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Roteiro em Petrópolis (RJ) com a Harley-Davidson Street Glide

20 de August de 2014
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Aldo Tizzani

Encravada na Serra Fluminense, Petrópolis é a “cidade de Pedro”, já que as terras que deram origem ao município - fundado em 1843 por Dom Pedro II - pertenciam ao seu pai, o Imperador Dom Pedro I. Point no inverno, a cidade é para os cariocas o que Campos de Jordão é para os paulistas. Só que com muito mais charme, requinte e história. A Cidade Imperial conta com um belo patrimônio arquitetônico preservado, muitos atrativos históricos, hotéis e pousadas aconchegantes, além de uma gastronomia bastante diversificada. Isso sem falar na beleza da região que é abraçada pela Mata Atlântica. 

Para chegar até lá escolhemos a Harley-Davidson Street Glide, uma das integrantes da Linha Rushmore, cujos novos modelos tiveram um incremento de desempenho, tecnologia, conforto e novo design. A Street Glide é uma touring despojada, mas tão divertida quanto sua irmã mais equipada, a Ultra Limited. Com a “nossa” HD revisada, tanque cheio, bagagem nas malas laterais e, é claro, um pen-drive recheado do melhor do “classic rock”, era hora de pôr o “pé-na-estrada”. A partir dai, a Street Glide se transformaria numa “máquina do tempo” que nos levaria a conhecer parte da história do final do Segundo Império e início da República.

Nesta viagem tudo estava conspirando a nosso favor: sol, céu azul e zero possibilidade de chuva. Para melhorar iria conhecer uma cidade que sempre me encantou graças a seus ilustres personagens.

O encanto começa já no trajeto e também na Serra Fluminense. Nesta primeira visita a Petrópolis, pude perceber que, apesar de nossos poucos quinhentos e poucos anos, o Brasil é muito rico. Rico em sua história e rico também em seus personagens, entre eles Alberto Santos Dumont, a Pai da Aviação, que, aliás, era um 'habitué' na cidade e era muito admirado pela realeza brasileira, principalmente pela Princesa Izabel, filha de Dom Pedro II.

No total, a HD Street Glide rodou quase 1.500 Km. Os maiores trechos de deslocamentos aconteceram nas rodovias Presidente Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro; e a BR-040, elo entre Minas Gerais e Bahia, passando pelo Rio. Aliás, pilotar pela 040 (Rodovia do Aço) é pura diversão e o trecho que cruza a região de Petrópolis é repleto de curvas, com asfalto excelente e, de quebra, emoldurado por paisagens fascinantes. Rodar ali já valeu qualquer esforço, inclusive o desgaste nos inúmeros pedágios.

Pontos turísticos e gastronomia
Depois de algumas horas na estrada, a chegada a Petrópolis foi tranquila. A cidade é bem sinalizada e a maioria dos pontos turísticos está no Centro Histórico. Petrópolis oferece boas opções de compras, passeios, atividades culturais e uma vasta agenda de eventos. Vale a pena dar uma parada nas delicatessens alemãs para saborear alguns dos produtos típicos, sempre bem acompanhados por um chope gelado, uma “especialidade da casa”. Mas, se beber, não pilote. Por isso deixe sua “companheira de viagem” descansando no hotel.

Além do Museu Imperial - que serviu de residência para Dom Pedro II e que hoje abriga as relíquias da época do Império -, o centro histórico têm inúmeras atrações: a casa de veraneio de Santos Dumont, o Palácio Rio Negro, o Palácio de Cristal, a Catedral São Pedro de Alcântara, e outras construções curiosas, como a Casa da Ipiranga, mas que todos conhecem como “Casa dos Sete Erros”, devido a sua arquitetura irregular. Detalhe: a Avenida Koeler, que liga o centro a catedral, é considerada o principal corredor arquitetônico da cidade. Lá estão casas, casarios, mansões e palacetes construídos na época em que a nobreza brasileira desfilava com suas charretes pela cidade. Os nobres se foram, mas hoje as charretes levam turistas para passeios.

A gastronomia, influenciada pela imigração alemã e italiana, oferece aos visitantes boas opções de bares e restaurantes. Em Petrópolis, o imperdível bolinho de bacalhau com o tradicional chope é pedida certa na Casa D'Angelo - Rua do Imperador, 700 – ou petiscar e beber uma cerveja bem gelada no Marowil Rink, na Praça da Liberdade, ambos bem no centro.

