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Teste: Honda XRE 300 acompanha o Rally dos Sertões

23 de September de 2016
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O que seria um verdadeiro teste para uma motocicleta? Rodar 30 dias em uso normal? 24 horas em uma pista sem parar? Que tal enfrentar 2.200 km por rodovias de asfalto precário, estradas de terra, trechos de areia e até mesmo atravessar rios? Pois foi exatamente isso que fizemos com a Honda XRE 300 Rally para acompanhar a caravana do Rally dos Sertões deste ano, entre Goiânia (GO) e Palmas (TO) no início de setembro.

A aventura foi acompanhar a prova, passando pelas mesmas cidades, mas não dentro das trilhas da competição. O que não necessariamente significou vida fácil para o modelo 2016 da XRE 300. Afinal, nesses rincões de Goiás, Tocantins e Bahia há muitas estradas que são verdadeiros ralis enfrentados todos os dias pela população local.

Ao todo, foram 2.200 km entre Goiânia e Palmas. Em muitos deles, as estradas não eram asfaltadas e as motos enfrentaram terra batida, piso com piçarra, rios e muita areia. Como, por exemplo, entre as cidades de Luis Eduardo Magalhães (BA) e Mateiros (TO), seguimos por cerca de 270 km de asfalto até a divisa com o Estado do Piauí e depois percorremos outros 150 km por estradas de terra que, pasmem, tratavam-se da BA 225 e da TO 247, rodovias estaduais sem nenhum pavimento, mas repletas de areiões traiçoeiros que até me levaram ao chão. Acompanhe essa aventura e confira se a nova XRE 300 aguentou o tranco.

Poucas, mas importantes mudanças
Embora visualmente a trail da Honda pareça a mesma, a moto recebeu alterações para se adequar à segunda fase do Promot 4. As mudanças causaram uma pequena redução na potência máxima do motor monocilíndrico: são 25,4 cv a 7.500 rpm com torque de 2,76 kgf.m a 6.000 rpm (gasolina), pouco menos do que os 26,1 cv e 2,81 kgfm (a 6.500 rpm) do modelo 2015.

Outra novidade está no cabeçote, que foi completamente reformulado, segundo Alfredo Guedes Jr., engenheiro da Honda. As mudanças tentam acabar com a má fama do motor de 300 cc, que tiveram problemas em determinadas condições de uso. Um olhar mais atento revela ainda uma nova aleta que parece ter a função de direcionar ar para o cabeçote do motor e contribuir para a refrigeração – a ar e com auxílio de um radiador de óleo.

Para completar as novidades da XRE 300 estão a tampa de combustível agora articulada, o que aumentou a capacidade do tanque para 13,8 litros (antes eram 13,6 litros); novos comandos nos punhos e o painel digital é do tipo blackout, como as telas dos smartphones, e traz mais informações.

No asfalto
No restante, a XRE 300 manteve as características que fazem dela uma das motos de uso misto mais vendidas: suspensões com longo curso; rodas raiadas com aros de alumínio e pneus de on/off-road; balança de alumínio; e a posição de pilotagem ereta típica das trail com banco confortável para rodar no asfalto.

Nas rodovias asfaltadas, o desempenho do motor de 300cc não impressiona, mas é o suficiente para rodar a 120 km/h com folga para ultrapassagens. O câmbio de cinco velocidades com engates precisos tem boa relação de marchas para o uso urbano. Porém em algumas retas fez falta uma sexta marcha, que reduziria o giro do motor e poderia melhorar ainda mais o consumo, que foi de 28 km/litro em média (embora o motor seja flex foi sempre abastecido com gasolina durante a viagem). Com 13,8 litros no tanque, a autonomia supera os 300 km, um bom número para quem vai viajar.

As suspensões ignoram buracos e as muitas imperfeições do asfalto nessas malcuidadas vias Brasil afora, proporcionando conforto em uma viagem dessas. Por falar em conforto, apesar do generoso banco, a proteção aerodinâmica não é suficiente para desviar o vento do piloto. Isso leva muitos motociclistas a instalar um para-brisa como acessório.

