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Atacama Parte III - Final

26 de March de 2013
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André Vegas

Olá Amigos, finalmente consegui um tempinho para finalizar o relato desta aventura, as coisas estão muito corridas no dia a dia. Até consegui fazer mais uma viagem de moto em 2012 e agora em Abril de 2013 faremos outra pequena, mas desta vez vou tentar ser mais objetivo e finalizar o relato com nossa experiência no Atacama em 2010. Finalizamos o último relato contando a confusão com a polícia do Chile, felizmente sem grandes agravantes.

Após o ocorrido seguimos pela Rota 5 em direção ao Norte, neste dia o objetivo era esticar até San Pedro do Atacama. Definimos esse objetivo cortando um desvio que gostaria de fazer, a ideia inicial era descer sentido litoral na cidade Taltal e seguir pela Rota 1, que beira o oceano e tem paisagens belíssimas do pacifico, mas tivemos que abortar este desvio, pois teríamos que rodar muitos quilômetros a noite e o desgaste natural de tantos dias na moto estava evidente. Então seguimos diretamente pela rodovia principal que nesta região é totalmente isolada e deserta. Ao longo dos quilômetros somente os postos de abastecimento e é claro a sensação e paisagem do deserto, afinal estamos cruzando a imensa região do Atacama. Fazendo apenas as paradas essenciais, para abastecer, comer e “esticar o esqueleto”. Neste dia percorremos mais de 700 km, algo comum em nossa aventura.

No meio da tarde chegamos a Antofagasta, faltavam mais 300 km para San Pedro, onde ficaríamos alguns dias para realmente descansar. Estávamos exaustos, mas decidimos seguir estes últimos quilômetros, mesmo sabendo que iria anoitecer antes de chegarmos. Por um pouco de ingenuidade e falta de experiência seguimos da forma que estávamos, com a mesma roupa, mesmo equipamento. Ainda antes de escurecer atravessamos uma pequena cidade em ruínas abandonada, foram as últimas fotos antes de congelarmos! Para quem vem do litoral para San Pedro, o caminho é de subida, ali começamos a subir a região da formação da cordilheira e conseqüentemente a somatória dos fatores: maior altitude, região de deserto e o anoitecer fizeram a temperatura cair drasticamente. Não tinha um termômetro, mas nossa sensação térmica estava pior ali do que quando estávamos no vale nevado, dias atrás onde a temperatura estava próxima de zero.

Após nos comunicarmos decidindo o que fazer, resolvemos parar no acostamento para colocar mais proteção. Se eu soubesse o que o efeito de tirar a luva poderia fazer! Em 3 minutos que fiquei sem luvas para colocar mais equipamento de proteção, meus dedos endureceram, não os sentia mais. Realmente fiquei preocupado e andei por alguns quilômetros alternando as mãos próximas ao motor para esquentá-las. Com muito frio e em um breu total, seguimos mais cuidadosamente, encolhidos e atentos aos quilômetros que faltavam. E nestes, a última surpresa do dia... É natural que ao se aproximar do seu destino você relaxe mais com o sentimento de deu tudo certo, no caso destas viagens você começa a pensar aonde irá se hospedar, o que vai jantar, se vai ficar na cidade mais de um dia, enfim começa a planejar suas próximas ações.

Antes da nossa aventura, li vários relatos sobre viagens ao Atacama e definitivamente não sabia deste detalhe que nos assustou muito ao chegar. Mas aos “marinheiros de primeira viagem” que chegam a San Pedro do Atacama: Cuidado, O asfalto da rodovia acaba! Sim, de uma hora para outra, sem avisos que eu tenha percebido e com motos que não são preparadas para o “fora de estrada” o asfalto acabou e entramos literalmente a 100 Km/h na terra. Foi um grande susto e preocupação, primeiro tratei de manter o controle e estabilidade para não cair, ao mesmo tempo comecei a gritar para o intercomunicador ligar e eu avisar meu pai que vinha logo atrás. Novamente um grande susto que felizmente acabou bem. Mas, atenção pessoal que esta se preparando para conhecer essa região, essa foi a primeira vez que passei por uma rodovia assim.

