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Documentos para rodar no Mercosul

14 de July de 2011
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O casal de motociclistas Guga Dias e Elda se prepara para uma nova aventura de duas rodas em uma viagem de ida e volta de São Vicente (litoral de SP) até a região de Machu Picchu (Peru), percorrendo cerca de 11 mil quilômetros em um período de cerca de 50 dias. Essa antiga trilha é conhecida por Caminho do Peabiru e foi construída pelos incas por volta do ano 400 DC.

A partida para essa jornada pelos Andes está programada para o dia 31 de julho. Enquanto isso, o casal finaliza os preparativos e comenta um pouco das questões sobre os documentos necessários para realizar esse tipo de viagem pela América do Sul com motocicleta sem maiores problemas com fiscalização de outros países. Acompanhe o relato:

Para viajar pela América Latina – nosso roteiro passará por Paraguai, Bolívia, Peru, Chile e Argentina – são necessários uma série de documentos, lembrando que cada caso é um caso, um documento, uma exigência que às vezes não passa de solicitação equivocada e em alguns casos pedidos sem cabimento algum.

Em viagens por terra, é necessário dar entrada e saída dos países visitados, então é prudente levar ao menos duas cópias de cada documento para cada país percorrido, e não há nada que impeça de ser novamente parado e as cópias solicitadas.

Viajando de moto, você pode se enquadrar em três situações distintas:

1 - Moto quitada no seu nome
2 - Moto de terceiro (quitada ou financiada)
3 - Moto alienada (financiada)

Para as três situações a Carta Verde é obrigatória. Ela é um seguro contra acidente com terceiros que é válido nos países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai).

O Chile é um pais associado ao Mercosul mas não integrante. Aceita a Carta Verde, diferente da Bolívia que não exige tal documento. Já o Peru, apesar de ser também associado, mas não integrante, exige outro documento de seguro que falarei a seguir.

A Carta Verde pode ser tirada em seguradoras ou despachantes e seu custo é calculado com base no número de países e dias de viagem.

Nosso grupo providenciou este seguro com a Consede Seguro e para três países e 50 dias de rodagem o custo ficou em R$ 310.

Se a sua moto estiver em seu nome e quitada, você pode tirar a Carta Verde nas fronteiras. O custo cai bastante, mas vale lembrar que o documento só vale para o país que você estará ingressando. Ao cruzar outra fronteira terá que tirar nova Carta Verde.

É a velha história que o barato sai caro. Nesse esquema você pagará em média R$ 60 por Carta Verde, mas vai ficar tomando um chá de cadeira além de correr o risco de ser achacado... Sabe com é, já que tá ali... a ocasião faz o ladrão!

Na situação de moto alienada, financiada por bancos, com posse desta Carta Verde, você deve entrar em contato com o banco financiador e solicitar uma Autorização para circular com a moto por países estrangeiros.

Cada banco chama essa autorização de um nome... no Bradesco ela é “Declaração de Viagem ao Exterior”

No caso do Bradesco o pedido pode ser feito por e-mail ou fax, e são solicitado cópia do CNH, CRLV e Carta Verde. A autorização é enviada para o seu endereço em até 10 dias úteis.

Mais uma vez tire cópias desta autorização.

Eu liguei nos consulados do Peru, Chile e Bolívia e quase cai para trás diante de tanta burocracia.

Todos me pediram que eu enviasse CNH, CRLV e Autorização do banco para o Itamaraty legalizar e só então, com posse dos carimbos do Itamaraty, eu levaria ao consulado para chancelar essa autorização.

Acontece que o contato com o Itamaraty só se dá via Correios e pode levar até 20 dias úteis. Um absurdo em tempos onde a digitalização de documentos pode ser encontrada em cada esquina e que talvez não haja um ser adulto no mundo sem e-mail!

Tá bom... um ser que viaja de moto, que seja! (rs)

Enfim, burocracia ao extremo e que não acabava por ai. No consulado da Bolívia eu ainda tinha que mandar traduzir estes documentos com um Tradutor Juramentado e só depois deveria ir ao consulado pagar uma taxa de R$ 60 e aguardar 24h.

Quando disse que eu tinha pouco tempo para isso, fui informado que – “não há garantias que tais documentos sejam cobrados na Bolívia” (sic) – então vou para estrada assim mesmo.

Consultando o Atie, do Buena Vista MC, um velho amigo meu que já rodou a América Latina em todas as direções possíveis, me informou que durante a viagem nada disso é pedido, que ao sair do Brasil solicitarão autorização do banco e demais documentos, mas que depois a nossa procedência não será mais o nosso país de origem e que a partir disso o que vale é os documentos da moto e pessoais.

Nosso terceiro caso é o mais chato, é a moto em nome de terceiros. Seja no nome do seu pai, esposa ou da empresa, neste caso será preciso uma declaração do proprietário autorizando você a circular com a moto pelos países X, Y, Z... essa declaração deve ter firma reconhecida, e a ela somada cópias autenticadas. Em posse delas, aí sim deve-se ir nos consulados pegar a chancela que valida tal documento. Mesmo assim, esqueça esse papo de levar no Itamaraty... isso não pegou ou sei lá o que.

• Passaporte. Ele não é exigido no Paraguai, Argentina, Uruguai, Peru e Chile onde apenas a Identidade (RG) é solicitada, porém, o mesmo tem que estar em perfeito estado e sua data de emissão não devem ultrapassar 10 anos.

 • Carta Internacional de Habilitação – PID – é outro documento que não é cobrado... é bom tirar por via das dúvidas, mas são poucos os motociclistas que declaram que foram solicitados a apresentar. Custa em média R$ 250 e tem a validade da CNH usual.

No Peru como dito acima, não é aceito a Carta Verde e em seu lugar foi instituído o SOAT em janeiro de 2011. Esse seguro contra acidente de terceiros pode ser tirado na Aduana Peruana.

Conversando com o amigo Policarpo que segue para o Alaska na Jornada 3 Américas, em Cusco custa barato, U$ 13.

• Certificado Internacional de Vacinação constando a vacina de Febre Amarela e boa viagem.

Na volta eu relato o que me pediram e o que sequer apresentei!

Informações
Guga Dias
falecom@diariodemotocicleta.com.br
www.diariodemotocicleta.com.br

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Fonte:
Equipe MOTO.com.br
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