China: Salão de Motos com sotaque italiano

Primeira edição do Eicma China 2010 tem como objetivo vender mais para seu mercado interno.

Por André Jordão

Aldo Tizzani

Com mais de 1,3 bilhões de habitantes, a China é o maior mercado consumidor do mundo, que pode gerar muitos frutos se for bem explorado. Também não se pode deixar de lado a força produtiva de um dos países mais fechados do mundo. No segmento de duas rodas, por exemplo, os chineses são os maiores fabricantes do planeta, com cerca de 27 milhões de motos/ano. As vendas para o mercado externo têm crescido de 20 a 40% nos últimos anos. Mas o grande desafio dos chineses é estimular e ampliar as vendas de motos para o uso interno. O principal problema é que em várias cidades chinesas há restrições quanto ao uso da motocicleta. Para reverter este quadro e tentar “popularizar” a motocicleta na China foi realizada a primeira edição do Eicma China Motorcycle Show (Cime), que aconteceu entre 11 e 13 de junho, em Pequim.

O Cime foi organizado por meio da joint venture entre a China Chamber of Commerce for Motorcycle (CCCM), Genertec International Advertising & Exhibition e a italiana Eicma, que realiza anualmente o Salão da Motocicleta em Milão.

A abertura da feira, que aconteceu com grande pompa em frente ao National Agricultural Exhibition Center, contou com a participação do vice ministro do Comércio chinês, Jiang Yaoping, do diretor do Instituto Italiano para o Comércio Exterior (ICE) em Pequim, Antonino La Spina, e também do presidente da Confindustria Ancma, Corrado Capelli.

Em modestos 20 mil metros quadrados foram distribuídas mais de 100 expositores, entre eles as montadoras chinesas Haojue, Zongshen, Qingqi, Lifan e Loncin.  De olho nos mercados do Oriente, as principais marcas italianas também marcaram presença: Ducati, MV Agusta e Malaguti. Juntaram-se ao Eicma China 2010 as nipônicas Yamaha e Suzuki e a francesa Peugeot. O Salão contou ainda com a participação de outras empresas do segmento de duas rodas como, por exemplo, Magneti Marelli, Regina, Givi, Ducati Energia, Caberg, Nolan, Luma, Oxygen, Motoinfinito e PPG Unilever. Já na parte externa do pavilhão exibições de free style e trial.

Para os italianos, o Cime foi uma oportunidade de ampliar o relacionamento com o gigante asiático e, consequentemente, multiplicar suas vendas. Hoje, há várias marcas italianas efetivamente instaladas na China. Por exemplo, a Ducati tem uma revendedora em Xangai; a Piaggio produz modelos em parceria com Zongshen e a Benelli foi adquirida pelo grupo Qjiang. Agora duas perguntas ficam no ar. Quanto tempo vai durar o namoro entre italianos e chineses, já que os orientais são conhecidos por copiarem produtos de todos os tipos, de isqueiro até um automóvel? O que ninguém soube responder também é se em 2011 haverá uma segunda edição do Eicma China.
 
Confira as principais atrações do Cime 2010:

Ducati
A Casa di Borgo Panigale, que pretende abrir uma concessionária em Pequim, exibiu todos os modelos da linha 2010. Claro que a grande vedete foi a Multistrada 1200, bigtrail que é a grande rival da BMW R 1200 GS. Na família das superesportivas destaques para a 1198 S e também um exemplar da Edição Especial da 1198 Corse, que celebra o sucesso da marca italiana nos campeonatos de Superbike e Superstock. As outras atrações ficaram por conta da Monster 696, Hypermotard 796 – que alias já chegou ao Brasil – e Streetfigher.

MV Agusta
Marca imortalizada pelo piloto Giacomo Agostini nas pistas de motovelocidade, a MV trouxe para Pequim a nova F4, modelo superesportivo que oferece alto desempenho, muita tecnologia embarcada e o premiado design italiano. De quebra as versões 990 R e  1090 R da família naked Brutale.

Malaguti
Empresa familiar que começou a fabricar bicicletas em 1930, hoje a Malagutti tem sua história ligada aos ciclomotores e aos scooters. Para o Eicma China, a marca apresentou modelos entre 50 e 500 cc.

