Clássicas invadiram o Centro Histórico

Aldo Tizzani 

Pateo do Collegio, centro histórico de São Paulo, 28 de junho, 8 horas. Apesar do frio e do tempo encoberto, uma fila de motos clássicas já se formava em frente ao marco da fundação da capital paulista. Às 9 horas os portões se abrem e as máquinas são divididas por seus respectivos países de fabricação. Ao todo, ficaram expostas 500 motos clássicas que participaram da sexta edição do Encontro Moto e Cia Classic. Porém mais de 1000 motocicletas (fabricadas a partir de 1980) ficaram estacionadas em frente ao Museu Anchieta.

O 6º Encontro Moto e Cia Classic apresentou algumas curiosidades. A moto mais antiga era uma FN Motorcycle, fabricada na Bélgica em 1913. Parecia mais com uma bicicleta motorizada. Outros destaques ficaram por conta da raríssima e reluzente HRD Vincent, de 1000cc, de 1949. Aliás, este modelo batizado de Rapide Serie, ganhou o prêmio “The Best” da organização do encontro.

O evento anual também contou com a participação de outros modelos raros que chamaram a atenção do público como, por exemplo, a inglesa Norton Manx, de 1948, que competiu em várias provas de motovelocidade; a italiana Ducati Mark 1, de 250cc, fabricada em 1968; e a norte-americana Harley-Davidson , de 1946. Além da alemã BMW R61 com sidecar, com direito a pintura camuflada e a também italiana Mondial, de 175cc.

Não podemos deixar de destacar também as motos japonesas: as Honda Gold Wing, de 1000cc, e seu motor de quatro cilindros opostos e a CBX 1050 com seu motor de seis cilindros em linha, e também a Kawasaki H-2. Na linha Yamaha, destaque para a FS1 e TX 650. Todas desembarcaram no Brasil na década de 70 e ajudaram a escrever a história do motociclismo no País.

Por um olhar mais crítico, o 6º Encontro Moto e Cia Classic tem duas missões. A primeira é a de reunir em um dos pontos turísticos mais tradicionais da cidade de São Paulo os colecionadores e suas belas máquinas (originais ou restauradas), para trocar experiências saudosistas sobre este mercado. O outro objetivo é formar novas gerações de colecionadores.

Um bom exemplo é Vitor Martinez, de 16 anos, filho do comerciante e restaurador santista Eládio Martinez, da Troka Troka Motopeças. “Quando nasci meu pai já trabalhava na restauração destas máquinas. Hoje eu o ajudo na oficina. Este trabalho está no meu sangue”, conta Vitor, que durante o evento tinha um carinho especial pela Yamaha CS3, de 200cc, fabricada em 1971.

Já José Paulo Ambrósio chegou ao encontro de motos clássicas em grande estilo. Saiu do Tatuapé, bairro da Zona Leste de São Paulo, pilotando sua Lambretta LI, 1972, com sidecar original e suspensão independente. Como companheiro de aventura seu pai, José Ambrósio, de 71 anos. “Minha paixão pelas Lambrettas começou quando vi uma foto da minha mãe ao lado de uma Lambretta LD”, conta o colecionador que tem um acervo de cinco Lambretas, uma Garelli e uma Moto Graziella. 

Entre tantas raridades e histórias comoventes, encontramos José Carlos Caldeira, motociclista de 83 anos. Fundador do Veteran Motorcycle Club chegou pilotando um Zundapp, de 250cc, fabricada na Alemanha em 1950. Com uma coleção de 16 motos, entre alemãs, inglesas, suíças e tchecas, Zeca, como é mais conhecido, viaja sempre de moto pele interior de São Paulo. “Porém, hoje é dia de falar sobre as motos e reencontrar velhos amigos”, explica o veterano, dizendo que não se lembra mais quando começou a pilotar motos.

 "O 6º Encontro Moto e Cia Classic foi um sucesso. Mais um ano conseguimos reunir colecionadores e apaixonados por motos clássicas que tiveram a oportunidade de se encontrarem e voltar no tempo com tantas raridades restauradas com muito primor", explica Antonio Carlos Lopes, organizador do evento.



Fonte:
Agência Infomoto




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