Na Estrada: Start your engine

Parece que foi há muito mais tempo do que realmente faz. Pelo menos eu me sinto assim hoje

Alguns anos atrás eu estava completamente ferrado. Eu tinha perdido o avô, a mulher que amava, o emprego e a melhor amiga. Tudo isso junto na mesma semana desgraçou a minha cabeça. E aí as consequências: contas atrasando, aluguel vencendo, entrevistas de trabalho sem retorno, geladeira cada vez mais vazia, autoestima pedindo arrego, a "ex" que não atendia minhas ligações. Eu passava os dias sozinho na quitinete onde morava, deitado no colchão no chão, olhando pro teto e pensando numa maneira de sair do fundo do buraco.

Enfim, a combinação perfeita pra dar merda

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Até que um belo dia o universo resolveu me dar mais uma chance: recebi uma proposta de trabalho. A grana não era lá grande coisa, mas já evitava a iminente bancarrota. Como eu não estava em condições de recusar nada, aceitei o trampo. Quis o destino – esse fanfarrão –, que o dono da empresa e toda a galera que trabalhava lá curtisse motocicletas, e foi um desses camaradas que me incentivou a comprar a minha primeira moto. 

Juntei o pouco que tinha e pedi uma ajuda pro meu pai, que provavelmente ficou com o pé atrás depois da minha fracassada experiência com a mobilette. Mesmo assim, ele me emprestou a grana e pude comprar uma Drag Star usada. 

Eu não sabia pra onde ir, mas sabia que aquela moto me levaria aonde quer que eu desejasse.

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Fiz amigos. Viajei. Fui a bares que nem me lembro como voltei. Conheci pessoas, lugares, cidades, países, estradas e paisagens. Aprendi a pilotar na chuva. Derrubei a moto algumas vezes. Descobri que tinha sim que calibrar o pneu de vez em quando. Li alguns livros sobre gangues e manutenção de motocicletas. Fiz aulas de gaita. Fiquei sem gasolina. Rodei com mais de cem motos algumas vezes. Pilotei sozinho muitas vezes. Já mandei tudo às favas. Tomei enquadro da polícia. Entrei em algumas roubadas. Fui a eventos e festas inesquecíveis.

 

Eu não estava exatamente tentando me encontrar, mas ali eu me achei. 

De vez em quando a vida dá umas rasteiras na gente mesmo. Faz parte do rolê. De alguns arranhões, tombos e ossos quebrados ninguém está a salvo. O importante é não desistir, não se deixar abater e não se acomodar. Pode demorar ou ser quando você menos espera, mas uma hora as coisas voltam aos eixos, de um jeito ou de outro. 

Motor de arranque, combustível, ar e faísca. Taí a combinação perfeita pra dar tudo certo. 

Agora, aonde estou indo não tenho certeza. Continuo apenas seguindo o meu caminho.

 

Tiago Feliziani nasceu em 1981 na cidade de Sorocaba/SP. É publicitário, redator, escritor e motociclista, e teve que pesquisar pra saber o que faz um motor dar a partida


 

 

 

 

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Fotos: Arquivo Pessoal



Fonte:
Equipe MOTO.com.br




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