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De Santa Catarina até o Uruguai

25 de April de 2011
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Giovani Nicoletti

Estando há muito tempo sem ter a viseira do capacete toda grudada de insetos numa longa viagem de moto, era mais do que hora de pegar uma boa estrada. O destino já estava decidido, a cidade de Rivera, no Uruguai, na fronteira com Santana do Livramento (RS).

Tenho 46 anos e sou professor universitário, motociclista há 11 anos, os últimos 10 de forma contínua e moro em Rio do Sul-SC. Sendo a moto, Suzuki Bandit N 600 2004, comigo há 5 anos, muito robusta e mantida de forma impecável, estando com 25 mil km.

Foi a minha terceira viagem de moto (sempre em vôo solo) de mais de 1000 km, não tendo assim, muita experiência no assunto, ainda que conhecendo bem o Brasil e outros países, por conta de atividades profissionais e de turismo realizados.

Na saída, às 7h30 de sábado, o tempo nublado e com chuviscos no trecho sinuoso e perigoso da BR-470, no Alto Vale do Itajaí requereu muita atenção e cuidado na pilotagem. O tempo limpou e a estrada também, após o entroncamento com a BR-116, sinalizando a transição para o planalto catarinense.

O caminho escolhido foi entrar pelo RS via Barracão, ir até Coxilha e logo, pegar a BR-285, passando Passo Fundo até o trevo de Cruz Alta e descer pela BR-158. Parando para abastecer 3 vezes (Barracão, Cruz Alta e Santa Maria) e com mais 2 paradas para breve descanso, consegui tocar sem almoçar, não sentindo fome (incrível o poder de 2 barras de cereais...) até a cidade de Rosário do Sul.

Pilotando a última meia hora de viagem já em plena noite, fiz 846 quilômetros neste dia, numa tocada média de 100 km/h a 110 km/h, apreciando as belas paisagens de campos cultivados, soja e milho em plena colheita, alternando coxilhas e pastagens naturais, em meio a enormes retas de um asfalto bem cuidado e com pouco movimento, numa condução muito prazerosa.

A moto, fazendo uma média de 19 a 21 km/l, dava uma boa autonomia, porém nesta região, os postos de combustível são escassos. Em Rosário, a dica recebida no Hotel Areias Brancas para jantar, foi muito boa, na beira do rio, na praia de mesmo nome, traíra na grelha com arroz e salada e uma cerveja bem gelada, apreciando o movimento do povo, sentado em cadeiras na calçada, famílias conversando e tomando chimarrão num clima de muita tranquilidade.

No domingo, faltando então 115 km para chegar a Santana do Livramento/Rivera, saí às 10 horas da manhã, cruzando os campos do fim do Brasil. Já neste trecho, um vento algo forte e frontal, trouxe um frio, para balançar o calor da tocada de sábado. Parando para fotografar o Cerro Palomas e visitar a vinícola Almadén, estava só a 15 km do destino final.

Após o check-in no Hotel Tamoio, um bom almoço, num bom restaurante e a bom preço, foram o aperitivo ideal para uma tarde de passeio e compras em Rivera, usufruindo dos produtos importados pelas grandes free-shops, que ficam abertas até as 19h no domingo.

Rivera e Santana do Livramento são agradáveis cidades irmãs, originadas no início do século XIX e dentro de um mesmo ambiente urbano, com o centro de ambas em cima de um morro, e os bairros descendo pelos flancos.

À noite, mais passeios pela Calle Sarandi, em Rivera, rua do comércio, restaurantes e do agito da moçada uruguaia, com seus celulares e motinhas chinesas em profusão. E vários turistas brasileiros também, tudo muito tranqüilo, seguro e organizado, bem diferente da fronteira entre Foz/Ciudad del Este, por exemplo.

