Juventude inesquecível

Claudio Teixeira é o mais novo integrante da equipe de colunistas do MOTO.com.br.

Por Leandro Alvares

O MOTO.com.br dá as boas-vindas ao seu mais novo colunista do cenário off-road: Claudio Teixeira. Este veterano piloto, detentor de títulos no Campeonato Paulista de Motocross e dono de um respeitável currículo — repleto de participações em importantes provas nacionais e internacionais — terá uma participação quinzenal no “Canal da Moto”, na qual contará histórias, curiosidades, discutirá temas atuais, entre muitos outros assuntos ligados ao segmento do fora-de-estrada.

Na coluna de estréia, o também comentarista do canal por assinatura “Bandsports” fala sobre sua história, de como mergulhou no sedutor mundo das duas rodas. Confira:

Essa história começou em 1969, quando tinha apenas nove anos e ganhei de meu pai uma motinha da AVL (Alexandre Veículos Ltda), uma espécie de Fapinha bem mais antiga. No ano seguinte, tive uma Yamaha Mini Enduro, comprada na loja do Edgar Soares.

Dali em diante, peguei o vírus das motos e nunca mais consegui me curar. Eu andava muito de motocicleta com meus amigos. Junto com a molecada, passávamos pelo Pacaembu, Sumaré, Vila Boim e demais regiões da zona oeste da capital paulista, totalizando uma média de 200 km por dia, apenas curtindo o vento na cara, já que capacete sequer era obrigatório.

Fazíamos muitas “paradas” nas delegacias, pelo fato de andar sem carta e sermos apenas garotos de dez anos, que rodavam o dia inteiro como malucos. Um dia desses de 1970, consegui ir com uma turma grande até a USP e assisti a uma etapa do Campeonato Paulista de Motocross, da qual participaram astros como Nivanor Bernardes, Tucano, Casarini e Paulé.

Eu nem de longe poderia imaginar que, com apenas dez anos, seria um dia companheiro de equipe do Nivanor pela Yamaha do Brasil. Mas naquela ocasião já havia decidido que aquele era meu sonho: me tornar um grande piloto de motocross e ser campeão!
 
Minha oficina preferida era a do Casarini e do Tucano, concessionária Yamaha na região central da cidade. O mecânico-chefe de lá era o Sr. Walter, hoje proprietário da General Motos e avô da pequena competidora Stefany Serrão.

Eu sempre ia pentelhar o Sr. Walter com minha mini enduro para poder fazer cross nos terrenos baldios. Bons tempos, aliás, os melhores! Essa garotada que vive enfiada nos videogames hoje em dia jamais saberá o que foi uma infância dessas.
 
Depois, já adolescente, conheci o antigo Café Concerto e a Janda, aonde nos encontrávamos em grandes turmas e grupos para ir a corridas, para praticar o motocross em terrenos da cidade e outras loucuras mais como os rachas do relógio na USP, do rolemã no Morumbi, Ibirapuera e tantos outros lugares que me permitem hoje afirmar com todas as letras: sou um sobrevivente!

Naquela época fazíamos até roleta russa na avenida Brasil, uma loucura que nem posso contar aos meus filhos. Tudo para nós era racha! Nesta turma andavam vários garotos que, com o tempo, mostraram vocação para o mundo das competições: Scateninha (bicampeão Paulista e vice-campeão Brasileiro de motocross), Antônio Jorge Neto (vice-campeão na stock car 2006 e vários títulos paulista e nacionais na motovelocidade), Tché Q Tché, Moacyr Gaya, Ramon Macaya e outros tantos de que já não me recordo mais.
 
Adquiri minha primeira moto de corrida com o Roque Colman, uma MX 125, e dali pra frente era só motocross na veia! Com 20 anos fui um dos primeiros pilotos do Brasil a se aventurar em provas nos EUA e fui morar lá por quase um ano.

Assisti a provas do Mundial em Carlsbad, Supercross no Coliseum, quando os grandes ídolos americanos eram sujeitos como Bob Hannah, Brad Lackey, Broc Glover, Johnny O`mara, Chuc Sun, entre outros.

Depois que voltei ao Brasil, fui contratado pela Yamaha, fundei a empresa WT e dei continuidade à vida motociclística. E como foi boa minha juventude, que saudades daqueles tempos! Os jovens de hoje também não têm idéia do que foram aqueles idos de 1980...
 
O motociclismo nem bem existia no país e moto era coisa para arruaceiros irreverentes, que não concordavam com regras e só faziam loucuras. E era isso mesmo!

Fonte:
Equipe MOTO.com.br

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