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''Causos'' da estrada: Companheiros

15 de September de 2008
''Causos'' da estrada: Companheiros
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Mário Sérgio Figueredo

Há alguns dias, conversando com um amigo num chat, ele relatava-me uma viagem recém-realizada pelo seu motoclube. Pude perceber que o passeio daquele grupo não trazia boas lembranças, pelo contrário, continha mais dissabores do que diversão e prazer propriamente ditos.

Pelo seu relato, os desentendimentos começaram antes mesmo da partida, que havia sido marcada para as 7h30 da manhã, e a despeito de tudo que havia sido combinado em reuniões preliminares com todos os candidatos a viajante, chegou a hora da partida e alguns confirmados não apareceram.

Ao ligar para seus celulares souberam que os “amigos” ainda estavam em casa, dormindo, evidenciando total desrespeito com seus futuros colegas de estrada. No final, acabaram saindo às 9h, uns bronqueados com os outros, o que desencadeou novos acontecimentos desagradáveis no percurso, mas não os abordarei por serem irrelevantes ao tema deste texto.

Esse é talvez o maior problema que vejo na participação de motoclubes. Os relacionamentos são impostos pelo acaso, ou seja, não há como escolher seus companheiros de estrada com critérios que poderiam assegurar uma convivência agradável.

É difícil conter alguns integrantes que pelo simples fato de vestir o colete do MC transformam-se de forma imprevisível, deixando aflorar o ego, colocando em risco a imagem do motoclube e até mesmo a segurança física dos demais integrantes.

Talvez esses tenham sido os fatores determinantes na minha decisão de não mais participar de motoclubes. Optei em continuar viajando apenas com amigos, aqueles garimpados no decorrer do tempo.

Viajar de moto proporciona um prazer indescritível que somente é superado quando na viagem você está acompanhado daqueles amigos que preza, respeita e goza da mesma reciprocidade de sentimentos.

Só que até você chegar à conclusão de que determinada pessoa merece o título de “seu amigo”, é uma tarefa demorada de observação e lapidação das arestas complicadoras do relacionamento.

O mais comum é encontrar comportamentos displicentes e desinteressados. Por isso, é muito difícil achar companheiros perfeitos para viagens, quer seja para aquelas breves de final de semana ou as mais longas, que demandam maior cumplicidade e preparação. Comum é encontrarmos companheiros de uma única viagem, por vários motivos.

Nem sempre os gostos combinam; um gosta de correr mais e se incomoda de manter o ritmo do grupo, não se importando em perder o convívio silencioso da estrada e a alegria de ver o outro a sua frente ou pelo espelho retrovisor; outro tem mais poder aquisitivo e não se sujeita a acampar ou freqüentar hotéis e restaurantes mais modestos e adequados ao bolso do restante da turma; outros não gostam de parar para apreciar as coisas bonitas da estrada, e o pior, alguns não dão o necessário auxílio quando alguma das motos quebra no meio da viagem, esquecendo que é na superação dos momentos difíceis que as amizades se solidificam.

Enfim, várias coisas conspiram contra quando se busca achar os companheiros ideais, tal qual achar uma namorada em condições de se tornar esposa. Só depois de muitas viagens, muitas tentativas, se tiver sorte, dá para escolher parceiros fixos que realmente sejam companheiros e confiáveis, numa relação em que haja um mínimo de sintonia de gostos de uma maneira geral. Exigir a perfeição seria querer demais.

Mesmo assim, com os passeios e viagens se sucedendo, ainda é preciso ir trabalhando as relações, um cedendo daqui, o outro cedendo de lá e aos poucos se cria uma convivência agradável e duradoura que trará benefícios mútuos, deixará muitas fotografias, momentos para relembrar com satisfação e alimentar a expectativa da próxima oportunidade de renovar e fortalecer esses laços de amizade. Comum ver relatos de amizades que nascem dessa forma e duram uma vida inteira, transportando-se da estrada para a convivência familiar.

Sempre gostei de viajar em grupo, por prazer e até por segurança no caso de quebra da moto ou até mesmo um pneu furado no meio do nada, mas muitas vezes fui sozinho para a estrada porque às vezes as agendas são inconciliáveis; quando podemos viajar, nossos amigos não podem ou quando eles podem, nós é que estamos ferrados no trabalho ou noutro compromisso, sem possibilidade de acompanhar a turma e acabamos ficando em casa na maior vontade e frustração.

Mesmo quando viajo só, sinto que nunca estou realmente sozinho, pois a moto apesar de tão discriminada atrai as demais pessoas e desperta nelas admiração e um pouco de inveja sadia pela sensação de liberdade que ela transmite. Seja lá onde for que se pare, sempre há oportunidade de conversar com pessoas e outros motociclistas que a gente encontra pelo caminho.

