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A famosa Trilha dos Índios

18 de September de 2008
A famosa Trilha dos Índios
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Maurício

Éramos uma turma bem unida, a turma do Brooklin, e sempre procurávamos trilhas interessantes para viajar. Até hoje, alguns de nós nos encontramos para lembrar as aventuras de 30 anos atrás.

Como sempre, íamos à Boracéia e ficávamos na casa-camping de um dos amigos.  Conversando com caiçaras, ficamos sabendo de uma tal de “Trilha dos Índios”. Pronto! Ficou todo mundo louco para conhecer o caminho.

A primeira vez, depois de encontrar o local onde ela começava (ou terminava), subimos da praia para o planalto. Foi uma loucura total! Mas éramos moleques de 18, 19 anos... bons de moto.

Subimos durante a madrugada, as motos naquela época mal acendiam os faróis, era uma XL 250 (das importadas, aquelas de cor prata), CGs (sem pára-lama dianteiro para não entupir de barro), RDs, RXs e FBMs (que iam desmanchando pelo caminho).

Enfim, rodávamos com o que existia naquela época de mercado fechado. E vocês ainda reclamam do mercado hoje; nem imaginam quanto sofremos a falta de motos! A XL, maior, puxava o trem trilha acima, a escuridão era total, então, como não enxergávamos nada, acelerávamos tudo e mantínhamos o ritmo atrás da lanterna que ia à frente.

Parecia, no escuro, uma trilha tranqüila cercada de mato. O trecho mais estranho foi uma tábua cheia de lama pela qual passamos a toda e em fila. Parecia que ela estava sobre um riacho, pois escutávamos barulho de água.

Cerca de uma hora e meia depois, às 4h da manhã, chegamos a Mogi das Cruzes e paramos em frente de uma padaria. O cheiro de pão nos deixou loucos de fome. Batemos até que o padeiro abriu a porta de serviço e negociamos a venda de pãezinhos e manteiga. Na verdade, impressionado com nossa história da trilha, não nos cobrou nada.

Comemos pãozinho quente com manteiga até estufar. Depois, já com dia claro, resolvemos descer novamente para ver por onde havíamos andado na madrugada. Durante a descida não acreditávamos que ainda estávamos vivos. A trilha quase toda beirava enormes precipícios e pedras pontudas.

Havia trechos onde a largura não era maior que meio metro entre o paredão e o precipício! Imagine se alguém tivesse caído à noite. Fomos descendo com arrepios correndo pela espinha e demoramos umas seis horas para chegar à praia; quatro horas e meia a mais do que o gasto à noite.

Só naquela tábua demoramos uns 40 minutos para passar todas as motos. Ela estava uns 30 metros acima de um riacho que provinha de uma cachoeira e o tínhamos cruzado por ela sem parar. Nossos anjos da guarda, sem dúvida, viajavam nas nossas garupas.

Essa foi uma de nossas trilhas prediletas, descemos e subimos por ela dezenas de vezes. Foi lá que estreamos nossas DTs 180 zerinho. A bendita Yamaha finalmente pôs no mercado algo que podíamos chamar de moto trail.

Compramos umas 11 DTs ao mesmo tempo. Era uma alegria indescritível a molecada toda de DT. Para quem não conheceu essa trilha, hoje há uma estrada construída exatamente por onde ela passava, a rodovia Mogi-Bertioga. Quem conhece a estrada, já passou pela ponte em curva onde há uma cachoeira. Era lá que estava a tábua...

O “motonauta” Maurício participou do Moto Repórter, canal de jornalismo participativo do MOTO.com.br. Para mandar sua notícia, clique aqui.



Fonte:
Moto Repórter
Comentarios ( 9 )

Rudy - /
postado em: 26/09/2008, 17:35:20

O padeiro trocou os pães por outra coisa,e não foi pela história da subida da trilha.
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Rodrigo Vicente - /
postado em: 19/09/2008, 09:34:32

GALERA , QUEM QUISER AS FOTOS DA SAUDOSA DT 180 E DT 200R, SÓ POSTAR O EMAIL QUE MANDAREI COM MAIOR PRAZER. DT 180 ESTA A VENDA, PORÉM A MOTO NAO TEM DOCTO, AINDA COM PLACA AMARELA. ABRAÇOS...
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Vitor - /
postado em: 18/09/2008, 21:28:15

Maurício, muito jóia sua reportagem, não sou do tempo da XL prata e nem da DT, mas fiquei imaginando como deve ter sido a aventura de vocês.
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Mário Sérgio - /
postado em: 18/09/2008, 18:11:07

Maurício, fiquei com o que sobrou da minha cabeleira toda arrepiada com a história da tábua. Carácoles véio, realmente o anjo da guarda de vocês estava na garupa. Muito bom relembrar velhas histórias como as que conto nos meus "Causos". Não pare por aí, conte mais, tenho certeza que você ainda tem muitas histórias que valem a pena ser ouvidas. Abraços.
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Ricardo - /
postado em: 18/09/2008, 17:18:44

Mito bom Mauricio, relembrar os velhos tempos e coisa que nos enche os olhos de agua. Hoje tenho 44 anos e comecei nas trilhas com uma Honda FS125 Lembra? Uma CG disfarcada. Logo depois tive uma TT125 com kit Bufalo... Hoje ando de WR450 e meu filho de 17 nao reclama. Ja comecou com uma Suzuki RM 250, Abraco a todos.
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Leo - /
postado em: 18/09/2008, 15:09:01

Espetacular sua história Maurício, tbem passei por esta fase das XL prata, e concordo qdo dizes q a molecada de hje reclama de barriga cheia. Qto ao RODRIGO VICENTE, vc tem de arranjar um jeito de postar fotos ou quem sabe um vídeo desta sua raridade, agora estamos curiosos. A DT é história viva dos nossos tempos. Foi minha primeira moto roubada rsrsrsr. Muitas saudades bateram. Abraços. Escreve mais Mauríco.
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Eden - /
postado em: 18/09/2008, 10:58:07

Ah, Maurício, você esqueceu uma moto importante que fez parte do meu passado e deve ter feito parte do seu também: Motovi 125! Lembra dela? Aqui na minha cidade ainda tem uma rodando...
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Eden - /
postado em: 18/09/2008, 10:55:01

Maurício, parabéns pela bela reportagem! Dá saudades em quem, como eu, viveu aqueles velhos tempos de XL prata (tanque finiiiiinho...), RX, FBM, etc., e que também passou por aventuras "loucas", não tão radicais quanto a sua, mas ainda loucas. Parabéns!
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Rodrigo Vicente - /
postado em: 18/09/2008, 10:47:32

Sou de Sp, e conheco de leve a região..hehe. Muito bela e com trilhas encardidas mesmo...e sobre a DT 180, mato a saudade olhando pra minha reliquia parada em casa, uma DT 180 COM APENAS 3.255 KM, E AINDA PLACA AMARELA...PARA COLECIONADORES E FÃS DA MOTO, ASSIM COMO EU....ABRAÇOS A TODOS DTZEIROS APAIXONADOS POR TRILHAS E MOTOS 2 TEMPOS, QUE FEZ MTO SUCESSO NO ANTIGO ENDURO DAS MONTANHAS....ABRAÇOS
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