Vida, uma doença terminal...

Escrever para o MOTO.com.br tem sido uma grata alegria. Não digo que tudo são flores, mas a maioria dos leitores normalmente gosta - pelo menos em parte - do que escrevo. Além disso, aprendo com cada comentário postado aqui nas colunas.

Na última não foi diferente. Praticamente 100 comentários, acho que é um recorde aqui do MOTO.com.br, e a maioria concordando que a moto é para "viver com ela" e não "morrer com ela".

Alguns comentários serviram como lição de vida. Inúmeros irmãos motociclistas com amigos que 'partiram' em função de acidentes, a maioria ocorrido em alta velocidade.

Tudo bem, eu confesso que também gosto de acelerar. Já passei de 250 Km/h (no velocímetro) com a FJR e a emoção é grande, mas grandes também são nossas responsabilidades como maridos, pais, irmãos, filhos, ou sejá lá o que for.

Há uns anos atrás um amigo me disse a frase que intitula essa coluna : "A vida é uma doença terminal, com 100% de chances de mortalidade". Ou seja, a única certeza dessa vida é a morte. Mas aí vem a pergunta : você quer 'acelerar' esse processo? Ou prefere que ele chegue nos 60 Km/h?

Veja o comentário de um leitor : “Custom = passear. Speed = correr. No próximo dia 12 vai ter um encontro em Pomerode (SC). Quem tiver bom reflexo preste atenção quando passar um vulto escuro a 250km, será uma SRAD1000 preta. Se eu chegar lá vou tomar um 'capeta', se não conseguir chegar é porque fui pro outro lado e ai então dou um abraço nele (capeta). Vou rápido e volto mais rápido ainda”. Esse leitor quer 'acelerar' o processo terminal da vida, literalmente.

Você pode pensar: “Pô, a vida é do cara, ele faz o que quiser”; eu até concordo, mas um outro leitor nos lembrou, que podemos não morrer, mas - o que é pior - ter graves sequelas do acidente. E aí ? Quem cuida de você ? Sua Srad 1000 ???

Leia mais esse comentário, de um outro leitor, que pelo que parece já 'andou' (literalmente) nos dois lados da moeda : “Cara, você foi muito feliz em seu comentário... Apesar de meus 55 anos e da barba branca, só agora estou descobrindo o prazer de se andar entre 120 e 140 km/h. Ando 80 km todos os dias e só em ótimas estradas (Bandeirantes e Santos Dumont). Com frequência me pegava acima dos 180 km/h. Chegava em casa com uma p... dor nos ombros e pescoço, tensão pura. Agora chego totalmente relaxado e ainda curto o nascer e o por do sol, paisagens magníficas...”

A que conclusão chegamos com isso? Nenhuma, lógico. A vida é de cada um e cada um de nós faz dela o que quiser, mas sempre lembrando que existe um princípio imutável, que diz que “você colhe o que você planta”.

Talvez você esteja lendo essa coluna e pensando como outro leitor, que me escreveu : "Tenho 35 anos sobre duas rodas, inclusive como instrutor, adoro essa coluna e acredito que seja um espaço democrático, respeito seu pensar, porém reafirmo: 'CHEGA DESSE PAPO BABAKA DE FALAR DE MORTE' ISSO JÁ ENCHEU O SACO, ENTENDEU, NÃO QUER CORRER RISCO, NÃO ANDE DE MOTO. ANDAR SOBRE DUAS RODAS É MUIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIITO PERIGOSO, SUA MÃE NUNCA LHE DISSE ISSO. Quando se sobe em uma motocicleta, estamos assumindo todo tipo de riscos, seja programado ou provocado, não importa..."

Eu educadamente respondi para ele que minha mãe me falou que moto era muito perigoso quando eu tinha 16 anos e comprei a minha primeira, uma CG 125. Afinal, não vamos levar as coisas tão a sério.

Mas meu objetivo não é falar de morte, mas sim de vida. Manter-se vivo. Estar vivo. Poder continuar curtindo nossa paixão até os 80 anos, porque não ? O comentário do leitor acima, o que tem 55 anos e pelo estilo vai chegar nos 80 anos facinho, facinho, me faz pensar “O que, afinal de contas, nos leva a sermos apaixonados pelas motos?”.

Você eu não sei, mas para mim ela (a moto) é o próprio símbolo de liberdade. Não falo de velocidade, falo de poder apreciar o ambiente, de fazer parte do 'meio' onde você está, de se 'confundir' com a natureza.

Era Janeiro de 2006 e eu queria fazer uma viagem diferente. Tinha 5 dias de folga e resolvi ir até São Paulo conhecer o "Ricardo CBX-1050 Goldzsmith", considerado o 'papa' das restaurações das antigas - e lindas - CBX-1050. Não tinha um motivo específico - ou melhor, tinha, queria viajar de moto. Tracei um roteiro que passava por Lages (SC), São Joaquim, Serra do Rio do Rastro, Serra da Graciosa e outros lugares muito bonitos.

E lá fui eu, com minha TDM-850. Ao contrário do que a maioria pensa, não tive nenhum problema em São Paulo. Viajei 2.700 Km, 'solo' para variar, sem nenhum incidente. No caminho, dezenas de locais de rara beleza. Centenas de fotos. Uma nova amizade, um conhecimento aprimorado sobre as CBX-1050 e a sensação de ter vivido um pouco mais.

É isso que me faz ser apaixonado por motos. É isso que me faz pensar antes de 'enrolar' o cabo sem dó. É isso que me faz querer chegar nos 80 anos (ou mais) viajando de moto.

E você? O que te faz ser apaixonado por elas? A velocidade? A liberdade? O vento na cara? Comente, esse espaço é seu também!

Forte abraço e bons caminhos !

Eldinei "P.P." Viana
ppviana@gmail.com
www.viajantesolitario.com.br



Fonte:
Equipe MOTO.com.br




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