Contei aqui no meu primeiro “causo” que numa parada para abastecimento num posto de gasolina da BR-116, no Estado de Santa Catarina, encontrei o Comandante Rolim, aquele da TAM, também motociclista solitário, indo encontrar seus amigos que o aguardavam em Porto Alegre para de lá seguirem em grupo para o Chile. Se estivéssemos de carro, nem teríamos nos olhado e sequer aproveitado aquela meia hora fantástica que ficamos batendo papo. Nem preciso dizer qual foi o assunto que norteou nossa conversa.

No causo “Eita informação boa”, relatei que numa outra ocasião, viajando sozinho, encontrei uma turma com perto de 35 motos pequenas, de um motoclube de outra cidade. Estavam perdidos e os acompanhei por um bom trecho de estrada, até que nossos destinos se separaram por vias diferentes. Por algum tempo “troquei idéias” com alguns deles por e-mail. O motoclube já se desfez, basicamente pelos motivos abordados nos primeiro parágrafos desse texto.

Em ambos os casos, se morássemos na mesma cidade, talvez até pegássemos alguma estrada juntos e nascesse desse encontro ocasional uma sólida relação de amizade e companheirismo.

É como diz a letra da música Canção da América: “Amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves dentro do coração”, dada a dificuldade e o trabalho que dá fazer novos amigos de estrada.

Diria que é muito verdadeira essa feliz afirmação do Milton Nascimento, que nos convida a preservar e valorizar as amizades sinceras e sem cobranças.

Abraços e até o próximo causo.

O “motonauta” Mário Sérgio Figueredo participou do Moto Repórter, canal de jornalismo participativo do MOTO.com.br. Para mandar sua notícia, clique aqui.



Fonte:
Moto Repórter
Comentarios ( 15 )

Leo - /
postado em: 16/09/2008, 15:10:40

Mário + uma vez parabenizo-o pelo texto. Concordo Ypsis literis com ele. cabe elogio a qualidade Ortográfica do mesmo. Fico feliz de ler textos sem êrros de Português. Continuo afirmando:ainda ñ tive coragem de entrar em um Motoclube, justamente por temer participantes q ñ sabem se comportar em grupo. Prefiro andar sozinho, mesmo sabendo dos riscos q isso envolve. Ultimamente está quase impossível se descobrir pessoas educadas e decentes para compartilhar contigo qualquer atividade. Abraços
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Cludio - /
postado em: 16/09/2008, 10:50:02

Nem vou me alongar muito, minha primeira moto foi lá por 1978 era uma RD200, e desde então poucas vezes andei em grupo grande, nunca tive interesse por MC ou MG, pelo que foi relatado, realmente na maoria das vezes o lance é ir sózinho, pois as pessoas as vezes colocam uma noto na garagem nem sabem porque, pois não andam e ocorrem essas coisas de combinar e na hora desistir, então que não entre meio. Ser muito rdical no horario já percebi que não funciona, mas de qualquer jeito nos vemos por ai.
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HenriqueReis - /
postado em: 16/09/2008, 10:07:23

Caro Marquinho: sou o feliz proprietario de uma Cagiva Elephant 900, moto esta que talvez voce nem tenha conhecimento. Sou motoqueiro desde 1984, ano da minha primeira CG. Digo motoqueiro porque no "Aurelio" isso significa o mesmo que motociclista, coisa que qualquer membro de moto-clube discorda. Por fim, para se fazer boas amizades naum eh preciso nem ter moto, basta ser sociavel e ter humildade. Desculpe-me se magoei voce, mas esta continua sendo minha opiniaum.
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Marquinho - /
postado em: 16/09/2008, 05:48:51

Henrique,com certeza vc não tem moto e muito menos é um motociclista,pois todos os comentários relatados aqui é sobre companheirismo,liberdade e apreciar toda beleza q.uma viagem nos proporciona,pois a melhor coisa q.existe é quando conhecemos novos companheiros e suas desventuras q.a estrada lhes proporcionou.Um abraço a todos,sou fã desse espaço q.a MOTO. COM abriu p/ os motociclistas contar sua historias,pois é isso q.procuramos nos encontros q.participamos e não o que Henrique acaba de citar
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HenriqueReis - /
postado em: 15/09/2008, 23:45:45

Eu acho esse negocio de moto clube uma tremenda balela. Primeiro que nos encontros de motos soh tem homem, sendo raro os encontros onde pode-se apreciar belas mulheres; e em segundo lugar porque 95% desse bando de "macho" (que costumam brigar de turminha), enchem a cara de cerveja o dia inteiro e depois saem acelerando imprudentemente. Lei Seca neles!
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Geraldo Meira - /
postado em: 15/09/2008, 19:31:35

