Fórum Internacional de Sustentabilidade

Fabricantes instaladas em Manaus apresentaram suas iniciativas para o meio ambiente.

Por André Jordão

Aldo Tizzani

“O maior projeto ambiental do País é o Polo Industrial de Manaus (PIM), já que gera empregos, sem pressionar a floresta Amazônica. Ter uma empresa instalada no PIM é manter a floresta de pé. Se perdermos a floresta, todo o mundo perde, já que o aquecimento global é uma realidade. Além disso, sustentabilidade também tem a ver com inclusão social e a geração de renda para a população”, afirmou o governador do Amazonas, Eduardo Braga, durante o Fórum Internacional de Sustentabilidade, realizado nos dias 26 e 27 de março, na capital Manaus.

O evento contou com cerca de 400 empresários e a participação de convidados ilustres, entre eles, Al Gore, ex-vice presidente dos Estados Unidos e Prêmio Nobel da Paz, o cineasta James Cameron, diretor de "Avatar" e "Titanic", Thomaz Lovejoy, cientista e ambientalista, e Mark London, escritor e jornalista. É um tanto desconfortável para um brasileiro ouvir palestras de estrangeiros falando sobre a nossa Amazônia. Mas vá lá, já que preservar é uma questão de sobrevivência da humanidade. Porém, em alguns momentos o fórum serviu de palanque político e também para unir interesses comerciais.

Com pinta de candidato republicano às próximas eleições presidenciais, Al Gore explorou o tema "A importância da conservação da Amazônia para deter o aquecimento global e as mudanças climáticas". Na visão do Prêmio Nobel, o aquecimento é uma realidade e é preciso dar o primeiro passo, agora. “Todos nós, nações desenvolvidas e em desenvolvimento temos de nos unir e construir uma civilização global. Para isso, a floresta é fundamental, já que o destino da humanidade está diretamente ligado à preservação”, afirmou o ex-vice-presidente americano. 

Para debater o tema “A responsabilidade das empresas na criação de uma economia sustentável na Amazônia” foram convidados vários representantes do segmento de duas rodas, o segundo maior em faturamento do Polo Industrial de Manaus (PIM). Entre eles, Yukihiro Tsurunishi, vice presidente de Moto Honda da Amazônia, Creso Franco, presidente da Dafra Motos, Claudio Rosa Junior, presidente da Kasinski, e Yutaka Kume, presidente do Grupo Yamaha Motor Brasil. De quebra, Paulo Takeuchi, presidente da Abraciclo (associação que reúne os fabricantes de motos).

Polo de Duas Rodas em Manaus

Para Flávia Grosso, superintendente da Suframa, a principal contribuição do setor de duas rodas para a Amazônia é a geração de empregos e de renda e, consequentemente, a preservação da natureza sem a derrubada de árvores. “O segmento também está investindo em educação e na consciência ambiental. Estes empregados da indústria de duas rodas são agentes multiplicadores no que diz respeito à preservação do meio ambiente”, explica a representante da Suframa, anunciando que em 2011 a Levorin fabricará em Manaus 10 milhões de pneus (moto e bike) e utilizará em sua produção 100% da borracha natural extraída da floresta.

Claudio Rosa Junior, da Kasinski, divulgou durante o fórum que, em prol da sustentabilidade, a marca irá comercializar a partir de abril o scooter elétrico – Prima Electra – com o mesmo preço do modelo movido à combustão: R$ 5.390. “No projeto de construção do novo complexo industrial, que deve ficar pronto em 2012, estamos definindo uma série de processos bastante modernos e de comprovada sustentabilidade", explica o presidente da Kasinski.

Outra novata no segmento, a Dafra Motos também tem investido na conservação da natureza. Além da linha de montagem adaptada às normas ambientais, Creso Franco destaca o laboratório de teste de emissões. “O laboratório é o mais novo no Polo de Manaus. Com ele nossos produtos estão compatíveis com as rígidas normas do Promot 3”, conta Creso Franco, presidente da Dafra.

Fazendo coro, Paulo Takeuchi, presidente da Abraciclo, acredita que a grande missão da indústria de duas rodas está exatamente na “redução da emissão do gás carbônico, além de respeitar o homem e o meio onde vive”.

Gestão Ambiental

Desde 1997, a Honda desenvolve um trabalho de Gestão Ambiental em Manaus. “Hoje, de forma direta ou indireta, a empresa trata 100% dos resíduos: 95% é reciclado, 4% é aterrado e apenas 1% é usado nas olarias para coser tijolos”, conta Josué Campos, gerente de Gestão Ambiental da multinacional japonesa. Ao longo de todos estes anos a Moto Honda da Amazônia já investiu cerca de US$ 50 milhões em diversos programas sócio-ambientais.

Considerada uma fábrica ecológica (Green Factory), a Honda inaugurou em 2001 sua estação de tratamento de efluentes, uma das mais modernas da América do Sul. Com capacidade para tratar 2.200 m³ de efluentes industriais e biológicos por dia, tem como objetivo reaproveitar a água utilizada pela empresa durante o processo produtivo.

Com relação aos produtos, a Honda desenvolveu a primeira motocicleta bicombustível do mundo no ano passado: a CG 150 Titan Mix, um dos veículos de menor poluição ambiental. Os baixos índices de emissão só foram conseguidos graças ao seu laboratório de emissões, no qual são realizados exaustivos testes dinâmicos e de amostragem dos gases poluentes. A tecnologia bicombustível já se estendeu a outro modelo do line-up: a NXR 150 Bros.

Já a Yamaha, segunda maior do mercado nacional, está há 40 anos no Brasil e há 25, no Amazonas. “É de suma importância discutirmos o futuro da Amazônia e a preservação do modelo de industrialização adotado nos últimos 40 anos, em que se favoreceu a instalação de empresas industriais, mas impôs, de modo consensual, que todos devem preservar o meio ambiente no qual estão inseridos. Esse modelo favoreceu a geração de emprego e renda, possibilitando que a população do Amazonas fosse inserida no desenvolvimento econômico do país, e ao mesmo tempo evitando a derrubada indiscriminada da floresta”, explica Yutaka Kume, presidente do Grupo Yamaha Motor do Brasil.

Para a produção de suas motocicletas no PIM, a Yamaha adotou uma série de medidas voltadas para a preservação da saúde de funcionários e prestadores de serviço, com ênfase na segurança individual e coletiva e na preservação dos meios naturais disponíveis. A empresa também utiliza o sistema 3R: Redução, Reutilização e Reciclagem. Que nada mais é que o conceito de redução no consumo de energia e água na produção, reutilização de água e insumos e reciclagem de todo o material de descarte.

A Yamaha também conta com uma central de resíduos industriais e estações de tratamentos químicos e biológicos. A montadora não utiliza substâncias nocivas ao meio-ambiente e à saúde humana como, por exemplo, mercúrio, chumbo, cádmio e cromo hexavalente. No Brasil, a fábrica de motocicletas atingiu o percentual de 99% de não utilização das substâncias nocivas. A montadora também não contrata fornecedores que não se comprometam com a não utilização dessas substâncias.

Em função de seu laboratório de emissões de gases, todos os modelos Yamaha estão de acordo com a legislação vigente (Promot 3). Para finalizar, a Yamaha realizou ano passado dez mil horas em treinamento ambientais, por meio de campanhas de conscientização e sensibilização e de formação de coordenadores ambientais.

* O jornalista viajou a convite da Moto Honda da Amazônia

Fotos: Rafael Miotto


Fonte:
Agência Infomoto

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