Azevedo conta como foi sua participação na maior prova off-road do planeta.

Por Fredy

Um Dakar para se chegar entre os cinco primeiros. Assim Jean Azevedo avaliou as suas possibilidades na edição de 2006 do mais famoso rali do mundo, encerrado no último dia 15, com a vitória do espanhol Marc Comá, na categoria motos.

Em entrevista ao "MOTO.com.br", o brasileiro - que fora apontado pelos organizadores como um dos nove favoritos ao título - falou sobre os principais momentos que marcaram sua participação na prova das duas rodas, especialmente a punição recebida e o acidente que acabou com suas pretensões, quando ocupava o oitavo lugar na classificação, há dois dias do encerramento da competição.

A queda, no trecho rumo à cidade de Tambacounda, no Senegal, fez com que o piloto quebrasse o osso sacro, localizado acima do cóccix, no final da coluna vertebral. Jean foi vítima de uma sexta-feira 13, curiosamente na especial em que havia vencido em 2005. Sua recuperação deve levar seis semanas. "Estarei pronto para a próxima corrida", afirmou o competidor da equipe Petrobrás.


Confira nossa conversa com o piloto:


MOTO.com.br: Jean, fale a respeito dos Way Point e sobre sua penalização.

Jean: Os Way Points são os pontos pré-determinados e de passagem obrigatória para os pilotos que disputam a competição, e servem para o controle da organização. Em um deles acabei passando sem me registrar. Infelizmente, quando percebi já iria perder uns 20 minutos para voltar e como tinha visto diversos pilotos que também haviam passado sem registro, decidi seguir em frente. Ao final recebi uma penalização de duas horas.

M: Mas apenas você foi penalizado?

Jean: Somente eu e o chileno (Carlo de Gavardo) fomos penalizados, algo que a nosso ver foi injusto, pois nós mesmos pudemos ver diversos pilotos europeus que também não fizeram o check in seguirem impunes. O Carlo foi punido por excesso de velocidade, que era de 160 km/h.

M: Falando em velocidade, como foi o desempenho de sua nova moto?

Jean: A nova moto mostrou bastante potencial, mas também alguns problemas. Para mim, o maior deles foi não poder treinar com ela antes de encarar a competição, o que dificultou bastante chegar mais próximo do limite. Tivemos alguns contratempos com a bateria também, mas que o Geraldo, meu mecânico, resolveu.

M: Alguns pilotos oficiais andaram com a moto antiga e tiveram bons resultados...

Jean: É verdade. Pilotos como o próprio campeão competiram com o chassi anterior e tiveram os melhores resultados, afinal com a nova moto apenas um piloto terminou a prova, que foi Cyril Després, o vice campeão. O resto se machucou nos acidentes, e a maioria das boas colocações ficou com os pilotos das motos de versão anterior. O que não estava disponível para mim junto a KTM.

M: E para 2007, você terá a moto para treinar antes da prova?

Jean: Para a temporada de 2006 e o Dakar 2007 nós pretendemos ter esta moto. Para isso estamos negociando com a KTM em tentar trazê-la para o Brasil, assim poderei treinar mais e ter a moto mais na "mão" para as próximas competições.

M: Agora falando em acidente, como foi o seu?

Jean: Infelizmente o ponto onde sofri a queda não estava detalhado na planilha e, com isso, diversos pilotos também se queixaram da falta de informações, que de fato contribuiu para acontecer o acidente. Ao final de uma subida na qual estava a aproximadamente 130 km/h, surgiram diversos e gigantes "bamps" (ondulações), que não estavam registrados em nossas planilhas. Foi impossível controlar a moto naquela velocidade. O fato de estar no inicio da etapa também dificultou, pois estava com o tanque muito cheio, o que deixou a moto mais pesada. Mas em provas de velocidade é assim, todos estão sujeitos a problemas, acidentes. Agora me dedicarei para as competições durante o ano, já treinando para o Dakar 2007, no qual espero ter um pouco mais de sorte.


Fonte:
Equipe MOTO.com.br

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