Dificuldades para a conquista de um sonho

A bordo de um motorhome, pilotos do off-road passam mais da metade do ano sem a família.

Por André Jordão

Eles passam oito meses por ano fora de suas casas e vivendo praticamente em tempo integral dentro de um motorhome. Cruzam praticamente 100 mil quilômetros todo ano em busca de um sonho: conquistar o título mundial de Motocross. Somadas as categorias MX1 e MX2 são mais de cem postulantes ao título, sendo que, no final, apenas dois saem vencedores.
 
“Com certeza é uma vida muito sacrificante. Por mais que a gente tente reproduzir a atmosfera de casa no motorhome nunca é a mesma coisa. Ainda tento levar minha família nas provas que são mais perto de casa mas acaba que, a maior parte do ano, fico mesmo longe deles”, conta Rui Gonçalves, piloto português que, atualmente é vice líder na MX2.
 
Ele passa quase metade do ano no motorhome. De março a setembro, praticamente não vai para casa. Quando percebe, o piloto se assusta. “Nossa, é verdade... realmente passo quase metade do ano dentro dele. São raras as etapas que dá tempo de passar em casa. Geralmente, vamos de uma etapa para a outra direto”, disse.
 
Os motorhomes dos pilotos são verdadeiras “casas-ambulantes”. Todos eles têm cozinha, banheiro, televisão, DVD e alguns, até quarto separado para o piloto. Um motorhome de uma equipe de ponta chega a custar até R$ 300 mil.
 
Apesar de ser um dos esportes a motor que envolve menos custo, o Motocross continua a ser um esporte muito caro. Rui acredita que um piloto de ponta não consegue fazer uma boa temporada investindo menos do que R$ 200 mil, ou seja, quase R$ 14 mil por prova.
 
Rui Gonçalves é um dos melhores pilotos do Mundial de Motocross, e compete pela equipe Red Bull KTM. O piloto possui uma grande estrutura para enfrentar todos os desafios da temporada. Para os pilotos privados, a situação é ainda mais difícil.
 
O piloto mineiro Jorge Balbi, maior nome do Brasil no esporte na atualidade, corre o AMA Motocross e, durante muitos anos, correu em um esquema totalmente privado. O piloto comenta um pouco sobre as dificuldades.
 
“Não foi uma, nem duas vezes que tive que cruzar os EUA dirigindo e cheguei em cima da hora do treinamento na pista. Enquanto isso, meus adversários foram de avião, chegaram antes, estavam descansados e focados só em competir. Em um esporte de alto nível, isso faz toda a diferença”, comparou.
 
Durante este período em que competiu de forma privada, o mineiro acumulou uma série de histórias. Já quase ficou fora de uma prova porque seu motorhome quebrou no meio do caminho e já teve que rodar os boxes das grandes equipes atrás de peças emprestadas.


Fonte:
Equipe MOTO.com.br

Compartilhe:

Receba notícias de moto.com.br