Fique por dentro do Enduro de Regularidade

Roberto Brandão Filho

Durante o curso Básico Off Road da Honda (veja matéria) tivemos a oportunidade de ter uma palestra sobre Enduro de Regularidade com um especialista no assunto, o piloto oficial da Honda Mobil, Dário Júlio. O objetivo da palestra era passar aos jornalistas todas as informações sobre a modalidade, pois após a aula ministrada pelo piloto haveria um Mini-Enduro entre os 25 jornalistas especializados presentes.

Para apimentar um pouco mais as coisas, o pessoal da Honda ofereceu como prêmio para quem zerasse a prova, uma Honda CRF 230F “zerinha”, além do equipamento completo para navegação (Totem mais o Road Book) para os três primeiros colocados na prova. Um objetivo quase impossível de ser alcançado para a maioria, que nunca havia visto um equipamento de navegação antes. O único com chances reais de zerar a prova era o jornalista Adalton Gomes, com 10 anos de experiência em Enduro, mas mesmo para ele era uma tarefa muito difícil.

Antes de falarmos sobre a prova, explicaremos um pouco mais sobre essa modalidade fora de estrada, que ainda é desconhecida para muitos.

O que é o Enduro de Regularidade?

É uma modalidade off road que surgiu como uma forma de transformar os passeios de motos (por trilhas), em competições. A palavra Enduro vem do francês endurance , que significa resistência. 
 
Originalmente as provas aconteciam em circuitos abertos, em trilhas e estradas de terra, onde vence aquele que fizer todo o percurso no menor tempo, como acontece no Enduro FIM, Rally Dakar, entre outras. Aqui no Brasil houve uma variação da modalidade, e assim nasceu o Enduro de Regularidade, onde o piloto tem dois deveres, pilotar e navegar.

No Enduro de Regularidade deve-se obedecer o roteiro e as médias pré-estabelecidas pela organização. Vence aquele que melhor se mantiver dentro dessas médias horárias.
As principais características da modalidade é que a prova passa por trilhas e por vias públicas, onde Piloto deve seguir o roteiro e a velocidade média referenciados em uma planilha gerada pela organização.

A verificação do desempenho do piloto é feita em PC’s (Postos de Controle) dispostos secretamente ao longo da prova, que registram o horário de passagem do piloto. Para cada segundo de atraso em relação ao tempo ideal o piloto perde um (01) ponto. Para cada segundo adiantado em relação ao tempo ideal o piloto perde três pontos. São tolerados alguns segundos sem perder pontos no PC. Esta tolerância depende do regulamento da prova para cada categoria. Geralmente a tolerância é de 3 segundos para adiantado e atrasado. 

Navegação

A Navegação é o ponto mais importante numa prova de Enduro de Regularidade e o piloto deve ser capaz de orientar-se através das informações contidas na planilha. Essas informações conduzirão o piloto ao local certo, na hora exata. Para a navegação precisa-se das Tulipas (os desenhos indicativos do roteiro e direção), do valor em metros de cada referência, do tempo ideal em segundos de cada referência e da velocidade média para aquele trecho.

Trechos

Existem três tipos de trechos dentro de uma prova de Enduro de Regularidade. Os trechos de velocidade são os trechos do roteiro que possuem médias horárias, identificados pela letra “V” na tulipa. Nesses trechos estarão os PC’s de tempo e roteiro. Os trechos de deslocamento são aqueles sem médias horárias, usados para unir dois trechos de velocidade ou trechos de velocidade a neutros. Os deslocamentos também podem ser usados para transpor obstáculos como rios, atoleiros e vias públicas. Nesses trechos não é permitido PC’s de tempo, somente de roteiro, identificados pela letra “D”. Os neutros são períodos de parada, usados para abastecimento, manutenção, descanso e para que os pilotos voltem ao seu tempo ideal, identificados pela letra “N”.

Confira abaixo o Podcast com Dário Júlio explicando tudo sobre essa modalidade.

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Na prática

Depois de algumas horas na sala de aula aprendendo com Dário Júlio, era hora de participar da prova. Fiquei na cola do piloto tentando aprender mais e buscando algumas dicas, pois estava louco para zerar a prova e levar a CRF 230F novinha pra casa, por mais distante que isso  estava de minha capacidade.

Os grupos foram divididos por ordem alfabética, com quatro pilotos por vez, com intervalos de um minuto entre cada largada. O percurso era de apenas 7 km por trechos em mata fechada e trilhas abertas que deveria ser feito em um pouco mais de 22 minutos.

A minha sorte foi ficar no penúltimo grupo a largar, assim pude aprender com as falhas dos outros. Como a de Gian Calabrese, grande amigo e piloto de motovelocidade que esqueceu que a prova era de REGULARIDADE e “sentou a mão na motoca”, terminando a prova em 13 minutos, conquistando o último lugar da tabela.

Fui garimpando informações entre todos que já haviam terminado a prova, e quase todos se perderam em algum trecho da prova. Decidi seguir a dica que Dário Júlio me deu um dia antes durante o jantar no hotel: “Em primeiro lugar, NUNCA siga o piloto à sua frente, ele pode errar e levar você junto. Outra coisa, se estiver confuso com a referência, pare, olhe e com calma acerte o caminho. É melhor perder algum tempo que um PC”.

E foi assim que larguei, almejando o topo da tabela, mas sabendo que esse era um objetivo um pouco distante para mim. O que eu realmente queria era, pelo menos, terminar entre os três primeiros colocados. Felizmente acertei o caminho, achei todas as referências e terminei a prova sem perder nenhum PC.

Na hora dos resultados, estava ansioso. Já havia comparado meus pontos perdidos com o do resto do grupo e vi que apenas o Adalton tinha sido melhor que eu, algo que já era esperado. E ficou assim mesmo, Adalton em primeiro com 101 pontos, Eu em segundo com 1800 pontos e Ernani Teixeira em terceiro, com 2200 pontos. Percebe-se pelos pontos a diferença de experiência, já que o único com conhecimento prático na modalidade abriu uma grande vantagem para o segundo colocado.

No fim das contas, sai satisfeitíssimo com meu resultado. Fiquei entre os três primeiros e ainda por cima ganhei todo o equipamento para o Enduro de Regularidade. Agora é só arrumar um patrocinador e cair pros campeonatos.

Fotos: Caio Mattos



Fonte:
Equipe MOTO.com.br




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