moto.com.br

Publicidade:

Testes

Versys: Versatilidade em dois cilindros

09 de August de 2010
Compartilhe este conteúdo:

Arthur Caldeira

Quando foi lançada em 2006, a Kawasaki Versys era classificada pela fábrica japonesa como uma motocicleta “dual purpose”, ou seja, de uso misto. Juntamente com a renovação visual para o modelo 2010, que desembarcou em junho no Brasil, a Versys foi elevada à categoria “sport” nos Estados Unidos. Mesmo assim a nova classificação não faz jus ao seu caráter versátil. A Versys traz elementos de motos esportivas, aventureiras e de uso misto, compartilhando características de cada um desses segmentos, mas sem se enquadrar perfeitamente em nenhum deles.

Equipada com um motor de dois cilindros paralelos de 649 cm³, a Kawasaki Versys tem em seus múltiplos usos a principal arma para brigar no concorrido segmento de motocicletas de 600 cc, que tem concentrado a maior parte dos lançamentos nos últimos meses. Da linha Yamaha XJ6 (N e F), apresentada no início de 2010, a BMW G650GS, o mercado está em busca do motociclista que quer evoluir sem exageros: pretende sair da faixa de 250 cc, mas não pode (e muitas vezes nem precisa) chegar aos modelos de 1.000 cc.

Motor elástico

A Kawasaki Versys compartilha o mesmo motor da naked ER-6n (também à venda no Brasil) e da esportiva Ninja 650R. Os dois cilindros paralelos com 649 cm³ de capacidade, quatro válvulas por cilindro e duplo comando no cabeçote (DOHC), são alimentados por injeção eletrônica e contam com refrigeração líquida.

Para a Versys, o bicilíndrico foi afinado para oferecer mais torque em médias rotações. Mudanças muito bem vindas. Fica no meio termo entre os “torcudos” monocilíndricos e os potentes motores de quatro cilindros em linha. Produz 64 cavalos de potência máxima a 8.000 rpm e 6,2 kgf.m de torque máximo a 6.800 rpm.

Não são números que impressionam na ficha técnica, porém são suficientes para a proposta da Versys. Sem falar que a entrega da potência e do torque são bastante amigáveis para pilotos menos experientes. Afinal grande parte do torque aparece a partir dos 2.000 rpm e já é suficiente para levantar a roda dianteira do chão, principalmente na curta primeira marcha do câmbio de seis velocidades.

O motor também tem um caráter divertido nas acelerações de 0 a 100 km/h. Os giros e a velocidade sobem rapidamente e garantem uma pilotagem prazerosa. Mas arrancadas fortes cobram o preço no consumo: rodamos em média 19 km/ por litro.

Velocidade final e altos giros não são os pontos fortes do bicilíndrico, já que acima de 150 km/h e depois das 7.000 rpm o motor fica um pouco mais “xoxo”. Mas nada que atrapalhe rodar com a Versys na estrada a 120 km/h com o conta-giros nas 5.000 rotações e com bastante força para ultrapassagens. 

Ciclística

Assim como seu motor, a ciclística da Versys foi adaptada a sua proposta multiuso. Seu quadro tubular em aço do tipo diamante traz um conjunto de suspensões de longo curso. Na dianteira, o garfo telescópico invertido oferece ajustes e 150 mm de curso. Já na traseira, a balança assimétrica conta com um amortecedor posicionado na lateral direita da moto que tem 145 mm de curso. Especificações suficientes para enfrentar os obstáculos do dia-a-dia, como valetas, lombadas e buracos. Porém um pouco bruscas, caso o piloto resolva pega uma estrada de terra com muitas imperfeições.

As duas rodas de 17 polegadas são de liga-leve e calçadas com pneus de perfil esportivo (nas medidas 120/70 na frente e 160/60 atrás). Revelam outra faceta da Versys: sua aptidão para contornar curvas com agilidade e rapidez. Apesar de ser uma moto alta, essa Kawasaki gosta bastante de uma estrada sinuosa. Outro benefício das rodas menores que nas trails é sua agilidade em meio ao trânsito urbano. Muda de direção com uma facilidade que nos faz esquecer os 209 kg do peso em ordem de marcha desta versão equipada com sistema de freios ABS.

