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Teste: Honda SH 300i é classe executiva de scooter

29 de April de 2016
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O novo scooter Honda SH 300i chega neste mês às lojas com design elegante, rodas de liga-leve de 16 polegadas, freios ABS e sistema “Smart-Key” como argumentos para atrair um público classe A, usuário de automóvel. Originário da Europa, o “classudo” scooter chegou ao Brasil por um preço bastante elevado: R$ 23.590. Só como comparação, o outro modelo de 300cc à venda no mercado brasileiro, o Dafra Citycom S, reformulado para 2016, é vendido por R$ 18.490.

A dúvida da maioria dos consumidores é se o SH 300i vale tudo isso mesmo? Ou seja, vale a pena desembolsar esse valor – próximo a algumas motos de 500cc da própria Honda – por um scooter?

Acostume-se à modernidade
Quem vê o SH 300i de perto pela primeira vez se impressiona: seu porte é avantajado e ele parece maior do que em fotos. Impressão reforçada pelo enorme para-brisa de série, mas que pode ser removido. Alguns itens cromados, o farol e a lanterna de LED, assim como o bom acabamento, evidenciado pelo rebaixo para o encaixe do emblema “SH 300i” na lateral, chamam a atenção. Estacionado sobre o cavalete central e com as rodas de liga-leve com pneus sem câmara, o scooter é diferenciado.

Tão diferente que ao tentar dar a primeira partida, levei uns bons minutos. No lugar da chave de ignição, há um botão que, com a proximidade da “Smart Key”, é iluminado por uma luz azul e liberado. Além de liberar a partida, as outras três posições permitem abrir o banco, o porta-objetos no escudo frontal ou ainda travar o guidão.

Na hora de subir no SH 300i e montar no alto banco (805 mm do solo), “trombei” com o capacete fechado no grande para-brisa. Essas trapalhadas me lembraram a minha primeira viagem de avião na classe executiva, quando gastei um bom tempo tentando entender como funcionava aquele enorme controle do assento – e outro tanto para descobrir como colocá-lo na posição vertical para a decolagem. Da mesma forma, após certa prática com o SH 300i entendi que precisaria virar o guidão para evitar bater o capacete no para-brisa toda vez que fosse subir no scooter.

Confortável e silencioso
Quando enfim consegui colocar o novo scooter para rodar, a resposta do motor monocilíndrico de 279,1 cm³ com refrigeração líquida impressiona. A aceleração é vigorosa e o mais surpreendente, para mim, foi o baixo nível de ruído do conjunto motriz (motor e câmbio CVT). Com bom torque de 2,59 kgf.m já a 5.000 rpm, o SH 300i enfrenta subidas íngremes com tranquilidade, sem gritar muito e com vigor.

O banco é confortável e os pés vão bem acomodados na estreita plataforma que não permite passar os pés de um lado para o outro. Apesar disso, a ergonomia do SH 300i é boa: costas eretas, razoável espaço para as pernas e adequada para o uso urbano.

Nas ruas e avenidas, o grande porte do scooter não incomoda. Embora pese 162 kg a seco e tenha 1.438 mm de entre-eixos, o SH 300 é estreito (728 mm) e circula com facilidade entre os carros. O ângulo de esterço é excelente e o ângulo de cáster facilita as mudanças de direção – os largos pneus nas rodas de 16 polegadas (110/70 na dianteira e 130/70 na traseira) deixam o scooter um pouco lento na entrada de curvas e zigue-zague, mas compensam na absorção de impactos.

De fato, a roda maior do que o Honda PCX (14 polegadas) e o bom curso das suspensões enfrentam com mais facilidade nossas ruas esburacadas. Esse, aliás, era um questionamento comum sobre a novidade da Honda. Os freios com sistema ABS de série são outro ponto que merecem destaque: eficientes e seguros em situações de emergência ou até mesmo em piso molhado.

Outra pergunta que me fizeram durante uma semana de avaliação com o novo SH 300i foi sobre o para-brisa: “ele deforma a visão?”. A não ser por uma pequena ondulação vista nas extremidades, o grande para-brisa não atrapalha o campo visual. E ainda oferece boa proteção contra a garoa e até mesmo chuva. Mas confesso que é necessário algumas voltas até se acostumar com ele.