Na segunda, às 09h50, iniciei o retorno, tocando pelo mesmo caminho (BRs 158 e 285) até Lagoa Vermelha, chegando na boca da noite, após rodar cerca de 650 quilômetros. Com a dica de uma moça logo na entrada da cidade, o Hotel Oro foi uma boa escolha, honesto, limpo e barato.

Jantei na lanchonete Baraios, um incrível bauru ao prato, com enorme e suculento bife mais ovo, queijo, presunto e salada fresca. Acompanhou bem uma cerveja gelada... ora, pois. A temperatura tinha caído para uns 14 graus.

No outro dia, seguindo após Vacaria, pela BR-116 até Lages (parada para um café e leitura de revista de moto),com trechos em manutenção e muito tráfego de caminhões, tomei a BR-282, a SC- 425 e novamente a BR-470, estando de volta a Rio do Sul lá pelas 14h, e com toda a satisfação que só uma viagem de moto pode trazer.

O único porém registrado,foi que logo ao entrar em SC, o painel da moto apagou e rodei os últimos 195 km no escuro, por não desejar ter que liberar a bagagem em cima do banco, sob cujo compartimento estão bolsa com ferramentas e fusíveis.

Em casa, troquei uma peça e o painel acendeu novamente. Talvez por rodar um bom tempo com a luz alta acesa... Quanta diferença em rodar pelas estradas do centro-sul do RS, num cenário amplo, com curvas suaves, em bom pavimento (motos não pagam pedágio) e que, mesmo com algum movimento, caso da BR-285, não se compara as agressivas e perigosas rodovias dos vales de SC, com suas curvas e serranias de intenso movimento.

Aprecio muito os motores de 4 cilindros,por várias razões,porém acho algo problemático, em longas distâncias, o excessivo giro (Bandit 600 a 120 km/h, em sexta, a 6.000 rpm, por exemplo). Estou analisando troca por V-Strom 650 ou por GSXF-650 (Bandit carenada).

O “motonauta”  Giovani Nicoletti participou do Moto Repórter, canal de jornalismo participativo do MOTO.com.br. Para mandar sua notícia, clique aqui.



Fonte:
Equipe MOTO.com.br
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De Santa Catarina até o Uruguai

Comentários ( 13 )


karafa -

postado em:13/08/2011, 17:48:28

Excelente relato Giovani, gostei muito das fotos também... Como já citei no e-mail fiz boa parte desse trajeto, passando por Rivera e concordo plenamente sobre a tranquilidade do lugar, principalmente em se tratando de fronteira-sêca. Realmente o Cerro Palomas é imperdível! Seu texto coloca a gente na viagem... Dá uma vontade irresistível de botar o pé na estrada novamente! Parabéns meu novo amigo!

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Sergio -

postado em:28/04/2011, 21:00:36

Giovani,Parabéns pela viagem! Em 08/Jan/2011 eu e um amigo fizemos uma viagem de 9995 km saindo de Taboão da Serra e e fomos até o Chile. São estradas maravilhosas e paisagens de filme. Recomendo. As pessoas são extremamente solicitas e simpáticas. As dicas são: Leve gasolina sobressalente e muito cuidado com o vento na estrada. Foram 19 dias inesquecíveis que passei na estrada. Abraço. Dica: Fui de V-STROM 650 e recomendo. Confortável e econômica. Cheguei a rodar +/- 1600km em um dia(loucura)

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Corech -

postado em:28/04/2011, 20:45:08

Também fui de moto para Rivera, mas saí de Caxias do Sul, uns 600km. Fui com uma Bandit 650S, perfeita para isso. Meu amigo foi de CBR600RR e não reclamou!

