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Expedição da foz à nascente do Rio Amazonas

23 de June de 2015
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Cícero Lima

Poucos lugares do mundo geram tanta curiosidade nos estrangeiros quanto a Amazônia. Motivos não faltam, já que se trata do mais importante bioma do mundo. Uma região acessível somente pela água ou pelo ar. Mas para cinco amigos de diferentes nacionalidades esse não seria empecilho para desbravar a região com suas motos. Eles rodaram boa parte por estradas de terra, outra parte do trajeto foi feito em barcos e assim completaram uma aventura que começou na foz do rio Amazonas, no Estado do Pará, e seguiu até sua nascente na Cordilheira dos Andes. A viagem teve início em setembro de 2014 e levou dois meses para percorrer 9.500 km e, assim, esmiuçar a maior bacia hidrográfica do planeta conhecendo seu povo e seus costumes.

Um ano antes de desembarcar no Brasil o grupo iniciou o planejamento da viagem. Quem teve a ideia foi o brasileiro Marcelo Leite. Com a experiência de quem já deu a volta ao mundo de moto, sabia que a Amazônia atrairia os amigos do exterior. Assim Chris Cowper (Austrália); Guy Mathew (Reino Unido); Jean-Christophe Balasse (França) e Julio Velastegui (Equador) juntaram-se a Marcelo Leite nesta aventura. A expedição deu origem ao livro e ao documentário “Raízes do Rio Amazonas” (250 páginas, Editora Gente, 2015) com fotos, vídeos e relatos do aventureiro brasileiro.

Motos iguais
A escolha do mesmo modelo de moto, todas BMW F 800GS Adventure, teve uma razão logística: “Além da confiabilidade, teríamos que transportar menos peças de reposição, o que diminui consideravelmente o volume e peso da bagagem”, explica Marcelo. Acompanhados por um grupo de cinegrafistas a expedição teve início em Curuçá, no Pará, onde o maior rio do planeta desemboca.

O lugar, pouco conhecido dos brasileiros, fica a cerca de 100 km da capital Belém e foi o ponto de partida em direção a Manaus (AM). Às margens do rio Tocantins os amigos rumaram para Novo Repartimento, ainda no Pará. Infelizmente, o início da viagem preparou uma péssima surpresa para Guy. O inglês caiu em um buraco escondido pela camada de lama solidificada pelo sol, uma armadilha capaz de “engolir” a roda da moto. “Foi uma queda feia, mas ele recebeu um ótimo atendimento em Santarém, porém teve que voltar para o Reino Unido”, relembra Marcelo. A partir de então, em apenas quatro pilotos, a expedição seguiu seu caminho, rumo ao interior da Amazônia pela BR-230, a famosa Transamazônica.

Para sorte dos aventureiros, durante a viagem ocorreram poucas chuvas, mas mesmo assim a lama era impiedosa nas estradas que ligam cidades como Santarém (PA) e Humaitá (AM). O uso dos pneus fora de estrada e o aumento da distância do para-lama dianteiro foram soluções adequadas para superar os lamaçais. Mesmo assim demoravam mais de uma hora para percorrer dois quilômetros. Pontes em estado precário e outras destruídas também foram grandes desafios.

O grupo pegou então a BR 319 até chegar a Manaus. Marcelo define a capital amazonense como: “uma vila no meio da floresta com dois milhões de habitantes”. Para os outros integrantes da viagem encontrar aquela metrópole cercada por uma imensidão de água foi surpreendente.

Pela água
Agora começava outro trecho interessante e cansativo da viagem. O entra e sai dos barcos com as motos, coisa exigia muita força física e determinação. Encaixar as rodas e passar as motos nas tábuas é uma tarefa árdua: qualquer vacilo e a moto, que pesa mais de 230 kg, poderia cair e ficar para sempre no fundo do Solimões.

Navegando pelos rios, o grupo pôde conhecer um pouco mais da vida dos ribeirinhos. Nas pequenas vilas ou cidades a população foi se surpreendendo com o grupo que mais parecia uma missão da ONU, falando línguas estranhas e com um sorriso de quem está descobrindo um mundo diferente. Apesar da barreira da língua, a motocicleta foi um fator de socialização. “Muitos queriam saber mais sobre as motos, afinal nunca viram modelos grandes como os nossos, mas convivem diariamente com esse veículo”, relembra Marcelo.

Foram mais de 1.000 quilômetros percorridos em diversos tipos de embarcações. Desde os enormes barcos regionais, com vários andares, até as voadeiras (pequeno barco de casco baixo e motor de popa). As voadeiras são como uma picape para a população local. Nela são transportadas as mercadorias até as cidades e também as motos. Pois muitos que moram na beira do rio, onde não há estradas, têm uma moto em casa. E, sempre que vai à cidade, a leva junto.

Foram vários dias em um entra e sai de barcos para conhecer muita gente e muitos lugares inusitados como aldeias e pequenas vilas. Cidades grandes como Tefé e Tabatinga são consideradas grandes centros populacionais na floresta. Tabatinga é a última cidade a oeste do Brasil. Lá existe a fronteira seca, ou seja, uma linha pintada no chão, que divide o Brasil e a Colômbia. Por ali, seguiram ora por terra, ora por barcos até Iquitos, no Peru. Começava o último trecho da viagem, então pela estrada.

Objetivo final
Motos desembarcadas, chegava a hora de rodar no Peru e se aproximar do grande objetivo: atingir a nascente do Rio Amazonas, que fica no Nevado Mismi. Bastava acelerar para chegar à cidade de Tingo Maria, conhecida como a Porta da Amazônia. A partir dali, a floresta dava lugar às montanhas.

O rio, antes largo e calmo, ficou caudaloso. As estradas tornanram-se sinuosas, contornando as montanhas. A pele morena e delicada dos índios da região amazônica dava espaço aos traços rústicos, típicos dos habitantes das regiões mais altas da Cordilheira, sempre castigados pelo sol, pelo vento e pela altitude.

Curtindo a mudança de geografia, os aventureiros pilotaram por boas estradas de terra e começaram a subir a Cordilheira. A exatos 5.196 metros de acima do nível do mar, as motos tiveram de ser abandonadas e os aventureiros seguiram o final da jornada a pé. Os quatro estavam no local onde nasce o rio Amazonas. Com planejamento e dedicação percorreram da foz até a nascente, pela água ou pela terra descobrindo mais sobre um Brasil desconhecido, porém surpreendente.

Serviço
“Raízes do Rio Amazonas. Da Foz à Nascente: retratos pela maior bacia hidrográfica do mundo” (2015)
Autor: Marcelo Leite
Editora Gente – 250 páginas
Preço: R$ 95,00 - acompanha um documentário de 30 minutos em DVD com o relato da viagem e entrevistas com habitantes da região
Mais informações dwq.com.br



Fonte:
Agência Infomoto
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