Sabia que a cidade de San Pedro era toda de terra, mas imaginava uma rodovia toda asfaltada, e após o acesso à cidade, quando você já reduziu a velocidade e tudo mais, a mudança de terreno acontece. Enfim, a cidade estava com algumas obras e pode ser que tudo isso fosse temporário, mas o cuidado nunca é demais.
A cidade dispensa apresentações e comentários certo? Tenho certeza que a maioria já ouviu falar dos diversos atrativos turísticos de San Pedro e se não ouviu e cair do nada por lá, no centro existem diversas pequenas agências que irão apresentar os passeios disponíveis, é muito fácil e praticamente todos tem o mesmo custo. Nos hospedamos no primeiro hotel que encontramos, perguntei o preço e por sorte estava compatível com nosso orçamento, então nem vimos outras opções. Jantamos qualquer coisa, só lembro que este dia queríamos dormir.

No dia seguinte, depois de uma merecida noite bem dormida, fomos ao café da manha, que estava servido em uma varanda para todos os hóspedes. Em poucos momentos já identificamos dois brasileiros e fizemos amizade, vieram falar das motos e descobrimos que estavam em uma aventura também, porém de carro, na verdade um jipe. Engraçado, mas eram dois senhores de pelos menos 60 anos ou mais viajando sozinhos com um jipe, muito legal!!

Após o café fomos andar pela cidade, conhecemos o centro, algumas lojinhas, igreja e o “mercado central”, tudo muito simples, rústico e simpático. Procurávamos um caixa eletrônico para sacar “la plata”, pois o hotel não aceitava cartão e os caixas eletrônicos estavam todos sem dinheiro. Pegamos as motos e fomos abastecer para ir ao Salar Atacama. Acredite, a missão abastecer foi bem mais difícil. Primeiro parece que ninguém sabe que tem posto de gasolina, pergunta para um, para outro e finalmente começaram a nos indicar, mas nada de encontrar o tal posto. Depois de muito custo identificamos a tal rua do posto, passávamos e voltávamos à rua todinha e o posto literalmente não era ali. Por fim o tal posto é uma bomba de gasolina no fundo de um dos maiores hotéis de San Pedro, que não é nenhum grande empreendimento.

Com as motos abastecidas seguimos para o Salar, a estrada é ótima até certo ponto, mas é tudo sinalizado, acho que andamos no máximo 10 km no “rípio”. Ao chegar encontramos um pequeno parque, nele alguns caminhos para você percorrer a pé e conhecer o Salar, é um lugar bem contrastante, aquele horizonte branco impressiona. Bem próximo uma laguna com os famosos flamingos, sempre juntos e simulando um balé. Ficamos admirando aquela paisagem linda da natureza, após ser presenteado pelo voo de todos eles, voltamos à cidade para almoçar e sacar “la plata”.

A culinária é diversificada e existem diversas opções para gostos e bolsos, ao redor da praça e nas ruelas é fácil identificar os restaurantes, cafés e outros comércios. Neste dia, comemos uma bela massa! Mas ao tentar sacar o caixa eletrônico continuava na mesma situação. Preocupados, começamos a nos informar e descobrimos que o dinheiro já tinha acabado nos caixas desde o dia anterior e que por ser fim de semana, acreditavam que só haveria o reabastecimento na segunda-feira à tarde. Voltamos ao hotel e explicamos a situação ao dono que nos deixou tranqüilos, apenas teríamos que adiar nossa saída em um dia.

No fim da tarde, tinha programado ir ao Valle de la Luna, um lugar impressionante onde presenciei um dos melhores pôr-do-sol da minha vida. Meu pai cansado e já enturmado com o pessoal de Curitiba preferiu ficar no hotel descansando e lá fui eu para outro passeio solo. O acesso ao parque é feito pela mesma rodovia que chegamos a SPA, tem uma pequena taxa na entrada e você recebe um guia explicativo com as formações e outras coisas mais. Fiz pequenas paradas nas principais formações, conheci uma caverna e segui para maior “duna” do parque, todos estavam a caminho para se posicionar no melhor lugar para ver o pôr-do-sol que se aproximava. A subida não é fácil e lá de cima os carros no estacionamento pareciam brinquedos miniatura.

