Desafio nas areias sul americanas

Pelo segundo ano consecutivo, o Rally Dakar vai acontecer na América do Sul. Não perca!

Por André Jordão

Arthur Caldeira e Aldo Tizzani

Apesar da mudança de cenário, o Rally Dakar não perde seu encanto. Depois do cancelamento da prova de 2008, os organizadores abandonaram a África e fizeram a edição 2009 na Argentina e Chile. O sucesso foi tanto que decidiram realizar a prova de 2010 também em solo sul americano, porém em busca de novas aventuras. O roteiro do Rally Dakar 2010, que começa em 1º de janeiro largando da capital argentina, Buenos Aires, vai ser no sentido anti horário. Diferentemente do percurso deste ano, os competidores seguirão rumo ao norte do Chile até Iquique e depois descerão pelo país da costa do Pacífico enfrentando as temidas dunas e a aridez do Deserto do Atacama. Atravessarão novamente a Cordilheira dos Andes e encerrarão a prova na capital argentina – o chamado laço. 

Depois de 8.937 km para motos e quadriciclos e 9.030 km para carros e caminhões, aqueles que resistirem ao rali mais difícil do mundo podem comemorar o feito em 17 de janeiro nas ruas de Buenos Aires. Trechos cronometrados diferentes para carros e motos é outra novidade desta 32ª edição do Dakar.

Apesar do número expressivo de 372 competidores - 184 motos e quadriciclos, 138 carros e 50 caminhões – neste Dakar 2010, haverá 25% menos participantes do que na edição passada, em função da crise financeira mundial. Mesmo assim, a participação brasileira na prova será recorde: ao todo 25 pilotos vão representar o Brasil – sete deles nas motos e um na categoria quadriciclo.

Entre os pilotos de duas rodas, quatro estreantes no Dakar: Tiago Fantozzi (KTM), que já faturou o Rally dos Sertões, Vicente de Benedictis Neto (KTM), Adriano Pereira (Husqvarna) e Antonio Sequeira (KTM). Completam a lista, Carlos Ambrosio (KTM), Bernardo Bonjean (Husaberg) e Rodolpho Mattheis (Equipe Petrobras Lubrax) que vai pilotar uma KTM em busca do bicampeonato na categoria Maratona (leia entrevista com o piloto fluminense). Carlos Collet vai pilotar um quadriciclo Can-Am.

Nos carros, a lista também é grande. Destaque para o piloto Maurício Neves e o navegador Clécio Maestrelli que vão participar em um Volkswagen Touareg oficial de fábrica. O ex-piloto de motos Jean Azevedo vai novamente pilotar um Mitsubishi e o experiente Klever Kolberg vai inovar competindo com um Mitsubishi Pajero Sport alimentado por etanol, na categoria experimental. Outro veterano do deserto, André Azevedo da equipe Petrobras-Lubrax, vai novamente disputar as primeiras posições da categoria caminhões com um Tatra ao lado do navegador Maykel Justo.    

Em busca do bi
O piloto Rodolpho Mattheis, da equipe Petrobras Lubrax, quer novamente ficar com a taça na sua categoria.

Na categoria motos, o Brasil será representado por sete pilotos, entre eles Rodolpho Mattheis, da equipe Petrobras Lubrax. Prestes a completar 28 anos, o engenheiro de carros de competição nasceu em Petrópolis (RJ) e foi atleta de downhill por dez anos. Incentivado por Jean Azevedo, desde 2005 participa de competições off-road. Sua principal conquista foi a vitória na categoria Maratona até 450 cc no Rally Dakar 2009. Desde criança Rodolpho respira esporte a motor. O pai, Andréas Mattheis, é chefe de uma das equipes da Stock Car. Confira abaixo os principais trechos desta entrevista com o piloto brasileiro da equipe Petrobras Lubrax.


INFOMOTO – Em 2009, você foi o campeão na categoria Maratona até 450 cc no Rally Dakar. Qual seu objetivo para esta edição?
Rodolpho Mattheis – O objetivo é lutar pelo bicampeonato na categoria.
 
INFOMOTO – Como foi sua preparação para 23ª edição do Rally Dakar?
Mattheis – Para esta edição mudei o meu treino, procurando focar na parte física e tentando me aproximar das condições que enfrentamos num rali.
 
INFOMOTO – Para uma prova longa como esta o que é mais importante: o equipamento, o preparo físico ou o preparo psicológico?
Mattheis – Os três fatores são importantíssimos. Sem equipamento não se chega ao final da prova. Se você não conseguir manter um equilíbrio psicológico está apto a cometer erros, que podem resultar no fim da corrida. E, finalmente, sem preparação física o rali torna-se puro sofrimento por conta de sua longa duração!
 
INFOMOTO – Qual a moto que você irá competir? Quais as alterações necessárias para a moto ficar 100% para a prova? A moto foi preparada aqui no Brasil? Quanto tempo demorou este trabalho? Quais são os responsáveis pela transformação?
Mattheis – Vou pilotar uma KTM EXC 450 2006. Ela foi preparada pelo Herbert, de Itajubá (MG). Foram 20 dias de preparação, revisão e reconstrução do motor.

INFOMOTO – Hoje, a navegação é a principal arma para vencer o Rally?
Mattheis – Sim. O piloto para vencer um Dakar tem que ser muito rápido e extremamente forte em técnicas de navegação. A única forma de abrir uma vantagem sobre os concorrentes e abrindo o caminho é acertando a rota.
 
INFOMOTO – Será a segunda vez que a maior prova off-road do mundo acontece na América do Sul. Quais são os principais desafios? Quais os tipos de clima e pisos?
Mattheis – Temperaturas adversas, muito calor e muito frio. Altitude até 4000 metros na travessia da Cordilheira dos Andes. O rali é bem completo, teremos estradas rápidas e sinuosas, trechos de deserto com pedras e dunas. O pior de tudo é o pó do sul da Argentina, um talco muito forte que suja até mesmo sua própria roda dianteira.
 
INFOMOTO – Serão 184 motocicletas disputando o Rally Dakar 2010. Quais as categorias e os principais adversários?
Mattheis – Eu competirei na categoria Maratona e há também a Super Production, na qual competem os pilotos oficiais de fábrica com motos de preparação livre.

INFOMOTO – Seu pai, Andréas Mattheis, é chefe de equipe na Stock Car. Esse amor pelas competições, pela velocidade, então é de família? Como começou a sua carreira esportiva?
Mattheis – Antes de correr de moto eu tinha o sonho de ser um piloto profissional de automobilismo, mas devido aos altos custos tive que mudar meus planos. Há muito tempo, meu pai chegou a fazer algumas provas de enduro de velocidade de moto, e em 2004 comprou duas motos para nos divertimos nos finais de semana. Só que o que era pra ser brincadeira virou coisa séria. Nós andávamos apenas em estradinhas, mas ao assistirmos um DVD do Rally dos Sertões acabamos nos apaixonando pela prova e fizemos planos de correr juntos em 2005. Meu pai abandonou a idéia, mas eu mantive o plano e participei sozinho do Rally dos Sertões 2005. Ao voltar do rali tracei como meta correr profissionalmente no futuro e nos dois anos seguintes me dediquei muito. Graças a muita dedicação e às aulas com o Jean consegui realizar meu sonho de me profissionalizar em 2008, tendo o convite de correr pela equipe Petrobras Lubrax.

Fotos: Donizetti Castilho e David Santos Jr


Fonte:
Agência Infomoto

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