Uma estranha no ninho americano

Na terra das HD's, uma Yamaha Road Star customizada faz sucesso com motor de 1700 cm³.

Por Leandro Alvares

Arthur Caldeira

País dos exageros, dos muscles cars e V8s, as motos customizadas nos Estados Unidos também não economizam nos equipamentos, cromados e muitos dólares investidos. Mas até então, por razões óbvias, os alvos das mais radicais personalizações eram as pratas da casa, as Harley-Davidson e seus motores em polegadas cúbicas, como o Twim Cam 88.

Acontece que de uns tempos para cá, os fãs das custom japonesas resolveram fazer uma “metric revolution”, ou Revolução Métrica, para exaltar as qualidades das motos com capacidades expressas no sistema internacional de medidas, ou seja, em centímetros cúbicos.

A bandeira dessa “revolução” é o programa de TV, “Metric Revolution”, que vai ao ar pela “ESPN 2”, nos EUA. Cada episódio conta a história da personalização de uma motocicleta (não americana) feita por alguns dos melhores customizadores da Terra do Tio Sam.

Intrusa no ninho

Entre as estrelas do “Metric Revolution” está a Nehme-sis, que leva o nome do proprietário do estúdio BMS Chopper, da Flórida, Sam Nehme. Adepto dos motores em centímetros cúbicos, Sam, avisa em seu site: “Nós somos especializados em medidas métricas (Desculpe-nos proprietários de Harley). Nosso objetivo é construir a mais radical chopper ‘métrica’ com a confiabilidade que esperamos”. Gosto pessoal e discussões sobre motores à parte, a BMS, especializada em Yamaha, construiu a Nehme-sis baseada em uma Royal Star 1700.

O que fez dela uma moto tão especial foi o prêmio que recebeu na Biketoberfest, realizada em outubro de 2006, em Daytona Beach, na Flórida. Com sua extrema beleza e soluções pra lá de inovadoras, a Nehme-sis foi “autorizada” pelo júri do Rat’s Hole, renomado concurso de motos customizadas, a competir na categoria de motos acima de 1000cc.

“Foi a primeira vez em 38 anos que eles permitiram que uma moto ‘métrica’ participasse na categoria americana”, ressalta Sam. Mais surpreendente que a participação foi a Nehme-sis ser eleita a grande vencedora do prestigiado concurso.

Corrida contra o tempo

O projeto da premiada Nehme-sis começou quando Sam e a equipe da oficina BMS foram convidados a participar do programa “Metric Revolution”. Não havia restrições de custo e material, a única exigência era que a moto fosse projetada e construída em seis meses, tempo que Sam e seus colaboradores consideraram impossível.

Mesmo assim, com a ajuda de seus 50 funcionários, ele topou o desafio. De uma Yamaha Royal Star “0 km”, aproveitaram apenas o motor, seu suporte e a caixa de direção, esta por conter o número de identificação do veículo.

A partir daí, tudo — com exceção da pintura e das rodas — foi projetado pela BMS. O inédito “monogarfo” dianteiro feito em alumínio consumiu muitas horas de desenvolvimento para tornar-se realidade. Incorporado na bela peça estão dois amortecedores pneumáticos que, em conjunto com o monobraço da suspensão traseira, ajudam a erguer, literalmente, a moto até 25 cm ou baixá-la até o chão, o que dispensa o pezinho lateral, uma vez que a Nehme-sis apóia-se sobre o próprio quadro.

Mas a ousadia não pára por aí. Em vez do tradicional quadro berço duplo com tubos na parte dianteira, a BMS criou um quadro no qual o enorme V2 de 1700cc fizesse parte da estrutura ficando assim mais visível.

Por onde você olha, a Nehme-sis surpreende com suas soluções de engenharia. Atrás, o enorme pneu de 360 mm (mais largo que o de um Dodge Viper) da marca Vee Rubber impressiona. Foi preciso desenvolver uma balança traseira monobraço para comportar este que é o maior pneumático já usado em uma motocicleta. Cobrindo-o, está outra peça impressionante, o pára-lama traseiro que já traz embutido em suas laterais a lanterna traseira e as luzes de freio com LEDs.

Destaque também para a embreagem automática, que permite trocas de marcha apenas girando-se o punho esquerdo. Além disso, todos os cabos e fiação estão embutidos. Há ainda outras dúzias de curiosidades: a pinça de freio dianteira está embutida no monogarfo; já a traseira fica junto ao pinhão também escondida.
 
Isso sem falar no refinado acabamento, com muitas peças folheadas a ouro. Os motivos de esqueletos da pintura estendem-se até mesmo na cobertura do filtro de ar. Uma verdadeira obra-de-arte.

O preço é praticamente incalculável, mas sem contar peças, material e a pintura, foram consumidos 250 mil dólares só em mão-de-obra. Já que a hora na BMS custa US$ 80, foram necessárias mais de três mil horas de trabalho.

Não à toa, a Nehme-sis, além de vencer o concurso em Daytona, conquistou outros prêmios, como a escolha popular entre outras centenas de motos no Las Vegas Metric Revolution Show. Mas para Sam, o prêmio mais importante foi no Rat’s Hole. “Foi realmente emocionante derrotar as motos americanas construídas com base nas Harley-Davidson”, comemora o customizador.

Fonte:
Agência Infomoto

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