BMW INOVA SISTEMAS DE SEGURANÇA

ABS Integral ganha evolução; Controle de Estabilidade chega ao mercado em 2007.

Por Thiago Fuganti

Pensando em tecnologias avançadas de segurança, a BMW Motorrad apresentou neste mês dois sistemas de controle dinâmico para as motocicletas: o ABS Integral e o Controle Automático de Estabilidade. O primeiro, criado há alguns anos pela fabricante alemã, passou por um considerável processo evolutivo, que foi responsável por fornecer as bases para o surgimento do segundo item, cuja principal característica é controlar a tração em uma moto de produção.

A nova tecnologia ABS Integral — trabalhada em parceria com a empresa Continental-Teves — foi desenvolvida separadamente em relação ao sistema anterior, com um layout concebido do zero. Aproveitando os avanços tecnológicos nas áreas de hidráulica e eletrônica, os engenheiros de desenvolvimento conseguiram simplificar a arquitetura do aparato e ao mesmo tempo aprimorar suas funções, elevando-o a um patamar ainda maior. O resultado foi uma potência de frenagem expressiva e distâncias de frenagem muito curtas, mesmo sem acionamento elétrico sobre os freios.

O novo ABS não é mais baseado no princípio do êmbolo ou, respectivamente, no processo de pressão do aríete usado nas gerações anteriores, mas ao invés disso é concebido como um sistema de válvulas. Herdado das aplicações automotivas, este conceito de controle agora é capaz de garantir um padrão muito alto de conforto e conveniência totais sob todos os aspectos.

Em particular, o feedback da modulação da pressão do freio sobre a alavanca do freio foi reduzido com o desenvolvimento recente das válvulas de controle e gerenciamento, a tal ponto que ele não produz mais qualquer efeito adverso, desta forma preparando o caminho para a introdução do novo sistema também no segmento topo de linha das motocicletas BMW.

O sistema aplica uma pressão de frenagem sobre o freio da roda dianteira por meio apenas de um circuito hidráulico, atuando completamente em resposta às forças operacionais aplicadas na alavanca de mão. Isso, por sua vez, garante uma sensação mais direta dos freios, um efeito particularmente importante para o piloto esportivo. E agora o condutor não precisa mais se acostumar a mudanças no controle ou operação dos freios quando passa a usar uma motocicleta com ABS.

A função semi-integral — a ativação automática do freio da roda traseira ao acionar o freio da roda dianteira — foi mantida no novo ABS. No entanto, ao pressionar apenas o freio de pé, o piloto (como no caso de um sistema convencional) ativa apenas o freio da roda traseira.

Da mesma forma que no sistema anterior, uma das vantagens deste freio integral é a distribuição ideal da força de frenagem entre ambas as rodas sob quaisquer condições, levando em consideração as condições de carga, claro. Outro benefício é um controle aperfeiçoado que permite que o motociclista detecte com antecedência o risco da roda traseira levantar durante a aplicação dos freios e tome as medidas adequadas para evitar tal ocorrência.

Para fornecer a função integral desejada, a pressão de frenagem para o circuito da roda traseira é gerada por uma bomba hidráulica controlada eletronicamente. Isso oferece a vantagem de gerenciamento e controle de pressão de forma completamente independente do circuito da roda dianteira —o pré-requisito para uma distribuição dinâmica, adaptável e ideal da força de frenagem na roda traseira, assim como um controle e gerenciamento totalmente independentes dos freios.

Em caso de problemas na bomba hidráulica ou nos componentes elétricos, o freio da roda traseira é acionado hidraulicamente como em um sistema convencional, substituindo a função integral. Isso não afeta o funcionamento adequado do freio dianteiro. A única diferença é que a função ABS não está mais operacional em caso de tais problemas.

Quanto ao Controle Automático de Estabilidade ASC, é uma função de auxílio adicional e útil, particularmente em uma motocicleta de alto torque e em pilotagens sob condições variáveis em superfícies escorregadias. O ASC, na prática, é a contrapartida lógica do ABS.

O sistema evita que a roda traseira gire de forma descontrolada em situações de aceleração intensa, impedindo assim a perda das forças laterais e da estabilidade, o que faria com que a roda traseira oscilasse sem controle. A detecção de elevação e a intervenção servem para evitar que a roda dianteira empine quando a motocicleta é acelerada com força total. Atuando em conjunto, essas duas funções aumentam a estabilidade de condução e ajudam a garantir um alto padrão de segurança na estrada, podendo ser desativada pelo piloto a qualquer momento, mesmo durante a pilotagem.

Como o ABS, o ASC também é sujeito a certas restrições nas curvas graças à física de condução de uma moto. É essencial observar que o ASC não é capaz de estender, muito menos substituir, os limites físicos da estabilidade de uma motocicleta quando ela se inclina em uma curva.

Os princípios básicos do sistema e de suas várias funções são bastante diretos: os sensores ABS na roda determinam a velocidade de giro das rodas. Ao registrarem qualquer mudança repentina na diferença entre as velocidades das rodas dianteira e traseira, a unidade eletrônica de controle é capaz de detectar qualquer risco de giro em falso da roda traseira, e o gerenciamento do motor responde imediatamente, intervindo no ângulo de ignição para reduzir a potência do motor. Caso isso não seja suficiente, isto é, caso seja necessária uma redução maior da potência do motor, a injeção de combustível será cancelada durante um tempo determinado.

Este tipo de controle e gerenciamento é rápido e sensível, e qualquer efeito sobre o conforto e a dinâmica de condução é praticamente imperceptível. Ele será introduzido como um extra opcional nos modelos touring das séries BMW K e Boxer e estará disponível no mercado a partir de 2007.

Fonte:
Equipe MOTO.com.br

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