ALTA EMOÇÃO NA MOTOVELOCIDADE

Murilo Ribeiro, Ana Lima, Doca, Baratinha e Philippe Thiriet foram os vencedores em Interlagos.

Por Thiago Fuganti

A etapa de abertura do Campeonato Brasileiro de Motovelocidade 2006 deixou claro que a briga pela liderança será extremamente intensa e acirrada nas cinco categorias que compõem o certame. A pista de Interlagos foi o primeiro palco a sentir o gosto da adrenalina, adjetivo que traduziu com propriedade a essência do fim de semana no circuito paulista.

Na primeira atração do domingo, Murilo Ribeiro mostrou que não foi vice-campeão das 125cc no ano passado à toa. Largando da pole position, o piloto demonstrou habilidade para fazer uma corrida de recuperação, por conta de uma má largada que o jogou para sexto. “Tive de fazer ultrapassagens e fui bem sucedido nas manobras. A vitória me deixou muito feliz e ainda mais motivado para as próximas corridas”, afirmou vencedor.

Eric Granado ficou com o segundo lugar, mas distante da briga pela ponta. Recebeu a bandeirada com 14 segundos de diferença para Ribeiro. Otávio Lucchini, o adversário de Granado na luta pela segunda posição, completou as 13 voltas em terceiro. Douglas Figueiredo e Antônio Casalinho fecharam o pódio, respectivamente.

Outro jovem piloto que chamou a atenção na prova foi Lucas Braga, estreante na categoria. Aos nove anos, o pequeno competidor registrou a décima marca no treino de classificação, posição que sustentou na corrida, depois de uma adversidade logo no início. “A moto simplesmente não pegou na hora da largada”, contou Ricardo Pires, patrocinador de Braga. “Mas na corrida ele provou que tem potencial e muita frieza para um menino de sua idade”, acrescentou Pires, cuja meta de realização para o ano de estréia de Braga é fechar a temporada entre os dez primeiros da classificação.

O segundo “show” em Interlagos teve como protagonistas dois campeões, mais precisamente um campeão e uma campeã. A vitória, como que numa homenagem ao dia Internacional da Mulher, foi conquistada pela representante do elenco feminino, Ana Lima.

Em sua estréia nas 250cc, a atual campeã das 125cc partiria da segunda posição do grid, atrás apenas de Marciano Santin. Mas um acidente do pole na primeira largada o impossibilitou de prosseguir no combate, colocando a japonesa voadora na frente do pelotão e a um passo de mais uma conquista inédita na carreira.

Só que a vitória não veio com facilidade. Fábio Peasson, o campeão da categoria, alternou a liderança com Ana até os últimos instantes da prova. Na subida da junção, último trecho da pista de Interlagos, e em plena volta final, prevaleceu a mulher sobre o homem. Ana pegou o vácuo da moto do então líder e venceu o duelo para o delírio do público.

“Estou muito feliz; não haveria início melhor do que esse”, afirmou a vencedora, logo após de tirar o capacete. Em seguida, Ana subiu na mureta do pit-lane e ergueu os braços para receber os aplausos dos torcedores. “Quero agradecer o meu time pelo árduo trabalho, pois nenhum piloto vence sozinho. Temos muito trabalho pela frente e estou bastante motivada”, completou.

Miguel Panadés, chefe de equipe de Ana, não escondeu a satisfação com o resultado. “Tivemos apenas duas semanas para terminar a moto e fazer os primeiros treinos. Essa vitória, portanto, veio coroar nosso trabalho”, destacou. Sobre o possível favoritismo da piloto na briga pelo título, Panadés afirmou que ainda é cedo para se dizer isso. “Mas que iremos brigar pelo título isso vamos”, alertou.

Peasson, apesar da derrota a poucos metros da bandeirada, ficou satisfeito com o segundo lugar. “O fim de semana não foi dos melhores e precisamos melhorar o motor para a busca do bicampeonato. O ano será difícil e a Ana, com certeza, vai ser uma forte oponente”, apostou.

A tarde do domingo teve seqüência com a prova das 500cc, cujo grid de largada contou com nada menos do que 37 motos. Na ponta, o bicampeão Alecsandre Brieda, o Doca, que confirmou o favoritismo com a tranqüila vitória. “A experiência ajudou”, disse. Mas até mesmo os mais experientes comentem erros e Doca não foi diferente: passou reto no Pinheirinho em plena segunda volta, mas se recuperou rapidamente, fechando as 18 voltas com 5s de vantagem sobre Gilson Romani, o segundo colocado. “Tentei andar um pouco mais rápido naquele momento, mas não foi nada além de um susto. Fechei o primeiro passo rumo ao tri”, frisou.

Restava, então, a estréia da nova categoria do Brasileiro, a Superbike, para motos de mil cilindradas, que correu junto com as máquinas da Supersport, de 600cc. E quem esperava por uma vitória de Gilson Scudeler, enganou-se. Deu Pablo Henrique Martins, o Baratinha.

Na última passagem por São Paulo, no fim de 2005, Pablo sofreu um acidente na subida da reta dos boxes, depois de perder o controle na pista escorregadia, que fora castigada pela chuva. No retorno ao circuito, o piloto se disse recuperado do fato passado e concentrado apenas em lutar pela vitória, que se confirmou.

“Dei o sangue e subi no degrau mais alto do pódio”, comemorou. A última volta foi aberta com Scudeler na dianteira e Baratinha no seu encalço. “Tentei atacar no ‘S’ do Senna, mas não consegui fazer a ultrapassagem. Assim, minha única opção foi a reta final. Arrisquei, fui para o tudo ou nada, e consegui”. Conseguiu com apenas dois milésimos de segundo de vantagem.

Tetracampeão da Supersport, Scudeler partiu da pole position com sua Honda, mas já previa uma prova difícil. “Todos os campeonatos foram conquistados com muito suor e este não será diferente”, destacou, deixando claro que a derrota de ontem não alterou seus planos para 2006.
 
Philippe Braga Thiriet, na Supersport, foi o quinto vencedor do dia. “Não tenho palavras para descrever a emoção. Sofri muito para me adaptar à moto 600cc, por ser mais veloz e mais exigente no quesito força para as frenagens. Temos que andar no limite extremo”, comentou o piloto, que correu de 500cc no campeonato passado.


Confira os cinco primeiros de cada categoria:

125cc
1) Murilo Henrique Ribeiro
2) Eric Granado, a 14s53
3) Otávio Lucchini, a 16s76
4) Douglas Figueiredo da Silva, a 27s32
5) Antônio Casalinho, a 27s35

250cc
1) Ana Lima
2) Fábio Peasson, a 0s137
3) William Pontes, a 35s198
4) Marcelo Augusto Cristal, a 1min05s291
5) Rubens Pacheco de Oliveira, a 1min39s845

500cc
1) Alecsandre Brieda
2) Gilson Romani, a 5s537
3) Sérgio Laurentys, a 6s025
4) Carlos Alberto Cruz, a 6s512
5) Mauro Laguna, a 12s790

Supersport
1) Philippe Braga Thiriet
2) Murilo Colatreli, a 15s416
3) Bruno Corano, a 46s315
4) Danilo Andric Silva, a 54s598
5) Ademilson Peixer, a 55s435

Superbike
1) Pablo Henrique Martins
2) Gilson Scudeler, a 0s002
3) Pierre Chofard, a 4s704
4) Leandro Panadés, a 15s768
5) Luiz Cerciari, a 27s902


 


Fonte:
Equipe MOTO.com.br

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