VIVENDO DUAS RODAS EM INTERLAGOS

MOTO.com.br passou o fim de semana ao lado das feras do Brasileiro de Motovelocidade.

Por Leandro Alvares

Por Leandro Alvares

Pessoas de todas as idades e de ambos os sexos, dezenas de motos de cinco categorias, inúmeros tipos de pneus, capacetes, macacões, torcedores, mecânicos, profissionais da mídia, chefes de equipe, curiosos, pilotos, velocidade, quebras, acidentes, briga contra o relógio, duelos na pista, emoção, ansiedade, estréia, cansaço, esforço, estratégia, desejo de conquista, vitória.

Esta foi uma pequena síntese do cenário formado em Interlagos neste fim de semana, durante a quinta etapa do Campeonato Brasileiro de Motovelocidade. Desde a segunda-feira passada, alguns dos competidores já podiam ser vistos no circuito paulista. O motivo da visita antecipada era muito simples: analisar todos os detalhes do traçado, que sempre reserva alguma novidade. Afinal, são várias as competições realizadas no local, fato que torna as condições da pista sempre variáveis.

Mas seria mesmo a partir do sábado que os boxes começariam a ficar muito mais movimentados, graças ao intenso trabalho das equipes na busca desesperada pelo melhor acerto das motos e a tradicional luta pela primeira posição do grid de largada.

Por volta das 14h30, todos que estavam em Interlagos assistiram a mais uma conquista de Murilo Ribeiro, naquele momento o pole position das 125cc. A festa foi intensa entre os integrantes do time oficial da Suzuki e viria a ser ainda maior no dia seguinte, com a quinta vitória consecutiva do piloto, que praticamente já tem as mãos na taça.

Pouco tempo depois, os alto-falantes do autódromo anunciavam Fabio Peasson como o mais rápido do segundo treino de classificação das 250cc. O atual campeão da categoria alcançava a pole position da classe e, pela expressão de seu rosto ao retornar ao pit-lane, parecia já enxergar o resultado do domingo. “Estamos no caminho certo. Amanhã tem que ser dia de vitória, eu só penso nisso”, disse o competidor ao MOTO.com.br.

Enquanto Peasson fazia planos, as máquinas de 500cc começavam a roncar seus motores para o início da sessão classificatória. O que poucos sabem é que aquele ensaio, bem como todo o fim de semana, trazia um fato inédito na categoria; a primeira mulher a competir entre os marmanjos das “quinhentinhas”.

“Cinco meses atrás eu não sabia o que era pilotar uma moto e agora estou aqui, acelerando para fazer bonito”, afirmou Giuliana Baronti, a bela loira de 25 anos, responsável por guiar a motocicleta de número 81. “O desejo por competir surgiu de repente e mal consigo explicar essa situação. Mas o que importa é a vontade que tenho de ser piloto. Quem entra neste mundo não quer sair mais”, destacou entre risos.

Nos treinos, Giuliana viria ficar com a penúltima posição. O resultado, porém, sequer mexeu com o otimismo da paulista. “Vim pra cá para largar e chegar, fazendo tudo direitinho. Já conquistei a primeira vitória ao ser a primeira mulher a correr nas 500cc. As próximas consagrações, eu tenho certeza, virão com o tempo”, completou. Neste domingo, Giuliana alcançou sua meta: foi a 30ª colocada entre as 42 motos que largaram.

O relógio de Interlagos marcava 16h00 do sábado, hora dos astros da Supersport (600cc) e Superbike (1000cc) entrarem na pista. A expectativa de todos era pelo duelo entre Gilson Scudeler e Pablo Henrique Martins, o Baratinha, que confirmaram as previsões daquele que foi um dos treinos mais emocionantes dos últimos tempos.

Barata, recuperado do acidente sofrido em Campo Grande, onde fraturou a clavícula, foi o primeiro a entrar na pista. Volta mais rápida atrás de volta mais rápida, o que deixava a equipe oficial da Suzuki eufórica na marcação das passagens. Luis Antonio Gualzerano, dono do time, sequer tirava os olhos do monitor de tempos.

“Nós andamos entre os primeiros colocados, mas enfrentamos muitas dificuldades para manter vivo este sonho de competição”, revelou Anderson Nascimento — mais conhecido como Piruka —, o assessor de imprensa da escuderia. “Estamos completando a temporada aos trancos e barrancos. Quase fechamos as portas do time por falta de dinheiro, mas resolvemos não desistir. Queremos lutar e vencer; na pista e fora dela”, ressaltou.

Mal Piruka completava sua declaração e Baratinha rasgava na reta principal de Interlagos, já andando na casa de 1min40s baixo. Todos vibravam e passavam a ficar de olho em Scudeler, que saia dos boxes. Com a moto na mão, o talento da Petrobras fez aquilo que dele era esperado e cronometrou 1min43s8, o único a andar abaixo de 1min44s.

Pablo tentou tomar a pole até o minuto final, mas teve de se contentar com o segundo posto, posição mais do que satisfatória segundo ele próprio. “Estou melhorando, mas ainda não posso dizer que recuperei o meu ritmo. Tive pouco tempo de preparação para esta corrida, mas farei de tudo para lutar pela vitória”, disse Baratinha, que de fato tentou. Contudo, foi de Scudeler a vitória, seguido pelo piloto da Suzuki.

A maior curiosidade na Superbike, no entanto, foi protagonizada por Vagner de Souza, o Tiozinho. Ele é tio de Gilson Scudeler, mas trabalha para o Barata. Alguém arrisca a dizer para quem ele torce?

“Sou um profissional e cuido das motos do Pablo. Portanto, é ele quem eu quero ver ganhando as corridas”, afirmou sem titubear. Mas isso não implica na falta de admiração ao talentoso sobrinho, atual tetracampeão da Supersport. “Anote o que eu vou dizer: jamais vou deixar de torcer pelo Gilson, que é um piloto fenomenal. Só que ele tem de entender, assim como todas as outras pessoas, que na pista nós somos ‘inimigos’, pois sou mecânico do Baratinha”, finalizou.

Final de tarde, treinos encerrados. O agito começa a diminuir, as atenções dos pilotos já se voltam para o domingo, dia de acelerar rumo à vitória. Mas na área dos boxes, dezenas de apaixonados pelo mundo das duas rodas ainda circulam, tiram fotos, param para conversar. Divertem-se.

Até quem tem vivido como piloto na Daytona Cup, evento promovido pelo Grupo Izzo, curtiu um fim de semana alternativo e prazeroso. “Isso aqui é a melhor forma de se livrar do stress do dia-a-dia”, contou Alexandre Muniz. Além dele, outros três pilotos da Daytona deram as caras em Interlagos e aproveitaram para estudar os “colegas de profissão”. “Analisamos o desempenho dos melhores e agora vamos dar algumas dicas para eles”, brincaram.

A noite chegou a Interlagos, as portas dos boxes se fecharam. O resto da história todos nós já conhecemos.


Fonte:
Equipe MOTO.com.br

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