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Teste da Falcon NX4 por um usuário

15 de August de 2008
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Leonardo Brito

Desde que foi lançada, a Honda Falcon sempre mostrou ser uma moto bipolar: atrai ódio e amor na mesma proporção. Os admiradores da moto elogiam seu conforto, dirigibilidade e torque em baixas rotações. Os detratores do modelo listam o consumo excessivo, o motor antiquado e “amarrado” em termos de potência quando comparado ao 350 da antecessora Sahara, a falta de um câmbio de seis marchas e o estilo como seus pontos mais negativos.

Sou adepto da tese de que o melhor teste é aquele feito pelo consumidor. E me coloco muito à vontade para fazer este, visto que fui dono de duas Falcon, uma 2001 (Maria Valentina) e uma 2007 (Scarlett, que foi roubada com oito meses de uso).

Vamos, então, aos prós e contras da NX4 Falcon: Uma das coisas que me encantou na moto sempre foi o torque em baixas rotações. Para um usuário urbano como eu, essa característica é de vital importância nas “emergências viárias” do dia-a-dia.

Saber que você tem motor de sobra para uma acelerada mais rápida que lhe permita sair de uma situação potencialmente perigosa é fundamental, e nisso a Falcon não decepciona. Aliás, o projetista deve ter elaborado a moto pensando no usuário urbano.

É incrível a facilidade com que os 151,5 kg da moto simplesmente desaparecem quando em uso. A moto se insere bem nos corredores e entre os carros. Verdade seja dita: essa virtude está presente em todas as motos trail, mas na Falcon é mais notada devido ao seu tamanho.

Ela é capaz de dar baile até em modelos menores, não tendo sido poucas as vezes em que acompanhei e até mesmo passei por modelos bem menores nessas situações.

O conforto da moto e a ergonomia dos comandos surgem como outros pontos a serem notados, principalmente em viagens. O banco tem a equação adequada, nem muito duro nem muito macio, e o piloto fica numa posição ereta com as pernas bem acomodadas no tanque. Isso se traduz em menos paradas para desamarrotar o corpo e uma viagem mais prazerosa.

Falando em viagens, os detratores da moto adoram dizer que ela não tem força quando comparada à Sahara 350. Francamente, isso é uma grandíssima bobagem. No dia que um cavalo a menos fizer diferença em alguma coisa que não seja a MotoGP, o mundo acaba. O máximo a que cheguei numa viagem recente a Curitiba foi 130 km/h, velocidade adequada para a estrada e para um viajante iniciante como eu. Pedir mais que isso, sinceramente, é burrice da grossa. A Falcon tem como característica o torque, não a velocidade final.

Como em toda relação, sempre há algum defeito que incomoda, e a Falcon não está livre disso. Uma coisa que sempre me irritou nessa moto é a torneira de combustível, de manuseio difícil por ser pequena e estar “enterrada” num nicho da carenagem. Manipular essa torneira com luvas, então, é a tortura suprema, sem comentários. Ainda por cima sem a posição “reserva”.

Não é sempre que dá para confiar no marcador do painel. Vai que um belo dia ele resolver dar defeito, e aí? Empurrar moto já é chato, empurrar uma com 151.5 kg então é sacanagem.

Outra bobagem é a trava de capacete. Se a Honda acha mesmo que alguém leva aquele aramezinho vagabundo a sério como trava de capacete, deveria repensar seu conceito. Piada de mau gosto, sem dúvida alguma.

Falei mais acima sobre viagens e aí aparece outro ponto negativo: a falta de uma sexta marcha ou, ao menos, de uma luz indicativa de última marcha engatada. Embora eu considere o desempenho suficiente, não foram poucas as vezes em que engatei uma “sexta fantasma” durante a viagem a Curitiba.

O barulho do motor engana em determinadas ocasiões, o que leva a procurar uma sexta que não existe. Nesse ponto eu dou o braço e o guidão a torcer em relação a Sahara, de seis marchas. Aumentaria ainda mais o conforto de pilotagem da Falcon, além de agir como fator para economizar combustível.

E, puxa, ela bebe bem. Médias entre 15 e 18 km/litro na cidade e 21 a 23 km/litro na estrada são uma constante entre proprietários do modelo. Nas minhas, sempre rodei 230 km com um tanque de 15,3 litros. Algo, decididamente, a ser revisto pela fábrica, pois se traduz em mais paradas numa viagem.

Talvez a adoção da injeção eletrônica resolva esse problema. E aproveitando o ensejo, bem que poderiam fazer pastilhas de um material mais durável que o “alcaçuz” que estão usando hoje em dia. Trocar pastilhas a cada 6000 km é dose.

A manutenção da motocicleta está de acordo com o preço do modelo. Acho de uma sandice sem precedentes ver alguém que compra uma moto de R$ 14.000 ficar regulando centavos na hora de mantê-la. Se não agüenta, não compre. Simples assim.

Só dou o braço a torcer na questão do filtro de ar. A Honda abusa da boa vontade do dono da moto ao cobrar R$ 180 na peça que de especial não tem nada. Até tentei analisar a composição do componente em laboratórios, mas para minha decepção, não encontrei os pedaços de ouro que justificariam o preço da peça.

Na Internet, encontram-se nos fóruns do modelo instruções para a montagem de um filtro caseiro que usa o filtro do Celta como base. Particularmente, eu sou contra gambiarra, ainda mais numa moto desse naipe e desse valor, mas isso vai da consciência de cada um. Eu não uso e não recomendo.

Fala-se muito dos pneus, que também desgastam rápido, mas eu já coloco a culpa nos proprietários. Minha primeira Falcon trocou o jogo original com 19.000 km o traseiro e 22.000 km o dianteiro. Registre-se: pneus calibrados semanalmente, algumas vezes mensalmente quando usava nitrogênio, e pilotagem moderada, sem arroubos “Valentinísticos”.

Nessa hora me vem à mente o título de uma pornochanchada dos anos 80: “Sabendo Usar, Não Vai Faltar”. O retificador de voltagem também é tido como um calcanhar de Aquiles do modelo, não sendo poucos os relatos de proprietários que trocaram esse componente mais de uma vez. No meu caso, nunca precisei trocar essa peça.

A Falcon é um produto válido? Embora eu seja suspeito para falar, eu considero que sim. Tem seus defeitos inegáveis, alguns são de fácil correção, outros necessitam de uma análise mais profunda por parte da Honda para serem resolvidos.

No geral, é uma moto que me atendeu perfeitamente em tudo, superando minhas expectativas. Infelizmente, a minha 2007 foi roubada com oito meses de uso, outro ponto “negativo” da Falcon, ser muito visada para roubos e ter um seguro caríssimo (a menor cotação que apurei ficava em R$ 7.000). Mas, independente de tudo, teria outra sem dúvida alguma.

O “motonauta” Leonardo Brito participou do Moto Repórter, canal de jornalismo participativo do MOTO.com.br. Para mandar sua notícia, clique aqui.



Fonte:
Equipe MOTO.com.br
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