O distrito vizinho de Itaipava é o principal destino para quem quer cometer os pecados da gula. Com grande número de restaurantes famosos, Itaipava também conta com pousadas badaladas e aconchegantes, como a surpreendente Pousada Tankamana.

Dumont e o Mundo das Duas Rodas
Mineiro de nascimento, Alberto Santos Dumont adotou Petrópolis como seu refúgio. Durante 14 anos passou os verões na cidade. De sua casa no alto da colina ele escrevia, fazia ensaios e observava as estrelas. Entre balões, 14bis e Demoiselle, Dumont sempre foi fascinado pela engenharia mecânica e motores à combustão – vindo das motos. Em 1892, por exemplo, Dumont promoveu a primeira corrida de mototriciclos em Paris. O Pai da Aviação usou uma bicicleta presa às cordas do Balão "América". Além disso, Santos Dumont é o precursor do trem de pouso. No 14bis, por exemplo, utilizou rodas de uma bicicleta. Mas a principal ligação entre o inventor e a motocicleta foi o uso do motor Buchet, tradicional fabricante francesa de carros e motos, tornando-os aptos para o uso aeronáutico no início do século XX.

Em seu livro "Santos Dumont e a Invenção do Vôo", o professor Henrique Lins e Barros cita o uso deste tipo de propulsor nas invenções de Dumont. O Demoiselle também estava equipado com um compacto motor Clément-Bayard refrigerado à água e que gerava 40 hp. Com dois cilindros opostos, como os boxer da BMW, tinha um desempenho extraordinário para a época. Atingia 110 km/h e necessitava de apenas 200 metros para a aeronave decolar. Em seus inventos, Dumont ainda usou motores Dion-Button, considerado o primeiro motor de combustão interna de alto desempenho. Sua arquitetura de dois cilindros em “V” foi licenciada para mais de 150 fabricantes. Foi uma escolha popular entre as montadoras de motocicletas no início dos anos de 1900, como as norte-americanas Indian e Harley-Davidson.

Ouro líquido
Para os amantes da cerveja, a região oferece três opções de Beer Tour: Centro de Experiência Cervejeira Bohemia, Cervejaria Petrópolis (Itaipava) e Cervejaria Imperial. Optamos pela Bohemia, considerada a cervejaria mais antiga do Brasil, fundada em 1853 pelo colono alemão Henrique Kremer. Totalmente interativo, o passeio conta a criação da cerveja, a história da bebida no Brasil e no mundo, as variações de tipo e copos ideais para o consumo. O tour faz uma visita a sala do mestre cervejeiro, um alquimista moderno que tinha como princípio criar a perfeita combinação entre os elementos da natureza e os ingredientes usados na produção do “ouro líquido”, a cerveja, que foi até usada como moeda de troca. É possível conhecer ainda todos os processos de fabricação e, para finalizar em grande estilo, brindar com uma cerveja bem gelada. A visitação acontece de quarta a sexta, das 11h às 16h30. Sábado e domingo das 11h às 18h30. O ingresso custa R$19,50. Rua Alfredo Pachá, 166, Centro.

Gallery 275
Entre nobres, visionários, empreendedores e inventores, encontramos um apaixonado pela história da motocicleta no Brasil. Com um sobrenome ligado a realeza, Guaraci de Oliveira e Silva atua restaurando motos das décadas de 1970, 1980 e 1990. Depois de restaurar suas próprias bicicletas, em 1987, em parceria com o amigo Carlos Alberto de Paiva, comprou uma Honda CT90 Trail 1972, de oito marchas – quatro normais e quatro reduzidas – usada nas plantações de fumo. Hoje, o Museu de Motos “Gallery 275” conta com um acervo de 110 motos – de 50 a 1.100cc - e têm mais de duas dezenas a serem recuperadas. No galpão de 600 metros quadrados é possível encontrar algumas raridades, entre elas, as Yamaha YB50, RS125, RS100, F5B, FS1, DT125 e R5 250; as Honda SS50, S90, ST70 e CJ 250; as Suzuki A50, A100, GT185, GT250 e GT380. Além do único exemplar no Brasil da Kawasaki A1 1970 Special 250cc.

