Os 12 Trabalhos: Motoboys aprovam filme

Longa-metragem foi exibido para mais de 80 pessoas na Cinemateca Brasileira, em SP.

Por Leandro Alvares

Apesar de ainda não ter estreado oficialmente nas salas de projeções, o filme “Os 12 Trabalhos”, que utiliza a figura do motoboy para fazer uma metáfora maior sobre a cidade de São Paulo, já tem agradado a vários cinéfilos e, inclusive, diversos representantes da classe dos motofretistas.

Prova disso foi observada na noite da última quarta-feira, quando a Cinemateca Brasileira, localizada na zona sul da capital paulista, rodou a película para mais de 80 pessoas, entre as quais encontravam se até mesmo o diretor do longa-metragem, Ricardo Elias.

“Trata-se da quinta apresentação do filme, que já foi exibido na Mostra São Paulo, na Espanha e, em breve, será apresentado nas cidades norte-americanas de Miami e San Francisco”, disse Elias, em exclusividade ao MOTO.com.br.

“Este trabalho já ganhou um festival super importante, o San Sebastian, na categoria melhor filme latino, e espero que alcance muitos outros prêmios”, acrescentou o diretor, que também deseja ter uma boa bilheteria por parte dos motoboys.

“Torço para que eles possam assistir ao filme, que tem uma proposta alegre, é bastante dinâmico e oferece várias histórias dentro da principal”, destacou. “O filme humaniza muito a figura do motoboy e as contradições existentes na sociedade. Por exemplo, todo mundo fala mal deles, mas ao mesmo tempo utiliza os seus trabalhos”.

“A cidade não vive sem eles, pois eles criam os fluxos nesta metrópole caótica, sem planejamento urbano...e os motofretistas acabam sendo o escape para todos os problemas. Eles são uma metáfora do que é a cidade. Condensam vários símbolos do que virou São Paulo”, prosseguiu Elias.

“É uma classe que carrega a agressividade e o stress do trânsito, mas por outro lado é um grupo bastante solidário entre si. E São Paulo é um pouco isso. Uma cidade totalmente estressante, mas que acolhe, recebe gente do Brasil inteiro”, completou.

Para os motoboys que assistiram à produção na última quarta-feira, “Os 12 Trabalhos” conseguiu sintetizar o dia-a-dia dos profissionais das duas rodas que se arriscam pelas ruas. “Gostei muito do filme, especialmente as imagens que mostraram a visão que temos ao andar pelos corredores do trânsito”, afirmou Fábio Luiz, motoboy há nove anos.

“Outro ponto verdadeiro que foi tocado diz respeito às dificuldades da vida, que nos levam a trabalhar como motofretista. O meu caso: eu trabalhava no setor administrativo de uma empresa e, ao mesmo tempo, fazia alguns serviços de motoboy. Com o passar do tempo, a companhia achou mais vantajoso dispor somente do meu trabalho pelas ruas”, contou o paulista de 27 anos.

Leandro dos Santos, 23, também ficou satisfeito com o longa-metragem e aproveitou o espaço para falar sobre a classe da qual faz parte desde os 20 anos. “Como em toda profissão, há sempre um grupinho que mancha a imagem do trabalho. Em nosso caso, isso é mais evidente porque dividimos um espaço com carros e caminhões”, ressaltou.

De acordo com Eliseu Reis Barreto, o convívio pacífico entre motoboys e motoristas depende muito do respeito entre as “tribos”. “As ruas pertencem a todos, por isso, precisamos saber dividi-las da melhor maneira possível. De fato, existem muitos motoboys que pilotam como loucos e, na maioria das vezes, representam empresas clandestinas. É necessário fazer uma forte fiscalização dos locais que estão fora da lei”, argumentou.

“Os 12 Trabalhos” tem como protagonista o personagem Heracles — interpretado por Sidney Santiago —, um jovem negro da periferia que, para superar o passado que o desfavorece, precisa realizar 12 tarefas ao longo de um dia para conseguir um emprego como motoboy.

Nesta jornada, apoiado pelo primo Jonas, ele se depara com funcionários públicos, policiais, advogados, professores, traficantes, outros motoboys e diversos personagens. Aparentemente frágil e dono de uma sensibilidade nem sempre compreendida por seus colegas, o rapaz também confronta com a intolerância, a injustiça, o desejo e a tentação em situações próprias de uma metrópole como São Paulo.

A estréia do filme nas telonas de São Paulo acontecerá no dia 9 de março. Na semana seguinte, a película será exibida nas demais cidades do Estado e no Rio de Janeiro.

Para mais detalhes sobre a obra, basta entrar no site oficial da produção.

Fonte:
Equipe MOTO.com.br

Compartilhe:

Receba notícias de moto.com.br