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Teste: Triumph Thruxton é café racer customizada de fábrica

10 de October de 2014
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Arthur Caldeira

A pequena carenagem que envolve o farol, os guidões curvados para baixo, as pedaleiras recuadas e o ronco compassado do motor bicilíndrico não deixam dúvidas: a Triumph Thruxton é uma réplica moderna das café racers dos anos 1950 e 1960. As motos de rua transformadas para rasgar os anéis viários de Londres em alta velocidade em um misto de improvisação e rebeldia da juventude daquela época.

O grande mérito da Thruxton é ser praticamente isso: uma Bonneville modificada para ter mais estabilidade em alta velocidade com um visual semelhante ao que era feito antigamente. A diferença é que nesse caso a transformação vem de fábrica e custa R$ 32.490 – mil reais a mais que a Bonneville T 100 com visual mais comportado.

Além da pequena carenagem do farol e do guidão curvado – simulando dois semi-guidões -, a Thruxton tem ainda as duas ponteiras de escapamento cromadas e apontadas para cima. A capa de banco que a transforma em uma monoposto reforça seu caráter de moto “preparada” para correr.

Na prática
Embora as principais diferenças entre as duas “clássicas modernas” da Triumph sejam visuais, hoje, assim como antes, acabam influenciando no comportamento dinâmico da motocicleta. A começar pelo motor de dois cilindros paralelos, 865 cm³, oito válvulas e duplo comando de válvulas. O mesmo que equipa a Boneville, mas na Thruxton este propulsor teve o desempenho aprimorado e a potência foi ampliada para 69 cavalos de potência (contra 68 cv). Ganho adquirido graças ao perfil revisado do comando de válvulas e do uso de pistões de alta compressão. Mudança que não chega a ser tão perceptível como a posição de pilotagem distinta.

O guidão curvado e a posição das pedaleiras mais para trás fazem com que o piloto, naturalmente, coloque mais peso sobre o trem dianteiro. Na teoria, e também provei na prática, isso proporciona mais estabilidade em altas velocidades e um melhor posicionamento para contornar curvas – comparando-se à clássica Bonneville.

Com isso também vem alguns incômodos, como os joelhos que ficam mais dobrados e insistem em raspar nas laterais dos cilindros – tanto que a Triumph instalou de forma quase artesanal dois “arames” para evitar queimaduras, como se fazia naquela época. Mas a grande perda mesma é no quesito maneabilidade, já que o guidão mais estreito e curvado dificulta manobra em baixas velocidades e o trânsito na cidade.

Os espelhos retrovisores na ponta do guidão dão um charme especial ao modelo, mas exigem cuidado ao trafegar no corredor entre os carros, já que a largura aumenta. No restante, as mudanças visuais não influenciam muito no modo de conduzir a Thruxton. O fundo dos dois mostradores redondos do painel é branco, a capa sobre o banco da garupa pode ser retirada e a pequena bolha até oferece boa proteção aerodinâmica na estrada e na velocidade que o modelo atinge, cerca de 180 km/h.

Estilo de sobra
Sem dúvida mais charmosa para muitos, a Triumph Thruxton, entretanto, é menos prática que sua irmã Bonneville. O reduzido ângulo de esterço proporcionado pelo guidão curvado incomoda na cidade e sua posição de pilotagem mais “esportiva” cansa mais na estrada. Portanto, se você quer uma moto com visual clássico para o dia-a-dia, opte pela Bonnie.

Mas a beleza e charme também têm seus encantos e nem todo mundo quer uma moto prática. Se a ideia for desfilar por aí nos finais de semana, o visual café racer chama a atenção a Triumph fez um belo trabalho de customização de fábrica na Thruxton.

Box
Moda retrô
As motos retrô são uma tendência que veio para ficar. No Salão de Motos de Colônia, o Intermot, realizado entre 1 e 5 de outubro na Alemanha, Ducati e Yamaha mostraram novidades que buscavam inspiração em motos do passado para conquistar o consumidor atual. Honda, BMW e Kawasaki já oferecem em seu line-up modelos que remetem ou homenageiam épocas antigas do motociclismo. Mas de certa forma, a Triumph é uma das pioneiras a adotar essa receita.

Em 2000, com o renascimento da Bonneville, ícone entre as motos inglesas dos anos 1960, a marca conseguiu vender um modelo de entrada que carrega seus valores como marca histórica e ainda tem uma legião de fãs no mundo todo. Sem toda uma parafernália eletrônica, as “clássicas modernas” da marca inglesa têm injeção eletrônica, desempenho agradável e preço acessível – são os modelos mais baratos do line-up -, e resgatam o charme da essência do motociclismo.

No Brasil, nessa mesma linha a BMW lançou recentemente a NineT, de 1.200 cc e freios ABS, que presta homenagem aos 90 anos das motos da marca alemã pelo salgado preço de R$ 61.500. A Scrambler, mostrada pela Ducati na Alemanha, revive um ícone da marca nos anos 1960 em quatro versões já personalizadas de fábrica, como a Thruxton. Os modelos Scrambler com motor de dois cilindros e 796 cc deve chegar ao país somente no segundo semestre de 2015.

Ficha Técnica
Triumph Thruxton

Motor DOHC, bicilíndrico paralelo, quatro tempos, arrefecido a ar
Capacidade cúbica 865 cm³
Potência máxima (declarada) 69 cv a 7.400 rpm
Torque máximo (declarado) 6,8 kgf.m a 5.800 rpm
Câmbio Cinco marchas
Transmissão final corrente
Alimentação Injeção eletrônica
Partida Elétrica
Quadro Berço de aço tubular
Suspensão dianteira Garfos telescópicos Kayaba com 120 mm de curso e regulagem de carga
Suspensão traseira Duplo amortecedor com molas Kayaba com 106 mm de curso e ajuste da pré-carga de mola
Freio dianteiro Disco simples de 320 mm de diâmetro, pinça flutuante de dois pistões
Freio traseiro Disco simples de 255 mm de diâmetro, pinça flutuante de dois pistões
Pneus 100/90-18 / 130/80-17
Comprimento 2.150 mm
Largura 830 mm
Altura 1.095 mm
Distância entre-eixos 1.500 mm
Altura do assento 820 mm
Peso em ordem de marcha 230 kg
Peso a seco Não Disponível
Tanque de combustível 16 litros
Cores Verde ou Preta
Preço sugerido R$ 32.490,00 

Fotos: Mario Villaescusa



Fonte:
Equipe MOTO.com.br
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