Na Estrada: Inominável

Tiago Feliziani

Sou péssimo em dar nomes. No meu trabalho, toda vez que preciso criar nomes para novas empresas, produtos ou lançamentos imobiliários começo a suar frio. Apesar de ganhar a vida como redator e ter como ofício enfileirar palavras para dar algum sentido ao que precisa ser dito, nomear o que quer que seja é um processo diferente, difícil e que exige muito esforço – pelo menos para mim.

Estamos em março e desde o começo do ano estou completamente empacado em um job desses: criar o nome de uma holding. Esse nome tem que agradar aos diretores de pelo menos trinta e seis empresas que farão parte deste grupo. Já criei mais de cento e sessenta opções seguindo o briefing do cliente e o planejamento aqui da agência e, veja você, todos foram recusados. Eis uma pequena amostra da minha enorme dificuldade em dar nome aos bois. Aliás, no sítio do vô, nomes para bois, vacas, éguas e cavalos nunca eram um problema. Um mais simpático e adequado que o outro, mas esses eram outros tempos.

Se eu tivesse filhos, não tenho a mais pálida ideia de que nomes daria para as crianças. Escolher nomes de cachorro? Acho que ficaria nos triviais: Scooby, Snoopy ou Rex. E os nomes de navios e barcos, já deu uma olhada em quanta inspiração? Tem coisas maravilhosas, como Poseidon, Odisseia, Thor, Splendida, Papa Léguas, Xerife.

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Semana passada, os parceiros aqui do MOTO.com.br me meteram numa baita enrascada: pediram um nome para esta coluna. Suei frio de novo. Eu já tinha alguns nomes na manga antes de começar a escrever neste espaço, os quais tinha submetido à criteriosa avaliação e abalizada opinião de alguns distintos chegados. Resultado: mais uma vez todas as opções que enviei foram recusadas. Pior, viraram motivo de chacota (vocês ainda me pagam!).

Quer outro exemplo da minha incapacidade de nomear algo? Motos. Minhas motos nunca receberam nomes. Já até batizei uma ou outra moto de amigos, sempre na brincadeira, mas as minhas mesmo, nunca. Sinto uma baita inveja de camaradas que conseguiram achar um nome adequado para suas motos: Geovanna, Nigella, Claudinha, Juanita e por aí vai. As minhas permanecem com o nome que a fabricante escolheu: Drag Star, Midnight Star, Fat Boy, nomes fantásticos que um redator genial ou alguém do departamento de marketing teve a grande sacada de criar. Isso sem falar nas Road King, Thunderbird e Gold Wing da vida. Olha aí a inveja de novo.

Fato é que quando você dá um nome para a sua moto a relação entre homem e máquina muda, fica mais próxima e respeitosa. Mais que uma identidade, acredito que um nome tem que passar uma verdade, uma história, um propósito ou uma característica do que está sendo nomeado. Existem nomes fortes, nomes carinhosos, nomes inesquecíveis e até nomes estranhos. O essencial é que o criador se identifique com a criatura.

Por que escolhemos este nome para a coluna? Porque é Na Estrada que surgem os pensamentos, os fragmentos e as ideias para cada texto. Se é um nome bom ou não, para mim não importa. É Na Estrada que me sinto verdadeiramente feliz.

E você, leitor, quais nomes já deu para as suas motos? Escreve aí nos comentários. De repente eu me inspiro e finalmente batizo a minha.

Tiago Feliziani nasceu em 1981 na cidade de Sorocaba/SP. É publicitário, redator, escritor e motociclista, mas ainda não sabe que nome dar para a própria moto.


 

 

 

 

 

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Fotos: Arquivo Pessoal

 



Fonte:
Equipe MOTO.com.br




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