Encontrei alguns brasileiros que também estavam de moto em SPA e vimos um “sunset” esplendoroso, do lado contrário de onde o sol de punha um gigante e poderoso vulcão.  Foram momentos inesquecíveis, únicos e que ficarão para sempre na minha memória, naquele momento gostaria de ter bons equipamentos fotográficos para reproduzir e eternizar aquelas visões, valeu muito a pena!

Assim que o sol de pôs começou uma salva de palmas com muita gente brindando, pensei em adiantar a volta, pois seria desagradável ficar atrás de todos aqueles carros levantando poeira no caminho de volta, desci rapidamente, subi na moto e retornei para o portão de entrada. “Doce engano”, estava fechado e ninguém para orientar, achei estranho não ver os diversos carros vindo em direção ao que achava ser a saída, neste momento a escuridão já era total e o frio já estava apertando. Resolvi voltar e lá na frente vi algumas luzes, deduzi que deveria seguir sempre em frente e chegaria a outra e correta saída do parque. Nisso estava certo, só não esperava ter outra surpresa na pista: Mais um susto e esse sim “foi por quase”. Após passar o ponto de estacionamento onde estava vendo o pôr-do-sol, segui por um caminho desconhecido, e mantendo uma velocidade de 60, 70 km/h tentava me aproximar dos demais veículos que saíram pelo lado certo, assim pelo menos aproveitaria a iluminação deles.

Novamente o asfalto sumiu e para piorar desta vez não virou estrada de terra... virou literalmente uma “duna”, acho que com o vento, a areia da duna que subimos cobriu, pelo menos, 10 centímetros a estrada de areia fofa, a moto se desestabilizou na hora e minha reação foi só soltar o acelerador e manter o guidão reto, por muita sorte fui parando aos poucos e não tombei. Minhas pernas ficaram bambas e parei por alguns minutos para acalmar. Mais uma vez nada de mais grave aconteceu, só mais uma lição aprendida: ande sempre com mais cuidado que acha que deve tomar! Ao retornar para o hotel encontrei meu pai e o pessoal de Curitiba, durante a conversa já fecharam um acordo que posteriormente eu iria cumprir. Os curitibanos já estavam parados ali há 2 dias, aguardando um ônibus para voltar a Calama na segunda-feira, o Jeep deles estava com uma peça com defeito (freio ou embreagem) e não queriam arriscar ficar na estrada, principalmente naquelas frias e desertas.

Para ajudá-los e aproveitar para sacar dinheiro, no domingo de manhã segui de volta para Calama, fui ao endereço onde eles já haviam encomendado a peça e a comprei, saquei o dinheiro e antes do almoço já estamos arrumando as motos para partir de SPA. Seguimos com destino a fronteira de volta a Argentina, no que chamam de Passo Jama. Mais um local belíssimo para nossa coleção, não sei a altitude exata, mas vi informações sobre 4200 a 4800 metros.

Estava um dia perfeito, céu totalmente limpo, azul celeste, nenhuma nuvem na altitude, nos sentimos no topo do mundo, sem contar os impressionantes vulcões que avistamos durante a travessia. Engraçado a sensação de andar de moto nesta altitude, parece que não existe resistência do ar, o vento gerado pelo deslocamento em velocidade é muito menor e não aparenta que você está a 100, 120 KM/h. Até o ruído no capacete é menor, sem contar a autonomia da moto que fez impressionantes 25 km/l.

Chegamos à aduana e o processo até que foi rápido e bem organizado, entrega papel aqui e ali e estávamos liberados. Ao lado, um posto onde aproveitamos para comer algo. Seguindo agora pelo lado argentino, vale descrever o belíssimo cenário que permeava a rodovia sentido a San Salvador de Jujuy, ao lado direito da rodovia uma vegetação amarela contrastava com o restante da paisagem, lhamas selvagens apareciam em alguns pontos e assim seguimos curtindo este local único. Para chegar a cidade de San Salvador existe uma serra bem íngreme que faz a descida da altitude, ao se aproximar desta serra nos deparamos com uma cena deslumbrante, acredito que por questões climáticas e pela altitude da qual viemos, encontramos no acesso a serra um horizonte de nuvens, literalmente estávamos acima das nuvens e foi impossível não parar para registrar mais este momento. Atravessamos as nuvens descendo a serra e lá embaixo encontramos um tempo nublado e úmido, uma pequena garoa nos acompanhou até encontrarmos algum lugar para pernoitar.

