O milagre da frenagem

BRUNO PARISI

O sistema de freio de uma motocicleta sempre foi (e sempre será) um assunto que levanta discussão sobre sua eficiência. Muitos pilotos acreditam no poder dos freios; já outros não são tão confiantes na hora da frenagem.

Dispositivos para melhorar a frenagem como, por exemplo, o freio antibloqueio (conhecido pela sigla ABS, anti-block system) é mais famoso no mundo das quatro rodas, porém ano após ano ganha espaço também no universo motociclístico. A tecnologia, que começou a ser desenvolvida na década de 80, tem salvado a vida de muitos motociclistas mundo afora.

O objetivo dos freios ABS, tanto nas motos como nos carros, é frear com mais segurança e controle do veículo. Segundo o IIHS (Insurance Institute for Highway Security, instituto das seguradoras norte americana para a segurança viária), motos com ABS representam 28% a menos de acidentes fatais em cada dez mil motos registradas nos Estados Unidos. Para uma boa frenagem, além de bons freios, é necessária também prática na pilotagem.

Como funciona?

Para os leigos, o sistema ABS atua nos freios da moto, impedindo que a(s) roda(s) trave(m). Seu princípio de funcionamento é parecido com o de um automóvel. Pequenos discos (semelhantes ao disco de freio, porém cheios de ranhuras) instalados no cubo das rodas atuam com os sensores do ABS e realizam a “leitura” da velocidade das rodas durante a frenagem. Quando a roda está prestes a travar, os sensores enviam um sinal para a central do ABS e a mesma envia um sinal para “aliviar” a pressão aplicada no freio. “O sistema ABS colabora para manter o comportamento equilibrado da motocicleta em frenagens em diferentes pisos e, consequentemente, oferece maior segurança ao motociclista”, explicou Alfredo Guedes Jr, engenheiro da Honda.

Com ou sem ABS

Muitas motos apresentam versões com e sem o recurso. Essa prática é normal ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Abordando a questão de vendas o apelo da segurança que o sistema oferece ainda não chama muito a atenção dos motociclistas. Ou o preço superior da versão com ABS acaba fazendo o consumidor abrir mão de sua segurança.

Para se ter uma idéia da preferência do consumidor, tome-se como exemplo a Honda CB 600F Hornet. Segundo a montadora, no primeiro trimestre de 2009 foram vendidas apenas 546 unidades da naked equipada com sistema ABS, que tem preço sugerido de R$ 34.280. Já na versão standard o número de vendas chega perto do dobro: 970 unidades. E o preço também cai bastante, a Hornet sem ABS sai por R$ 31.980

As alternativas do antibloqueio

Mesmo sem o ABS, montadoras já criavam sistemas de freios mais eficientes. Foi o caso da Honda com a sport touring CBR 1100 XX Black Bird, lançada em 1997. Na época era considerada a motocicleta mais rápida do mundo; como alguém tem que “parar a besta”, a fábrica equipou a moto com potentes freios a disco aliados ao sistema batizado de Dual CBS. O sistema passava longe de ser um ABS e funcionava da seguinte maneira: ao acionar somente o manete ou pisar no pedal, automaticamente os freios dianteiro e traseiro eram acionados. Algo como um sistema combinado de freios, o que a própria sigla do sistema significa. Atualmente o CBS é oferecido na musculosa custom VTX 1800.

A BMW F 650 GS fabricada no fim do século XX retratava um sistema curioso do ABS. Vinha de série equipada com o freio antibloqueio apenas na roda traseira. Era um bocado estranho o piloto pisar com vontade no pedal de freio traseiro, senti-lo subir e querendo voltar pra posição normal. Mal sabia que era o ABS em funcionamento...

A história não para

Um dos principais objetivos dos avanços tecnológicos é a segurança. Mas para as novas tecnologias chegarem às motocicletas levou certo tempo. Nos carros, a alemã Mercedes Benz deu o passo inicial oferecendo como opcional os freios antibloqueio na série S, já em 1978. Nas motocicletas o primeiro ABS surgiu apenas dez anos depois com uma conterrânea, a BMW K 100.

Como a história do dispositivo é recente, poucos estilos de motos têm como opção o uso do ABS. Para termos uma idéia do “atraso” desse recurso, somente em 2009 uma superesportiva pode vir equipada de fábrica com tal atrativo. Trata-se das Honda CBR 2009, nas versões de 600 e 1000 cm³, disponíveis no exterior e equipadas com um moderno sistema eletrônico de frenagem.

Excluídas da legislação

A resolução 312 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) torna obrigatório o uso do ABS em toda a frota nacional e importada produzida a partir de 1º de janeiro de 2014. Infelizmente, o veículo motocicleta não faz parte dessa lista.



Fonte:
Agência Infomoto




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