Com um bar temático e muitas referências da década de 1980, o Gallery 275 é ponto de encontro de motociclistas aos sábados. “Metido” a mecânico, Guaraci trabalha atualmente com logística e diz que este acervo será seu legado. “Isso aqui é uma parte importante da história da motocicleta no Brasil. Isso aqui é minha vida. Aqui tem muito amor, dedicação e horas de trabalho”, finaliza emocionado. O “Gallery 275” fica na Rua Cândido Portinari, 275, Bairro Mosela. O ingresso custa R$ 10,00. Informações: gallery275.com.br ou (24) 2235-8512

Guia de Petrópolis

Outras atrações
- Museu Imperial – O Palácio em estilo neoclássico abriga mobiliário e objetos da família Imperial – Rua da Imperatriz, 220 – Centro.
- Catedral São Pedro de Alcântara – De estilo neogótico francês, na bela catedral estão os restos mortais de Dom Pedro II e de sua esposa Dona Teresa Cristina. – Rua São Pedro de Alcântara, 60 – Centro.
- Museu Casa de Santos Dumont – A inusitada casa foi residência de verão de Alberto Santos Dumont. Conservada, seu interior reflete a simplicidade e criatividade do pai da aviação. Há vários documentos, livros, esculturas, homenagens, um exemplar de sua marca registrada – o chapéu – e réplicas de suas criações – Rua do Encanto, 22 – Centro.
- Casa da Ipiranga – Mais conhecida como Casa dos Sete Erros, foi erguida em 1884 por José Tavares Guerra, afilhado do Barão de Mauá. Seus jardins foram projetados pelo botânico francês Auguste Glaziou - Av. Ipiranga, 716 – Centro.
- Palácio Rio Negro – Construído em 1889 pelo Barão do Rio Negro. É utilizada como residência de verão dos presidentes da república, tradição iniciada em 1903. Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Fernando Henrique passaram por lá. O mais recente hóspede foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Av. Koeler, 255 – Centro.
- Palácio de Cristal – Por iniciativa do Conde D’Eu, foi construído na França e inaugurado em 1884. Atualmente abriga eventos culturais e shows de música brasileira – Rua Alfredo Pachá, s/nº - Centro
Mais informações e atrações no site petropolis.rj.gov.br

Onde ficar
- Solar do Império - Formado por dois antigos casarões construídos em 1875 e 1893, respectivamente, ambos foram restaurados e tombados pelo IPHAN. Com um belo jardim, o palacete têm 24 suítes, em quatro categorias distintas: Master, Real, Imperial, e Standard. Todas equipadas com camas king size, TV LCD com sistema de HDTV, DVD, internet wireless, ar quente e frio e frigobar. Diária a partir de R$ 437. Fica no centro histórico, av Koeler, 376. Site: solardoimperio.com.br ou (24) 2103-3000.
- Pousada Tankamana - Esta dica é para quem quer tranquilidade, privacidade e com um toque de romantismo. Fica a 20 minutos de Itaipava com acesso por estrada de terra (cerca de 4 quilômetros). Por isso é indicada para motos trail. Encravada no Vale do Cuiabá, a pousada conta com 16 chalés bem equipados, todos construído no melhor estilo country sofisticado, alguns com hidro outros com ofurô. Destaque para o restaurante que oferece uma gastronomia contemporânea internacional e brasileira. Experimente a truta com banana ou o creme de queijo servido no pão orgânico. Diárias a partir de R$ 485. Estada Júlio Capua, 0. tankamana.com.br ou (24) 2222-9181.