Loncin
Para quem não sabe, a chinesa Locin é a empresa responsável pela fabricação do motor da BMW G 650 GS que roda no Brasil. No Salão de Motos de Pequim, a montadora exibiu uma pequena esportiva batizada de LX150 Spitzer. Totalmente carenada, a motinho tem como base um motor monocilíndrico de 150cc de capacidade cúbica, refrigerado a ar e equipado com câmbio de cinco velocidades.

O propulsor gera 11 cv de potência máxima a 8.500 rpm. Segundo o fabricante, a LX150 Spitzer chega a incríveis 100 km/h. Outra novidade é a Rover 250, uma legítima motard fabricada na China. Pelas especificações técnicas traz um motor muito semelhante ao da “falecida” XT 225 – monociclíndrico refrigerado a ar, com 223 cc de capacidade cúbica e 22 cv de potência máxima. A supermotard chinesa conta com rodas de 17 polegadas e está calçadas com pneus de perfil esportivo - 110/70 (D) e 130/70 (T). Segundo a Loncin, a Rover 250 pode atingir até 115 km/h.

Piaggio-Zongshen
A joint venture entre a Piaggio-Zongshen apresentou um moto que lembra a Dafra TVS Apache, principalmente pelo conjunto óptico. Batizada de BYQ, o modelo traz motor DOHC (Duplo Comando no Cabeçote) de 144 cc de capacidade cúbica, que gera 12,5 cv de potência máxima. 

A marca chinesa Zongshen também exibiu a ZS500GS. Modelo de características esportivas, a moto chinesa conta com motor de 500 cc de capacidade cúbica com refrigeração líquida. A moto tem como base estrutural um quadro tubular em aço, suspensão dianteira invertida e traseira monobraço em alumínio, além de freios a disco em ambas as rodas. Hoje a Zongshen é a 75ª empresa de capital privado do país oriental, segundo pesquisa da Federação da Indústria e Comércio da China.

Jialing
Uma das principais marcas chinesas de motocicletas, a Jialing produz cerca de 100 modelos, com motorizações que variam entre 50 e 600 cc. Dois destaques na primeira edição do Cime. Uma espartana 125 equipada com motor que gera 10 cv de potência máxima e que pode, segundo o fabricante, rodar 35 km/l. A outro é a JH 600 é uma on-off/road dotada de motor monociclíndrico, de 600 cc de capacidade cúbica, com refrigeração líquida. Produz 32,5 cv de potência máxima. Com 225 de peso a seco, o modelo conta com freio a disco em ambas as rodas. Alias, este modelo foi exibido no estande da Traxx, no último Salão Duas Rodas. 

Benelli-Qjiang
Adquirida pela Qjiang no final de 2005, a marca de origem italiana apresentou no Salão de Pequim um protótipo de uma naked de 600 cc de capacidade cúbica. O motor é um quatro cilindros em linha. A parte ciclística conta com garfo invertido, monoamortecedor lateral e grandes discos dianteiros e fixados por pinças radiais.  Já o quatro recebeu uma estrutura mista, ou seja, tubos de seções oval e retangular, além de escapes sob a rabeta. Um mix de tudo que conhecemos – Kasinski Comet 250 , Yamaha XT 660R e XJ6.

Janshe
Com a parceria da Yamaha, a Janshe apresentou em Pequim a YBF 139. Uma 125 projetada para ser econômica e com baixa emissão de gases poluentes. O motor, monocilíndrico refrigerado a ar, gera 10 cv de potência máxima e, segundo o fabricante, roda mais de 60 quilômetros com um litro de combustível. A velocidade máxima é próxima de 100 km/h.

Lifan
É um dos mais importantes fabricantes chineses. Entre CUBs e streets de baixa cilindrada, destaque para a X600, protótipo de um autêntica esportiva: quatro cilindros em linha, quadro dupla trave confeccionado em aço. Segundo a empresa, a produção deve começar em 2011.


Fonte:
Agência Infomoto

Compartilhe:

Receba notícias de moto.com.br