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Marcos -

postado em:26/04/2011, 21:39:40

Belo relato Giovani. Dia 29 deste parto para uma solo também. Vou aí para o sul. Vou pegar o trecho Jaragua/Pomerode, ouvi dizer que é bonito. Passarei na sua terra a caminho de Urubici(serra corvo branco e morro da igreja, serra rio do rastro), Torres, rota do sol, Gramado, Bento Gonçalves e por último São José dos Aurentes. Vou com minha "xistezona meia/meia". Um abraço;

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RODRIGO -

postado em:26/04/2011, 19:38:03

PARABENS AMIGO, PELA SUA VIAGEM, EU AINDA FAÇO UMA DESSAS, SOU FÃ EM VIAGEM DE MOTO, TANTO QUE ACABEI DE CHEGAR DE UMA, FUI DE POÇOS DE CALDAS MG , TERRA ONDE MORO, ATÉ NA SUA REGIAO, CONHECER A SERRA DO RIO DO RASTRO , MORRO DA IGREJA ...... MUITA BONITA SUA REGIAO

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Luiz -

postado em:26/04/2011, 12:11:42

Ola amigo, parabens pela viagem! Eu tenho tambem sou apaixona por motores de 4 cilindros, tive uma Falcon mono cilindro, depois tive uma Hornet, giro sempre la em cima tambem, foi quando conheci minha atual moto uma CBR XX SuperBlack Bird.... super show, uma bolha grande, confortavel para o piloto e garupa tem boa altonomia tanque de 24 lintros, em 6 marcha a 3 mil Rpms com a patroa na garupa ela atinge exatos 100 km/h, rodamos mais de 2 mil km, experimente uma vai ser amor a primeira vista!

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Marcelo -

postado em:26/04/2011, 11:08:12

Amigo Giovani, estou abismado com a exaltação pela V-Stron 650. Dessa vez a suzuki acertou em cheio. Potência, conforto(piloto e garupa) e autonomia numa mesma moto. Estou lendo o relato da viagem do amigo Policarpo Jr. no site: Rockriders pelas américas. E ele só fala bem da V-Stron 650 que o acompanha. E eu acho que é assim que se avalia uma boa moto. Grande abraço.

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Maurício -

postado em:26/04/2011, 10:15:30

Giovani, já tive a 650F, e atualmente possuo uma V-Strom 650. Depois de muitas motos que tive, posso te dizer que achei a moto ideal, excelente para estrada, com muito conforto para piloto e garupa, e que anda relativamente bem na cidade. Boa sorte!

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Bugre -

postado em:25/04/2011, 21:21:22

Prezado Giovani, parabéns pela viagem e pelo relato! Já fiz esse trecho, é simplesmente maravilhoso. Bem, quanto à melhor moto, a discussão é longa...Minha sugestão para quem gosta de boas rodovias, é uma touring, de preferência uma Harley Davidson Electra... gosto não se discute, mas vc viajar ouvindo suas músicas preferidas, não tem preço... Minha última viagem pelo sul está relatada aqui na seção viagens em 20/03/2009. Também faço comentário sobre o prazer de rodar com a HD. Abraço

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Fabio -

postado em:25/04/2011, 19:10:41

caro Giovani, primeiro meus parabéns!! finalmente uma materia escrita por alguem que sabe português. Quanto a moto, aceite uma opinião de que as usa por mais de 30 anos, com milhares de kms de estrada rodados..vá de VSTROM 650 ou similar. Nada se compara a um bom parabrisa!

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Fernando FZ-1 -

postado em:25/04/2011, 18:25:15

Giovani, tive uma bandit 600 que tinha esta caracteristica, acho super desconfortavel, pois parece que o motor vai explodir ! ai comprei uma bandit 1200, que não tinha este problema e gastava quase a mesma coisa na estrada. Abraço a todos

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Dionisio -

postado em:25/04/2011, 18:11:26

Parabens pelo relato, mas se vc gosta de viajar, a melhor opção é uma big trail: DL650,DL1000, G650GS ou similar.

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Fritz -

postado em:25/04/2011, 16:38:30

Muito interessante o relato. Parabéns! Um comentário sobre a troca de moto: Tenho uma GSX-650F e aos 120 km/h em sexta marcha o motor também gira por volta dos 6.000 RPMs. Abraço!!

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