Motofair apresenta grande vitrine em BH

A feira atraiu 22 mil pessoas que conferiram as novidades em motos, peças e acessórios.

Por André Jordão

Téo Mascarenhas

No ranking do mundo motociclístico, o Brasil figura entre os cinco maiores e mais importantes mercados do mundo. Tanto em produção, quanto em vendas internas. Só fica atrás da China, Índia, Indonésia e Vietnã. Países como Taiwan e Tailândia também contam com mercados vigorosos e estão bem próximos de nós. Entretanto, seja deste lado do mundo, ou do outro lado do globo, estes países estão fortemente ligados por características comuns, como grandes populações e um transporte coletivo precário e ineficiente, que abre as portas para a motocicleta, como alternativa ágil e econômica de transporte individual.

Neste universo, Minas Gerais, contribui com cerca de 10% do volume de vendas brasileiras, segundo dados da Abraciclo, associação que reúne os fabricantes de motocicletas, e se firma como o segundo maior mercado consumidor de motocicletas do País. Com este importante cenário, faltava um evento que reunisse todo o segmento, que culminou com a realização da I Motofair, entre os dias 22 e 25 de abril, no pavilhão de exposições do Expominas, com cerca de 9 mil metros quadrados de área coberta e totalmente climatizada.

Uma feira exclusiva do setor motociclístico, englobando as montadoras e seus concessionários, fabricante de peças, acessórios, equipamentos e serviços, além do entretenimento, com shows de bandas. Além de apresentações de habilidade no trial, corridas virtuais, praça de alimentação e distribuição de brindes.

Vitrine e atrações

Segundo Sérgio Falcão, diretor da Minasplan, empresa responsável pela organização da feira, chegou o momento de Minas Gerais mostrar sua força e importância, por intermédio de uma vitrine própria, com repercussão nacional, como a Motofair. Até a realização desta feira, os mineiros tinham que sair do estado para conferir as principais novidades e lançamentos do segmento, o que agora pode ser conferido de perto, inclusive, invertendo a mão, com a grande adesão de expositores de outros estados.

Nos quatro dias de feira, o público visitante somou 22 mil pessoas, gerando bons negócios entre os 72 expositores, demonstrando assim o potencial do mercado e da feira mineira, que já tem data marcada para 2011. Entre 30 de março e 3 de abril de 2011, também no pavilhão do Expominas. Entre as montadoras, a líder nacional, Honda –com exatos 77,36% de market share –, que apresentou cinco novos modelos recentemente, inclusive, a primeira moto flex do mundo, a CG 150 Titan Mix, mostrou também sua linha de importadas, com destaque para a superesportiva CBR 1000RR, além de um caminhão especial que, literalmente, se desdobra e se transformava em uma sala Vip.

A Yamaha, pioneira entre as japonesas no Brasil, mostrou a novíssima XJ6 N, modelo naked equipado com motor de quatro cilindros em linha, além da remodelada Fazer 250, com visual atualizado, e o relançamento Crypton, com desenho modernizado. Uma motoneta adaptada para o trânsito urbano com motor de 115 cm³.
A tradicional alemã BMW, apresentou a sofisticada linha K 1300, com muita tecnologia embarcada e motor de quatro cilindros em linha, além do lançamento G 650 GS, equipado com motor de um cilindro e ABS de série. Montado em Manaus (AM) pela Dafra, o modelo é o primeiro da marca fabricado fora da Alemanha.

A Gas Gas, marca espanhola especialista em fora de estrada e representada no Brasil pela mineira Terra Motos, mostrou sua linha 2010, além da EC 300, moto utilizada pelo piloto Felipe Zanol no Mundial de Enduro. A marca deve lançar até o fim do ano um modelo de 250 cm3, quatro tempos, que pretende produzir aqui no Brasil.