Na terra
Na terra, o monocilíndrico de 291,6 cm³, duplo comando de válvulas (DOHC) e refrigeração a ar aguentou o tranco. Ao cruzar o deserto do Jalapão, entre Mateiros e Ponte Alta, ambas no Tocantins, percorri quase 200 km na terra, enfrentando muita areia e a temperatura acima dos 30° C. Levei quase seis horas nesse trecho, a maior parte do tempo em terceira e quarta marcha sempre com giro alto, buscando torque para enfrentar os longos trechos de areia fofa do Jalapão. E garanto: o cabeçote não trincou, o óleo não vazou e ao final do dia o motor estava funcionando normalmente. Somente o consumo foi mais elevado: 23 km/litro nesse trecho.

As suspensões da XRE têm longo curso - na dianteira, o garfo telescópico tem 245 mm de curso, e na traseira, a balança de alumínio monoamortecida, 225 mm. Em alguns trechos mais esburacados nas estradas de terra, o conjunto mostrou sua limitação, afinal não são de uma moto off-road profissional. Mas seu desempenho no fora-de-estarda surpreendeu positivamente.

A versão avaliada, XRE 300 Rally, traz grafismos e cores alusivas à equipe Honda Racing, mas só é vendida com os freios C-ABS, ou seja, são combinados e têm o sistema antitravamento. No asfalto, são excelentes e transmitem segurança em frenagens mais bruscas. E, apesar da Honda afirmar que o C-ABS foi projetado para o uso Off Road, não se trata da configuração ideal. Em algumas situações, o freio traseiro ajuda a corrigir a trajetória da moto, mas ao pisar no pedal o disco dianteiro também é acionado o que atrapalha para pilotar na terra.

Conclusão
A Honda XRE 300 não tem a potência e nem o conforto das bigtrails maiores, mas sua agilidade e boa autonomia (superior a 300 km) compensam. Relativamente leve e com desempenho satisfatório no asfalto, a Honda XRE 300 mostrou-se uma boa opção para uma aventura com muitos trechos off-road, como esta que fizemos.

Para encarar muitos trechos de terra, senti falta de alguns acessórios essenciais: protetores de mão para evitar trombar em troncos e galhos à beira da estrada e um protetor de motor para evitar danos em caso de queda.

Mas a boa notícia foi que essa “nova” XRE 300 Rally aguentou o tranco. Não apresentou vazamentos e nem baixou óleo em exigentes 2.200 km exigentes. Um sinal de que os problemas do cabeçote desse motor tenham sido resolvidos. A única manutenção ao longo da aventura foi a troca do filtro de ar e o ajuste da transmissão final. O espelho retrovisor trincado e a lateral esquerda quebrada vão para a conta dos difíceis trechos de areia do Jalapão.

Ficha técnica
Honda XRE 300 Rally C-ABS
Motor Um cilindro, DOHC, arrefecimento a ar
Capacidade cúbica 291,6 cm³
Potência máxima (declarada) 25,4 cv a 7.500 rpm (gasolina) / 25,6 cv a 7.500 rpm (etanol)
Torque máximo (declarado) 2,76 kgf.m a 6.000 rpm (gasolina) 2,80 kgf.m a 6.000 rpm (etanol)
Câmbio Cinco marchas
Transmissão final corrente
Alimentação Injeção eletrônica
Partida Elétrica
Quadro Berço semiduplo em aço
Suspensão dianteira Garfos telescópicos com 245 mm de curso
Suspensão traseira Balança de alumínio com monoamortecedor fixado por links com 225 mm de curso
Freio dianteiro Disco simples de 256 mm de diâmetro (C-ABS)
Freio traseiro Disco simples de 220 mm de diâmetro (C-ABS)
Pneus Metzeler Enduro 3 - 90/90-21 (D)/ 120/80-18 (T)
Comprimento 2.171 mm
Largura 838 mm
Altura 1.181 mm
Distância entre-eixos 1.417 mm
Distância do solo 259 mm
Altura do assento 860 mm
Peso em ordem de marcha Não disponível
Peso a seco 153 kg
Tanque de combustível 13,8 litros
Preço sugerido R$ 17.750



Fonte:
Agência Infomoto
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