INDÚSTRIA DE MOTOS EM ALTA

Setor das duas rodas cresce 17,3% e faz Abraciclo alterar as previsões de 2006.

Por Thiago Fuganti

Um “erro” de cálculo positivo fez com que a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) alterasse a maioria das previsões feitas sobre o setor das duas rodas para o ano de 2006.

Em entrevista coletiva realizada na manhã de ontem, num hotel da zona sul de São Paulo, a entidade apresentou o balanço do segmento no intervalo de janeiro a julho, no qual constatou-se o aumento de 17,5% na produção brasileira de motocicletas, comparado a 2005.

No acúmulo do primeiro semestre, foram produzidos 711.970 equipamentos, 6,7 % acima do estimado pela Associação. “Isso se deve ao amadurecimento do mercado motociclístico, cada vez mais forte no Brasil”, disse Moacyr Alberto Paes, diretor executivo da Abraciclo. “Por tal motivo, alteramos nossa estimativa anterior de 10% para uma revisada de 12%, sobre o total produzido em 2006. Ou seja, 1.360.000 motos”, destacou.

Mas não foi somente a produção que surpreendeu nos números. No mercado interno, os sete primeiros meses registraram 708.510 motocicletas faturadas aos distribuidores das fabricantes associadas, volume 23% superior ao do mesmo período do ano passado, quando 576.041 unidades foram comercializadas.

Quanto à projeção da Abraciclo para o primeiro semestre, o saldo interno era de 580 mil máquinas. Na prática, contudo, o índice foi 8,3% maior: 628.214. “A nova meta para 2006 é 15% de crescimento; 1.185.600”, afirmou Moacyr.

Somente no quadro das exportações a Abraciclo manteve os dados apontados no início de 2006, com a esperada queda de 6%, apesar do semestre ter mostrado superação de 1,9% sobre a aposta inicial. “Foram exportadas 89.131 motocicletas, e tínhamos apostado em 87.500. Mas não devemos nos iludir, pois dos sete meses concluídos, apenas um registrou aumento no comparativo com 2006”, lembrou o diretor.

As exportações sofreram queda nos cinco primeiros meses, quando comparadas com igual período do ano passado. Em junho, no entanto, o volume de motocicletas exportado cresceu, mas as exportações no último mês caíram novamente. Em julho, 15.900 unidades foram vendidas ao exterior, volume 21,3% menor que o de junho deste ano, quando foram comercializadas 20.213 máquinas. No acumulado de janeiro a julho deste ano, 105.031 unidades foram vendidas ao mercado externo, volume 2,6% menor que o registrado no mesmo período de 2005.

O crescimento do setor tem sido um reflexo da transformação dos meios de transporte nas regiões comprometidas com a alta densidade de veículos. De acordo com pesquisa da Abraciclo, os locais de maior uso das motocicletas são os grandes centros urbanos, onde mais de 30% do mercado é composto por ex-usuários de transporte coletivo.

Em razão de preço, diversidade de modelos populares, linhas de financiamento e consórcio, os veículos de duas rodas estão cada vez mais acessíveis ao consumidor. Com isso, adquirir uma motocicleta como meio de transporte próprio tem se tornado possível também às classes menos favorecidas da população.

“O setor está utilizando praticamente toda a sua capacidade instalada de produção”, comentou Paulo Shuiti Takeuchi, Presidente da Abraciclo. “Esse crescimento deverá continuar nos próximos anos”, previu.


Junho X Julho: queda esperada

No comparativo de produção entre os dois últimos meses, foi observado um índice negativo de 21,8%. Foram produzidas, em julho deste ano, 92 mil e 228 motocicletas. No mês anterior, a indústria produziu 117 mil e 922 unidades. Mas nada de alarmante, de acordo com a Abraciclo.

“Julho não é somente o mês de férias para as crianças. É também o período de recesso coletivo das empresas fabricantes. Portanto, nada mais natural esse número baixo”, explicou o presidente Takeuchi. Moacyr Alberto Paes, diretor executivo, completou: “As estatísticas da Abraciclo nos mostram que essa época sempre foi assim. E se compararmos julho de 2005 com julho de 2006, veremos que houve superação de 45,8% neste ano”, ressaltou.

A queda registrada na produção no último mês também foi percebida nas vendas de motocicletas no mercado interno. Em julho, 80.296 unidades foram vendidas, volume 22,2% menor em relação a junho. Entretanto, se comparadas as vendas de julho de 2006 com julho de 2005, o desempenho deste ano foi 45,8% superior.

Fonte:
Equipe MOTO.com.br

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