Nos próximos dois dias não exploramos a região do norte da Argentina, apesar de alguns pontos turísticos interessantes os quase 20 dias sobre a moto conhecendo o sul do Brasil, Uruguai, Argentina e Chile estavam pesando e estávamos querendo chegar em casa, rodamos 1600 km entre San Salvador de Jujuy e Foz do Iguaçu por longas e intermináveis retas da Ruta 16 e Ruta 12, como destaque deste trecho apenas os diversos postos policiais com nossos “Hermanos” pedindo “contribuicion” para pintar a delegacia. Sob um calor de 40°C perguntávamos se iriam pintar a delegacia que estava novinha, parecia ter sido pintada há semanas e com a maior cara lavada, diziam: “Si! Como no”- Nada que uns “pesos” não resolvesse, melhor pagar para evitar problemas. Outro destaque inédito para nós foi uma gigantesca plantação de Girassóis, nunca havíamos visto uma plantação de girassóis e é impressionantemente lindo, principalmente devido às grandes proporções das que existem naquelas regiões, acredito que chegamos a percorrer quilômetros e as plantações nos acompanhavam, um lindo horizonte amarelo.

E após os dois dias rodando sem parar no calor do norte Argentino, chegamos ao nosso querido Brasil, lembro que o Waltão quando viu a placa da divisa até me chamou no intercomunicador dizendo não acreditar que chegamos novamente ao Brasil, realmente uma aventura e tanto, cheia de surpresas boas e com muita história para contar. Em Foz aproveitamos para ficar em um hotel “melhorzinho“, demos um pulinho no Paraguai para comprar alguma lembrança e na tarde do outro dia esticamos até Campo Mourão, ponto de parada já conhecido de nossas viagens que passam por Foz do Iguaçu.

No ultimo dia foi só alegria, 600 km para chegar em casa antes do anoitecer, sem muitos detalhes deste trecho que já foi relatado em outras viagens e que muitos já conhecem.

Bom pessoal, é isso tudo! Depois de três publicações, com os detalhes que não saem da minha memória após dois anos desta aventura, consegui finalizar o relato que espero que de alguma forma possa ajudar ou entreter a todos vocês. Foram mais de 10.000 km rodados em cerca de 20 dias, 4 países, diversos estados, 2 travessias da Cordilheira, duas motos, nenhum pneu furado, pai e filho, muito frio, muito calor, chuva e com certeza muitos lugares, paisagens e principalmente momentos e sensações que estão eternizados em nós. Não posso deixar de agradecer a todos que de alguma forma participaram desta aventura como família, noiva e amigos que estão sempre na torcida por nós. E sem dúvida agradecer meu querido e aventureiro Pai que se supera para enfrentar e acompanhar os dias e dias sobre a moto, mesmo com seus 50 e poucos aguentando “quase sempre” o ritmo, com certeza sei que não é fácil. Mais uma vez obrigado a todos!

Recomendo a todos que se organizem e tracem estratégias e objetivos em suas vidas tanto para o trabalho quanto para o lazer. Colecione histórias e momentos especiais. VEGAS Riders: O mundo vive rodando, nós também!

Participantes da Etapa 2010 (Atacama):

André Borges P. R. Vegas
Idade: 24 anos
Moto: Suzuki Bandit 650 S

Walter Rosati Vegas
Idade: 51 anos
Moto: Suzuki Bandit 650 S

Dados para contato: andrevegas@gmail.com

Para visualizar a Parte I desta aventura, acesse:

www.moto.com.br/t/-50061.html

Para visualizar a Parte II desta aventura, acesse:

www.moto.com.br/t/-53673.html

Aproveite e prestigie outros dos nossos relatos publicados:

Route 66 (2010)

www.moto.com.br/t/-33586.html

Sul (Uruguai) (2010)

www.moto.com.br/t/-29683.html

Sul (Argentina / Paraguai) (2009)

www.moto.com.br/t/-34151.html

O “motonauta” André Vegas participou do Moto Repórter, canal de jornalismo participativo do MOTO.com.br. Envie sua notícia!



Fonte:
Equipe MOTO.com.br
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