Onde comer
- Bordeaux – Instalado no antigo estábulo da Casa da Ipiranga, o restaurante oferece cardápio variado e excelentes vinhos. Funciona também como empório de vinhos. – Rua Ipiranga, 716 – Centro - bordeauxvinhos.com.br
- Luigi Pizzaria – Fica na Praça Rui Barbosa, 187, no Centro Histórico. Em um ambiente simples e bom atendimento, a pizzaria conta com uma boa variedade de sabores: da tradicional Margherita até opções doces. (24) 2244-4444.
Como chegar
- Rio de Janeiro – Fica a cerca de 70 km do Rio pela BR - 040
- Belo Horizonte – Também pela BR-040 a capital mineira fica a 400 km de Petrópolis
- São Paulo – São quase 500 km de distância. Segue-se pelo Corredor Ayrton Senna-Carvalho Pinto e Via Dutra até Volta Redonda. Siga a RJ 393 até a BR – 040. Se tiver tempo e preferir rodar pela região de serra passando por Piraí, Mendes, Miguel Pereira, Paty do Alferes e Araras até sair na BR – 040 e chegar a Petrópolis.
- Pedágios - Durante a viagem o que pesa na conta é a quantidade de pedágios e os preços abusivos cobrados por algumas concessionárias. Por exemplo, cheguei a pagar R$ 5,45, na via Dutra. Assim, há um desgaste natural do motociclista em parar a moto, tirar a luva, pegar o dinheiro, pegar o troco, guardar o comprovante, calçar as luvas e seguir a diante. Isso sem contar com a falta de segurança, já que não há cabines exclusivas para moto. O piloto fica a mercê de um motorista desatento, um carro desgovernado ou até mesmo uma poça de óleo. Os valores dos pedágios variam entre R$ 1,05 e R$ 5,45. Por isso, ao fazer este roteiro, reserve R$ 50 só para os pagamentos. 

Harley-Davidson Street Glide
De cara a Street Glide chama a atenção por sua carenagem frontal, batizada de “BatWing”, com o peculiar para-brisa compacto escurecido, e com um duto de equalização da pressão dianteira de ar, que reduz a turbulência em 20%, segundo a marca. Reformulada para 2014 por meio do projeto Rushmore, o modelo touring apresenta sistema de freios Reflex com ABS conectado eletronicamente, que distribui a força de frenagem em ambas as rodas. O item age de acordo com o peso da moto, velocidade e força aplicada no freio. Sendo assim, o sistema regula automaticamente a distribuição da frenagem para a proporção mais adequada naquela situação. A sensação que dá é que o condutor está pilotando e freando um maxiscooter, tal a eficácia e controle oferecido pelo sistema Reflex.

Outra mudança que merece destaque são os garfos dianteiros mais robustos – os tubos passaram de 42 mm para 49 mm – que aperfeiçoam a ciclística e melhoram a resposta da suspensão. Resumindo: o conjunto está mais firme e apresenta mais estabilidade.

A Street Glide, que tem preço sugerido a partir de R$ 69.900, está equipada com o motor Twin Cam 103 High Output de 1.690 cm³ com novo sistema de admissão e fluxo de ar, que melhorou o desempenho desde as baixas rotações. Segundo a Harley, oferece 5% mais torque e potência que a versão anterior – de 13,8 kgf.m para 14,3 kgf.m. Em sexta marcha engatada, os dois cilindros em “V” da Street Glide entregam potência de forma progressiva. A cerca de 3000 giros, a moto encontra seu “ponto de equilíbrio” com velocidade de cruzeiro a 130 Km/h. Em todo o percurso, esta HD fez quatro abastecimentos. A melhor média na estrada foi de 18,20 Km/l, a pior, 17,40 Km/l. Rodando em trechos travados e em perímetro urbano, a melhor medição foi de 14,50 Km/l (a pior, 13,80 Km/l).

O gostoso desta moto é fazer a curva mais aberta e deitar a moto, deixando o peso da Harley trabalhar, sem pressa e abrindo o acelerador gradativamente. A partir dai é explorar o torque, que vem de forma dócil, sem sustos.

Outros pontos positivos desta companheira de viagem, que me acompanhou por cerca de 1.500 quilômetros, foram o conforto e a ergonomia. Cheguei em casa “zerado”, pronto para a próxima aventura.

Na parte de entretenimento, computador de bordo da Street Glide conta com tela colorida de 4,3 polegadas, saída de áudio de 25 watts por canal, dois alto-falantes originais de série de 5,25 polegadas, Bluetooth, porta USB para conectar dispositivos eletrônicos, incluindo iPod/iPhone, MP3, cartão SD e telefones celulares, funções de rádio AM/FM e tela de informações com temperatura do ar, pressão do óleo e sistema de gerenciamento de temperatura em marcha lenta. Tudo de fácil visualização e acionamento, já que há comandos de acionamento nas laterais do display e também nos dois punhos. Assim, Elvis, Cat, Bono, Michael, Prince, Bruce, David e Ozzy foram de carona nesta inesquecível “trip”. 



Fonte:
Agência Infomoto
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