Acelerando com experiência em Jaú

Foi uma etapa emocionante, ainda melhor por ter encontrado velhos amigos nos boxes.

Por Leandro Alvares

Caro leitor, este artigo irá falar da nossa participação na segunda etapa do Arena Super Motos, categoria Husqvarna Supermoto Cup, que aconteceu no último fim de semana no kartódromo municipal de Jaú (SP).

A revista adotou uma estratégia diferenciada para a participação nesta e nas próximas etapas, de participar sempre com um convidado diferente a fim de trazer a você, internauta, as mais variadas opiniões sobre a modalidade supermotard, aproveitando para introduzir mais pilotos na categoria.
 
Na prova de Jaú, convidamos uma lenda viva do motociclismo nacional, o sexagenário Roque Colman, piloto de competições há mais de 45 anos, que já competiu em motovelocidade, participou das 24 horas de Interlagos e até hoje mantém uma disposição invejável participando de corridas de motocross e dando muito trabalho para a rapaziada.

Acertamos na escolha deste convidado, que foi muito bem recebido por toda a organização e todos os participantes, uma vez que ele já conhecia simplesmente todas as pessoas que lá estavam. Foi uma enorme festa de boas-vindas a aparição dele nos boxes no dia da corrida. Todos se divertiram muito com a presença dele e deram inúmeras demonstrações de carinho, amizade e admiração pelo velho Roque.
 
Já há muitos anos temos uma amizade inabalável e me senti orgulhoso de levá-lo para participar desta etapa desde o primeiro momento, pois sua participação fora decidida de última hora. Por isso, mal teve tempo de absorver a idéia, mas topou de imediato.

Ele não tinha macacão de couro e acabou andando com os equipamentos de cross, o que me preocupou um pouco, pois não queria ver o amigo machucado. E foi exatamente o que ocorreu. Lá pelas últimas voltas, ele acabou tomando um tombo e machucou um pouco o joelho, mas no fim não foi nada grave.
 
A minha participação foi muito boa. Sabia que uma vitória seria muito difícil, já que competir contra a garotada da faixa dos 18 aos 25 anos não é mesmo uma tarefa fácil para um veterano que já passou dos 45. Nossos reflexos já não são tão rápidos e nosso vigor físico não está a altura dos mais jovens. Mesmo assim, fiz um terceiro lugar e consegui me manter combativo durante os treinos e durante a definição do grid de largada.
 
Nesta prova pude mais uma vez constatar que, de fato, o que nos coloca na briga por posições competindo contra os mais jovens é a experiência de anos e anos de competições. Começou na tomada de tempo para definir o grid, quando me aproveitei do piloto e amigo Guilherme Lima e peguei carona com ele nas últimas voltas do treino para fazer minha melhor marca, ficando com o terceiro tempo, logo atrás dele.
 
Depois veio a largada. O Caio Evangelista, que largou em quinto, simplesmente ignorou o quarto colocado e a mim também, pulando para a terceira posição ainda na primeira curva. Mas aí a experiência falou mais alto de novo e não me precipitei. Sabia que seriam aproximadamente 22 a 23 minutos de prova e que em 18 ou 20 voltas muita coisa poderia acontecer.

Deixei ele escapar no pega com o Guilherme Lima e com Bernardo Starling e me concentrei em manter e aprimorar meu ritmo enquanto aquecia os pneus. Depois de umas cinco voltas, era hora de atacar! Comecei a encostar volta a volta, até que lá pela décima passagem dei o bote em um erro dele. Já era! Estava novamente em terceiro.
 
Daí pra frente tive apenas que administrar o Pablo, que vinha andando em um ritmo forte; havia ultrapassado o Caio e queria me buscar. Quando eu percebia que ele encostava, eu apertava o ritmo para retomar a distância na intenção de mostrar para ele que eu ainda tinha gás para mantê-lo à distância. Depois de algumas tentativas de aproximação, ele percebeu que não iria me buscar e acabou se contentando com o quarto posto, o que foi muito bom para mim, pois eu pude relaxar.
 
Em resumo, a experiência é justamente esta; de esperar o momento certo, manter o ritmo com segurança (não agüento mais me quebrar) e esperar o corpo esquentar, porque os mais velhos demoram mais para encontrar sua tocada.
 
Foi uma etapa emocionante, a pista era difícil e o asfalto estava esfarelando, deixando muita sujeira e um trilho com poucas opções de ultrapassagem. Tínhamos até que usar as zebras como parede de apoio para aproveitar melhor o traçado. Que prova!
 
Também foi muito legal encontrar os velhos amigos nos boxes e tive muito orgulho de saber que andei atrás do filho do meu grande e velho amigo Geraldo Starling, campeão mineiro de motocross nos idos dos anos 1970, pai do Bernardo, com quem no passado disputei muitas provas. Além dele, lá estavam o Paraguaio, o pai do Marcel Sona, e o velho Roque, que aparece na foto ao meu lado.
 
Estamos agora definindo quem será a próxima estrela a participar como convidado da equipe MOTO.com.br na terceira etapa, que acontecerá no dia 2 de setembro em Avaré. Sem dúvida, uma nova rodada com muitas novidades para você, leitor e internauta!
 
Um abraço a todos,
Claudio Teixeira.


Fonte:
Equipe MOTO.com.br

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