Nada mais inconsequente que certos tipos de "amigos" para se fazer uma viagem! Nessas horas filtro com quem devo viajar. Dou preferência viajar com amigos, mas nem sempre é possivel por causa dessas divergências. Companheirismo é algo muito significativo e independe das cilindradas tem a moto do companheiro! Prefiro uma CG de pura amizade do que uma Haiabusa de falsos "irmãos-de-estradas". Viajar sozinho não é e nunca foi meu lema, às vezes é uma consequência!!!
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Helvecio - /
postado em: 15/09/2008, 15:32:32

Finalizando: seja livre seguindo seus preceitos, lembrando que você é uma aguia, portando não deve viver com uma galinha. Sua liberdade requer aventuras e novos horizontes. Não se contente apenas em ciscar o chão e receber alimentos. Obs. Nosso moto grupo é aberto a todos. Contatos (61) 3463 6363 - Helvecio(presidente)
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Helvecio - /
postado em: 15/09/2008, 15:27:42

continua...11-Conserve sua moto, seu ano de fabricação nunca vai exigir uma plástica. Ela será sempre coma a conheceu. 12- Pilote sempre equipado, principalmente com a chave de casa, e só tire o equipamento em casa, depois de conferir o humor da patroa 13-Não ande com temporal. Pare em um posto de abastecimento, de preferência que tenha mesa, cadeira e um aperitivo, a chuva passa mais rápido
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Helvecio - /
postado em: 15/09/2008, 15:15:06

continua..7-Não dispensar mulher para honrar sua masculinidade. Se for feia, tome um porre 8-Se você não empresta sua mulhe, não deve emprestar sua moto. Mulher não precisa de oficina 9-Pague a passagem ou dê um vale-transporte; mas não leve homem na garupa 10-Dividir sua paixão pela moto com 20% para sua companheira. A moto não briga, não grita com você e sempre ajuda a conseguir outras, nunca te atrapalha. Um lembrete: em se tratando de sexo, aí é 100% para sua mina
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Helvecio - /
postado em: 15/09/2008, 15:06:55

Para todos interessados, o regulamento de: OS 100 COMPROMISSO 1- Não ser virgem (com exceção do signo) 2- Beber qualquer coisa, além de água, com cuidado para não dormir na rua 3- Não brigar, se for pra apanhar 4-Não usar o nome de colegas do Moto Grupo, para se justificar em casa 5-Não atender o celular se a chamada for da esposa do colega, sem antes informar ao mesmo, para da tempo de bolar uma desculpa 6-Lembre-se: a moto não foi feita para cair e sim para pessoas equilibradas
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carlos CC - /
postado em: 15/09/2008, 12:56:40

bah tchê, agora fiquei comovido. hehe é bêm assim mesmo, até hoje não pude desfrutar de uma amizade motociclistica aqui na cidade. sou um solitário viajante.. parabéns mário, continue com seus textos.
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Ricardo - Curitiba - /
postado em: 15/09/2008, 12:52:23

É real o que foi bem retratado neste texto. Sempre tive a sorte de ter meus amigos, inclusive meu Pai, me acompanhando em viagens. E posso dizer que não tem coisa melhor. Acho meio descriminatório esse negócio de "só aceitamos membros com determinada moto". Acho que antes da moto, temos que ver quem é o motociclista. Na primeira viagem que eu fiz, na época eu tinha uma cg125 e meu amigo uma cb500, o cara me acompanhou com parceria mesmo. Isso soh aumentou o respeito q eu tinha pelo cara...
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Edu - /
postado em: 15/09/2008, 12:15:05

Amigos, motoclubismo nada mais é que socialização, é frequentar os mesmos ambientes com pessoas que tem uma mesma paixão: o motociclismo. É claro que as pessoas são diferentes, tem necessidades e expectativas diferentes, mas isso não deve vir a impedir uma atividade social tão prazeirosa como o motoclube. Andar só é muito chato, isso sem contar as festas e churrascos que são feitos periódicamente nos clubes. Faço parte de um, gosto demais, problemas vão existir, sempre, mas as amizades também.
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Elwino - /
postado em: 15/09/2008, 11:54:17

Antes de eu entrar em um moto clube, avalei muita coisa, tipo tem que ficar em"experiência" por um determindao tempo, tem que participar de reuniões semanais, tem que usar o colete mesmo quandoestiver andando de moto sozinho e por aí a fora. Nada a ver conigo. Então descobri que existem moto clube que a unica "obirgação" é estar inscrito no clube e mais nada. No caso eu participo do clube XT600. Mas sei de outros que tem o mesmo estilo, Como os Saharamaníaco e outros.
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Helvecio - /
postado em: 15/09/2008, 11:20:00

Concordo plenamente com o relato do Mario. Estive lendo um regulamento de um moto clube, e as exigências não condiz com a liberdade que a moto nos propiciona. Criei um moto grupo "OS 100 COMPROMISSO", pelo nome já se tem nossão da total liberdade entre nossos membros. Vou colocar seu regulamento do Moto Reporter, estarei tentando agora mesmo.
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