Os dois discos dianteiros em forma de pétala têm 300 mm de diâmetro e são dignos de motos mais esportivas. Garantem uma frenagem segura com suas pinças de duplo pistão, porém se acionados com força fazem a Versys “mergulhar” demais, o que pode assustar no início. Na traseira, o disco simples de 220 mm de diâmetro mordido por uma pinça simples cumpre sua função.

Tive a oportunidade de testá-los de verdade, quando um imprudente taxista desrespeitou a placa de “PARE” em um cruzamento. Um teste de fogo ainda mais durante a chuvosa semana na capital paulista. Para minha sorte, se é que se pode chamar de sorte tal situação, a unidade testada trazia o sistema anti-travamento (ABS). Não tão moderno como outros sistemas, mas ao menos garantiu a minha integridade física e o perfeito estado de conservação da nova Versys. Evitou a perda de controle da moto ao frear bruscamente no piso molhado. Aqui fica a dica para os prepotentes de plantão: os freios ABS servem justamente para situações de emergência como essa.

Moto faz tudo

Justificando seu nome, derivado das palavras “versátil” e “sistema” (versatile e system, em inglês), a Versys é o tipo de moto que faz praticamente tudo que você precisa. Serve muito bem como um veículo de locomoção no dia-a-dia, assim como pode acompanhá-lo em viagens mais longas. Já que sua ciclística faz dela uma moto ágil na cidade, e seu banco largo e a posição ereta a deixam confortável na estrada. Sua autonomia também contribui para longos trajetos: com tanque de 19 litros pode rodar mais de 350 km.

Oferece conforto para rodovias largas e retas, pois traz ainda uma bolha protetora ajustável; assim como ousadia para as estradinhas secundárias de uma serra sinuosa, afinal o conjunto de suspensões, rodas e pneus gostam bastante de deitar nas curvas. 

Só não espere que ela enfrente uma esburacada estrada de terra sem reclamar ou que acompanhe seu amigo de superesportiva 1.000 cc. A nova Versys pode ser considerada um moto faz tudo, ou quase tudo.

Importada oficialmente pela Kawasaki desde junho, a Versys só tem dois defeitos, na minha visão: a cor preta como única opção no Brasil (na Europa há também uma versão amarela); e seu preço um pouco elevado se comparado a sua irmã naked Er-6n (R$ 25.550). A versão básica da Versys, sem freios ABS, sai por 33.900, enquanto o modelo testado com freios ABS está cotado a R$ 37.390.


Ficha Técnica:
Motor: Dois cilindros paralelos, quatro válvulas por cilindro, duplo comando de válvulas no cabeçote e refrigeração a ar
Capacidade cúbica: 649 cm³
Diâmetro x curso: 83,0 x 60,0 mm
Taxa de compressão: 10,6:1
Potência máxima: 64 cv a 8.000 rpm
Torque máximo: 6,2 kgf.m a 6.800 rpm
Câmbio: Seis marchas
Transmissão final: Corrente
Alimentação: Injeção eletrônica
Partida: Elétrica
Quadro: Diamante em tubos de aço
Suspensão dianteira: Garfo telescópico invertido de 41 mm de diâmetro ajustável – com 150 mm de curso
Suspensão traseira: Balança traseira monoamortecida regulável na précarga e retorno com 145 mm de curso
Freio dianteiro: Disco duplo de 300 mm de diâmetro em forma de pétala com pinça de dois pistões
Freio traseiro: Disco simples de 220 mm de diâmetro com pinça de um pistão
Pneus: 120/70-ZR17 (diant.)/ 160/60-ZR17 (tras.)
Comprimento: 2.125 mm
Largura: 840 mm
Altura: 1.330 mm
Distância entre-eixos: 1.415 mm
Distância do solo: 180 mm
Altura do assento: 845 mm
Peso em ordem de marcha: 209 kg
Tanque de combustível: 19 litros
Cores: Preta
Preço sugerido: R$ 37.390 com ABS (sem frete)
Informações: www.kawasakibrasil.com


* Neste teste, INFOMOTO uso capacete LS2 FF369 Delta, Fotos: Gustavo Epifanio



Fonte:
Equipe MOTO.com.br
Compartilhe este conteúdo:

Roadwin 250R: Moto compacta com apelo esportivo

Dafra Riva 150 encara duelo com a Kasinski Comet 150

MV Agusta F4: Uma esportiva vestida para correr

XT 660Z Ténéré: Enfim, uma família feliz

Honda CRF 250 L: Boa opção para os trilheiros

Dafra Riva 150 encara primeiro teste

KTM 990 Super Duke é diversão garantida

Roadwin 250R: Moto compacta com apelo esportivo

CB 300 ou Fazer 250. Qual é a melhor?

