RALLY DAKAR 2006

Jean Azevedo será a principal esperança do Brasil na categoria motos da maior prova off-road do mundo.

Por Fredy

No dia 31 de dezembro, enquanto a maioria das pessoas do planeta estará comemorando o fim de mais um ano, alguns milhares de alucinados por velocidade e aventura darão início à 28ª edição do Rally Dakar. Com recorde de inscritos, 748 veículos entre motos (240), carros (188), caminhões (80) e viaturas de apoio (240), o enorme comboio largará de Lisboa, Portugal, rumo aos desafios para se chegar ao continente africano.

O Brasil, costumeiramente presente à maior prova de rali do mundo, contará novamente com representantes nos três tipos de veículos do evento, mas será nas motos que depositará a maior chance de conquista. Jean Azevedo, sétimo colocado na edição de 2005, desponta como um dos favoritos ao título de 2006.

Bicampeão do Dakar na categoria Production, em 1997 e 2003, o piloto de 31 anos fará sua oitava participação no Dakar. A moto utilizada nos 15 dias de prova será a KTM 700, com a qual Azevedo brigará pelos primeiros lugares entre os competidores da Super Production, de máquinas protótipos.

No início do mês, o piloto utilizou uma moto clone do Dakar durante a última etapa do Brasileiro de Rally Cross Country, campeonato em que se sagrou pentacampeão. A experiência serviu para Azevedo verificar a confiabilidade do equipamento, que acabou tendo problemas mecânicos, já solucionados pela equipe do brasileiro.

A viagem de Azevedo para o local de partida do Dakar acontecerá no dia do Natal. O rali sairá de Portugal em direção a Marrocos, seguindo para a Mauritânia, Mali, Guiné e, finalmente, Senegal, na cidade de Dakar. Serão 9.043 km, sendo 4.813 km de especiais.

Os 15 dias de aventura

" Portugal: Pela primeira vez, o país acolhe a prova com a largada e duas etapas.

31 de dezembro
Etapa 1: Lisboa - Portimão
186 km (ligação) + 83 km (especial) + 101 km (ligação) = 370 km

Navegar no Alentejo
Logo de cara, trabalho para os navegadores. Eles terão que guiar seus pilotos por um trajeto bastante truncado e cheio de mudanças de direção. Para o piloto, uma pista bastante lisa, ideal para divertidas (e perigosas) escorregadas.

1 de janeiro
Etapa 2: Portimão - Málaga
65 km (ligação) + 115 km (especial) + 387 km (ligação) = 567 km

Paisagem portuguesa
Pista rápida e montanhosa, com cenários que podem tirar a atenção dos pilotos. Depois, a caravana entra na Espanha apenas para chegar ao porto de Málaga. De lá, uma travessia de balsa de sete horas até o Marrocos.

" Marrocos: como sempre, o país recebe os pilotos na África com pistas de terra, pedra e rios secos. As especiais marroquinas somarão mais de mil quilômetros, três vezes mais do que a edição de 2005.

2 de janeiro
Etapa 3: Nador - Er Rachidia
237 km (ligação) + 314 km (especial) + 121 km (ligação) = 672 km

Secos e molhados
O Dakar já passou diversas vezes por este local, mas os 314 quilômetros do trecho de especial são novos. As travessias dos imprevisíveis oueds (rios secos que nem sempre estão secos), armadilhas clássicas do Marrocos, estão no programa. Com a limitação do uso do GPS imposta pela organização, é a hora de começar a se adaptar ao novo estilo de navegação.

3 de janeiro
Etapa 4: Er Rachidia - Ourzazate
56 km (ligação) + 386 km (especial) + 197 km (ligação) = 639 km

Desatolar
Talvez seja a especial mais variada do rali. Além dos rios secos, ora com areia, ora com grandes pedras, as primeiras dunas dão as caras. É bom deixar à mão as pás para desatolar o carro.

4 de janeiro
Etapa 5: Ouarzazate - Tan Tan
187 km (ligação) + 350 km (especial) + 282 km (ligação) = 819 km

Acelera e breca
Pé embaixo, pé no freio, pé embaixo, pé no freio. Quando estiver em alta velocidade, o piloto vai ouvir o navegador cantar uma série de armadilhas repentinas, obrigando a freadas bruscas para não perder tempo.

" Mauritânia: bem-vindo ao reino das dunas. Normalmente é aqui que acontecem a maioria dos abandonos e das histórias de pernoites no deserto. Muito da classificação final do Dakar se decide nessas etapas. Um vacilo do navegador e o deserto vira um labirinto de areia e sem paredes. Ao piloto, resta seguir as indicações do navegador e mostrar proeza para não atolar.

5 de janeiro
Etapa 6: Tan Tan - Zouerat
336 km (ligação) + 444 km (especial) + 12 km (ligação) = 792 km

Faróis acesos
Um longo dia pela frente. De madrugada, ainda no escuro e no frio, os pilotos largam para a ligação de 336 quilômetros até chegar à especial imersa em areia.