Consumo e praticidade
Se o desempenho e a ciclística do SH 300i são superiores aos scooters menores, como o PCX 150 e o Lead 110 da própria Honda, o mesmo não se pode dizer da praticidade e da capacidade de carga. Para colocar um capacete fechado no espaço sob o banco é preciso certa “manha” e uma mochila maior não cabe ali – senti falta também de uma trava que segurasse o banco aberto, como há no PCX.

Como a plataforma é estreita, é possível levar apenas uma sacola pequena pendurada no gancho do escudo frontal. Outro inconveniente fica por conta de ter de abrir o banco para abastecer, já que o bocal fica na traseira. O tanque tem capacidade para bons 9,1 litros.

O completo painel – com velocímetro, nível de combustível e temperatura do líquido de arrefecimento de leitura analógica – tem também um pequeno visor digital com hodômetros, relógio e consumo médio que indicava 25,7 km/l. Mas na hora de abastecer, 7,5 litros foram utilizados para percorrer 217 km: média de 28,9 km/l. Bom número para um motor de 300cc com quase 25 cavalos e câmbio CVT – conjunto que geralmente tem fama de “beberrão”.

Mas vale a pena?
Recentemente reformulado na Europa, onde é sucesso de vendas, o SH 300i é um excelente scooter: bonito, confortável, moderno e seguro. Pode não ser o mais prático da categoria, mas compensa com o bom desempenho do motor e do conjunto ciclístico.

Mas para responder aquela pergunta - vale tudo isso? – recorro à mesma analogia com a classe executiva de um avião. Quem já foi de São Paulo a Paris, há de concordar comigo que a sensação é de que vale cada centavo a mais pela passagem após as 12 horas de viagem. Mesmo que em alguns casos a diferença de preço entre a classe executiva e a econômica seja o dobro, o espaço extra, a poltrona reclinável e até mesmo o menu diferenciado fazem com que você chegue ao seu destino mais disposto e não com aquela sensação de sardinha enlatada após um voo intercontinental.

Pois, essa foi a conclusão que cheguei após rodar com o novo Honda SH 300i: trata-se um scooter excelente, mas que cobra muito por isso. Vale a pena pagar tanto? Isso vai depender do quanto você tem em sua conta bancária ou do uso que fará do scooter. Se for rodar apenas na cidade e em trajetos mais curtos, o PCX, que custa menos da metade do preço (a partir de R$ 10.814), vai lhe atender muito bem. Mas, caso tenha recebido uma promoção ou um bônus generoso no final de ano para esbanjar, compre o SH 300i e viaje de classe executiva.

Veja o vídeo:

Texto: Arthur Caldeira / Agência INFOMOTO
Fotos: Renato Durães/Infomoto e Kiko Tokuda/MOTO.com.br
Vídeo: Kiko Tokuda/MOTO.com.br

FICHA TÉCNICA
Honda SH 300i
Motor: Um cilindro, 279,1 cm³, OHC, arrefecimento líquido
Diâmetro e curso: 72,0 mm x 68,6 mm
Taxa de compressão: 10,5 : 1
Potência: 24,9 cv a 7.500 rpm
Torque: 2,59 kgf.m a 5.000 rpm
Alimentação: Injeção eletrônica
Transmissão: CVT
Partida Elétrica
Quadro Monobloco Underbone
Suspensão dianteira Garfo telescópico com 115 mm de curso
Suspensão traseira Sistema bichoque com 114 mm de curso
Freio dianteiro Disco de 256 mm de diâmetro com pinça de dois pistões e ABS
Freio traseiro Disco de 240 mm de diâmetro com pinça simples e ABS
Pneus 110/70-16 (D) e 130/70-16 (T)
Dimensões: 2.131 mm de comprimento, 728 mm de largura, 1.600 mm de altura;
Distância entre-eixos: 1.438 mm
Distância mínima do solo: 130 mm
Altura do assento: 805 mm
Peso a seco: 162 kg
Capacidade do Tanque: 9,1 litros
Cores: Branca fosca e Cinza metálica
Preço público sugerido: R$ 23.590



Fonte:
Equipe MOTO.com.br / Agência Infomoto
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