Dafra Riva 150 encara duelo com a Kasinski Comet 150

MV Agusta F4: Uma esportiva vestida para correr

Nova CB 600F Hornet 2012 mudou apenas na aparência

Dafra Kansas 150: Grata surpresa

Honda CRF 250 L: Boa opção para os trilheiros

Comentários ( 9 )


JOB -

postado em:13/08/2010, 04:10:29

A moto é muito bonita apesar de que certamente não é uma dual PURA. Preço fora da realidade, mesmo que cumprisse o papel a que se propõe. Então, pelos dois motivos creio que modelo cai na descontinuidade de produção e vendas, assim como muitas, principalmente da própria Kawasaki e Yamaha.

denuncie este comentário



pieroni -

postado em:12/08/2010, 21:40:25

a vesys aceita power comander? joao

denuncie este comentário



Seu Buce -

postado em:11/08/2010, 08:41:12

Bonitona e tudo mais, mas pra que tão mais cara que a ER? só rodas/pneus de asfalto, deveria ter opção de rodas raiadas mais off e um aro dianteiro maior, bem como aumentar o curso das susp, 15cm é muito pouco para uma moto que quer ser dual. mas pelo menos é uma novidade, e parece que a Kawa tá aprendendo a enfiar a faca torcendo no peito dos seus clientes

denuncie este comentário



emilio -

postado em:10/08/2010, 21:52:11

Achei muito legal e bonita, só náo gostei da perninha dianteira, achei meio fina.

denuncie este comentário



Ricardo Lima -

postado em:10/08/2010, 17:36:58

Peguei uma ER-6N branca..é linda de viver, achei a bike apaixonante, o motor e câmbio são perfeitos para qualquer tocada...e considero o preço da ER-6N justo...porém considero o preço da Versys exagerado, concordo que é linda e uma excelente bike mas se a Kawasaki colocar um preço mais justo com mcerteza essa bike vai estourar de vender, pois igual a ER-6N a Versys tem um projeto moderno e uma ciclistica premiada em diversos países, diferente da outras montadoras que só empurram projetos antigos

denuncie este comentário



Ricardo Moreira -

postado em:10/08/2010, 10:20:32

Eu tb achei salgado o preco em relacao a EN, alguem sabe se a Kawa tem pretencoes de nacionaliza-la? ai com certeza o preco seria mais baixo e talvez ate matasse a XT660 :o)) eles quiseram vir com um preco similar a V-Strom 650, isso é quase um cartel :(((

denuncie este comentário



speed -

postado em:10/08/2010, 04:56:30

Tenho uma kawa, so q esportiva, de fato essa é uma grande moto, mas o preço é zoado msm. quem sabe c um dia ela for montada aki ec preço diminui

denuncie este comentário



joe -

postado em:10/08/2010, 00:04:11

show de moto, o desenho anterior de 1 farol era estranho, mas agora está bem interessante. o preço está bem fora, diferentemente da er6 ela é importada 100%, mas ainda assim está puxado.

denuncie este comentário



Palito -

postado em:09/08/2010, 18:24:29

Moto maravilhosa em tudo, menos no preço, não justifica suspensão diant. e balança traz. com menos cv.,de 8.000,00 da sua irmã 6 RN.Se o preço fosse tipo 29.000,00, ia arrebentar de vender.

denuncie este comentário



Comente

Para comentar é necessário autenticar, clique aqui!


Busca Rápida

Busca avançada

Comprar ou vender

Cadastre-se | Anuncie agora!

Últimos Anúncios

Montadoras
Ducati Honda CB 600 F Hornet Motos Usadas Kawasaki Motos Novas Fazer Transalp Fipe Yamaha YZF R1 Suzuki Kasinski Moto Velocidade Srad Sundown Motos CBR Harley Davidson MotoGP BMW XT 660 Tornado 600RR Ofertas Shadow Revista Off Road

Siga-nos

ícone orkut ícone youtube ícone twitter ícone facebook ícone rss