6 de janeiro
Etapa 7: Zouerat - Atar
10 km (ligação) + 499 km (especial) + 12 km (ligação) = 521 km

Navegar é preciso
Quem não se perder pelas oito centenas de quilômetros no meio do deserto tem grande chance de subir na classificação. Os navegadores serão fundamentais para encontrar as passagens escondidas mostradas pela planilha. Depois do desafio de navegação, os pilotos ainda têm pela frente os planaltos de pedra e as temidas ervas de camelo, que requerem muita pilotagem no estilo slalom para poupar os veículos e o corpo dos solavancos do piso irregular.

7 de janeiro
Etapa 8: Atar - Nouakchott
34 km (ligação) + 508 km (especial) + 26 km (ligação) = 568 km

Liquidificador
Na primeira parte da especial, o percurso é muito sinuoso, entre canyons e rios secos. Graças aos maciços esburacados, os concorrentes vão sacudir como em um liquidificador. Depois desta série ziguezagues, uma parte bem rápida incitará os mais nervosos a meter medo aos cronômetros. Mas excesso de confiança não cai bem neste trecho.

8 de janeiro
Dia de repouso: Nada como um dia livre depois do inferno de areia na Mauritânia. O repouso acontece em Nouakchott, capital do país, situada em uma encruzilhada geográfica e cultural entre as vidas nômade e urbana. Tudo indica que a pior parte do Dakar já foi. Mas a nona etapa é coisa séria.

9 de janeiro
Etapa 9: Nouakchott - Kiffa
30 km (ligação) + 599 km (especial) + 245 km (ligação) = 874 km

Dunas, dunas e dunas
Na maior especial do rali, os extensos cordões de dunas de até vinte quilômetros sucedem-se do começo ao fim do percurso.

" Mali: ficam para trás as dunas e a areia para entrar em cena as pistas traçadas nas savanas africanas. Os velocímetros ficam mais livres, mas os encontros com as pequenas aldeias requerem atenção para fugir das penalizações impostas pelo limite de velocidade.

10 de janeiro
Etapa 10: Kiffa - Kayes
1 km (ligação) + 283 km (especial) + 49 km (ligação) = 333 km

Ziguezague na savana
A vegetação torna-se densa e as pistas estreitas de terra serpenteiam pela savana. A especial é rápida e o piloto pode deslizar no ziguezague.

11 de janeiro
Etapa 11: Kayes - Bamako
50 km (ligação) + 231 km (especial) + 424 km (ligação) = 705 km

Reservas naturais
O traçado passa próximo à reserva de fauna de Badinko e a de biosfera do Arco do Baoulé. O cenário é suntuoso por florestas e savanas. Como as pistas são estreitas, recomenda-se prudência. É comum árvores "aparecerem" no meio do caminho.

" Guiné: apesar da última visita do Dakar à Guiné ter acontecido em 1996, os concorrentes não terão muito para estranhar. As características da única etapa no país são as mesmas das encontradas no Mali e no Senegal. A diferença é a vegetação ainda mais densa e o relevo mais montanhoso.

12 de janeiro
Etapa 12: Bamako - Labé
197 km (ligação) + 368 km (especial) + 307 km (ligação) = 872 km

Assistência proibida
Buraqueira e pistas lisas são permeadas por rios que exigem perícia dos motociclistas e força dos carros e caminhões. Ao final da etapa, a assistência mecânica será proibida.

" Senegal: o relaxamento causado pela iminência da chegada a Dakar é um perigo para todos. Muita gente já dançou nas complicações da reta final.

13 de janeiro
Etape 13: Labé - Tambacounda
7 km (ligação) + 348 km (especial) + 212 km (ligação) = 567 km

Levantar poeira
Fato raro no Dakar: as altitudes sobem e atingem mil metros. Nas pistas estreitas, muita poeira levanta do chão e dificulta as ultrapassagens.

14 de janeiro
Etapa 14: Tambacounda - Dakar
107 km (ligação) + 254 km (especial) + 273 km (ligação) = 634 km

Dakar, finalmente
Hora dos navegadores voltarem ao trabalho. A especial é mais longa e com mais mudanças de direção do que a realizada na mesma região no ano passado. Antes da chegada a Dakar, uma bela passagem por aldeias senegalesas.

15 de janeiro

Etapa 15: Dakar - Dakar 38 km (ligação) + 31 km (especial) + 41 km (ligação) = 110 km

Libertação
Raramente mudanças de posição acontecem nos 31 quilômetros finais de especial, mas o Dakar já assistiu ao desespero de pilotos vendo o veículo parar perto da tradicional linha de chegada no Lago Rosa.



FICHA TÉCNICA - KTM 700cc

Marca: KTM
Modelo / versão: LC4 Rally
Motor: 697 cilindradas
Tipo: 4 tempos
Potência: 72 HP
Número de cilindro: 1
Sistema Refrigeração: Líquida - dois radiadores
Transmissão: Cinco marchas
Lubrificação: Óleo Lubrax GP
Capacidade de combustível: Total 48 litros divididos em dois tanques dianteiros de 12 litros cada e dois tanques traseiros também de 12 litros cada
Pneus:
Traseiro - Pirelli MT 21 Heavy Dutty
Dianteiro - Pirelli MT 18 Heavy Dutty


Fonte:
Equipe MOTO.com.br

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