Diversão

A Gas Gas também montou uma pista de trial, com três apresentações diárias de seus pilotos oficiais, “Vermelho” e “Padeiro”. O piloto mirin Jean MC, com apenas 11 anos, fez apresentações com mini motos e bicicletas especiais. A equipe Pura Ação mostrou seu talento com acrobacias radicais. Ao lado da praça de alimentação, os visitantes puderam apreciar shows com bandas de rock e blues. Já no estande do curso de design de produtos da escola superior Fumec, podiam ser vistos bicicletas conceituais, como a “Carrinho de Supermercado”, por exemplo, modelo especial para fazer compras.

Outra bicicleta fora do comum foi a Bitrem, com 13 rodas, som, e capacidade para transportar 16 pessoas, produzida por Lucirley Oliveira, de Sete Lagoas (MG). Outra atração foi o museu de motos do empresário do ramo de peças e acessórios, Rômulo Filgueiras, da tradicional Motostreet. Mostrou 30 modelos, com destaque para a belga FN 175, ano 1.909, com side car de vime. A Ducati de competição 175, ano 1.968. Uma raridade, já que as motos de competição são produzidas em pequena escala. Presentes também, a clássica Indian Chief 1.946 e a Harley-Davidson 1.948, além da inglesa Norton Comando, alemãs BMW, entre outras.

Mini motos e quadriciclos fizeram a cabeça da garotada e as lojas de acessórios e equipamentos, a dos pilotos mais experientes, que aproveitaram promoções especiais. Também presentes, exposição de painéis do fotógrafo Fred Mancini e lançamento em Minas do filme “Alma 70”, do diretor Renzo Querzoli, sobre motos clássicas. Estandes de motoclubes e federações de motoclubes, além de estúdios de customização, marcaram presença, em uma grande confraternização. Para o conforto do público havia estacionamento (pago) e capacetaria.

Mercado em franca recuperação

Em 2008, o mercado nacional vinha fortemente aquecido, superando recordes de produção e vendas até a crise mundial afetar violentamente o segmento. A lógica foi bastante simples e cruel. Para adquirir motos de baixa cilindrada, base do consumo nacional, o consumidor precisava de crédito, que, até então, era fácil e abundante.

Entretanto, de uma hora para outra, ficou mais escasso, mais caro e mais curto, por conta da crise de liquidez, fechando a torneira, especialmente para o cliente de baixa renda. Exatamente o mesmo que sonhava com a moto para ficar livre do ônibus lotado e lento e do ineficiente transporte público. Desta forma, o volume de vendas de 2009, apesar de ainda bastante vigoroso, deu marcha a ré, fechando o ano com números de vendas semelhantes a 2007, com cerca de 1,6 milhões de unidades.

Os primeiros números de 2010, porém, sinalizam que a tormenta vai se dissipando, inclusive, com o retorno das linhas de crédito, e indicam uma recuperação consistente do mercado, segundo dados da Abraciclo, e também da Fenabrave, Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos. Ambas, parceiras da I Motofair. Em março, por exemplo, foram comercializadas 169 mil unidades, contra 116 do mês anterior, representando um avanço de 45.7%. No primeiro trimestre do ano, o volume atingiu 410 mil unidades, representando o melhor resultado da indústria nos últimos 18 meses, segundo a Abraciclo.

“Esta confiança na recuperação do mercado, agora demonstrada na prática, foi fundamental para a adesão dos participantes da Motofair, distribuídos em 72 estandes, que enxergaram na feira uma boa oportunidade de mostrar seus produtos e alavancar as suas vendas”, observa o organizador da mostra, Sérgio Falcão. Outra observação otimista foi a de Henrique Ribeiro, expressivo atacadista de pneus, peças e equipamentos, com a Lagoa Motoparts e LM Moto, além de diversas marcas próprias. Segundo Ribeiro, o mercado de reposição não sentiu a crise. A frota circulante brasileira demandou um volume crescente de consumo e para 2010, espera um crescimento de dois dígitos em seu planejamento.

Fotos: Téo Mascarenhas e Fred Mancini


Fonte:
Agência Infomoto

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