Os Nômades de Rio Verde (GO)

Reinaldo Baptistucci

Meu celular tocou, estava a bordo da Escuna Anabel I velejando do Sul Baiano para Salvador, era do escritório em São Paulo, informando que nos próximos dias estaria viajando para Santa Fé do Sul (SP). O tempo estava péssimo e o mar mais parecia uma máquina de lavar roupa enfurecida. Os dias passaram voando, voltei a toque de caixa para Sampa e aproveitei para trocar o óleo (todos – Motor, câmbio e cardã) da Moto Guzzi Stelvio na Garage Code e pesquisar um evento na região de Goiás.

Sábado (3/09), 6 da manhã, dou partida na Guzzi e vou para a Estrada, com tempo firme e a moto tinindo sigo pela rodovia Bandeirantes (SP), passam as Speeds, as HDs e mais um cardume de motociclistas, sigo tranquilo pensando na vida, nos kms já rodados e os que vou ainda rodar e chego a uma conclusão, sou um cara feliz por mais uma vez ter o privilégio de pilotar uma motocicleta nas estradas,faz frio, o vento zune no capacete, mas eu estou nas nuvens.

Sexta (9/09), 7 da manhã, vou mais uma vez para estrada, a Guzzi ronca forte embaixo das minhas pernas, estou indo para Aparecida do Taboado (MS) com destino a Goiás, rumo decidido dias antes, Rio Verde (GO). Vou participar do Evento dos Nômades. Ultrapasso com facilidade os Brutos Interculados. São poucas curvas e os retões são infinitos, não chove há muito tempo e a paisagem está totalmente estorricada. A temperatura beira os 42 graus e a umidade é quase zero. Clima de deserto na planície goiana.

Bom dia! Por favor, encha o tanque. O frentista olha com ar de pergunta a gata que está estacionada no apoio central e segue o diálogo:
- Essa eu nunca vi, nessas paragens, que bicho é esse?
- Olha moço, espera aí que vou tirar uma foto, posso?
- O caminhoneiro chega junto e comenta, é você que está rodando por Goiás? O pessoal informou via éter (radioamador PX – PY).

Um bombardeio de perguntas acontece, chega mais gente, o posto para. No meio da confusão, nem percebo um cachorro benzendo a roda traseira, mija satisfeito marcando o território, estou cadastrado no PY e na urina, sinto que posso passar no trecho com certeza que estarei identificado.

Rio Verde (GO) chegada depois de rodar 455 km, mas não foi muito fácil, a falta de sinalização compromete a viagem, mais de uma vez errei o acesso nos trevos e nas bifurcações. Faz parte, mas poderia ser melhor, principalmente para quem viaja sem mapas e o tal do GPS.

Rio Verde trepida, é uma cidade impressionante, os postos de gasolina são enormes e a quantidade de caminhões é no mínimo brutal, a riqueza Goiana (soja, milho, grãos em geral) passa por ali, um povo guerreiro, com uma determinação e vocação única, trabalhar e tirar da terra o que de melhor ela pode oferecer: alimentos.

Boa tarde Jadir (Nômades MC). Vim te ver e pedir sua benção, parado na minha frente um motociclista apaixonado por estradas, a conversa rolou solta e extremamente fácil dentro do evento, e mais uma vez comprovei o que há muito tempo atrás aprendi. O que nos move, sem dúvida, são as viagens e essa paixão de ter estado em um Rio Verde cheio de emoções.

Abraços aos irmãos estradeiros.

Reinaldo Baptistucci, mais que um motociclista, contador de histórias e profundo conhecedor do mundo das duas rodas, é um verdadeiro apaixonado por viagens e aventuras pelas rodovias do país e nações vizinhas.



Fonte:
Equipe MOTO.com.br




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