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Teste: Família Scrambler tem quatro versões e muita diversão

21 de December de 2016
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Famosa por suas motos esportivas, potentes e recheadas de tecnologia, a Ducati resolveu se enveredar por um novo segmento com a linha de motos Scrambler. Inspirada em um modelo de sucesso nas décadas de 1960 e 1970, a fábrica italiana resgatou a simplicidade mecânica e o design do passado para oferecer uma motocicleta que tem o único propósito de ser divertida de pilotar. Além, é claro, de embarcar na onda de motos modernas com visual retrô que tem feito sucesso na Europa, Estados Unidos e também no Brasil.

Apresentada no exterior em 2014, a família Scrambler desembarcou no Brasil no final do ano passado representada pelo modelo base, a Icon. Ao longo de 2016, as outras integrantes da linha que compartilham o mesmo chassi e motor, mas têm personalidade própria, chegaram ao País. Classic, Urban Enduro e Full Throttle completam a família. As quatro motos buscam fisgar um público jovem e urbano, mais preocupado com estilo do que com a cavalaria do motor ou a eletrônica embarcada.

O toque de modernidade da linha aparece timidamente na lanterna traseira com LED. Também presente em um aro em torno do farol (a chamada iluminação diurna). O painel simples, como a moto, é digital e mostra a velocidade e um conta-giros na parte inferior, fazendo referência à Scrambler original.



Variações sobre um mesmo tema 
Apesar do visual característico de cada uma delas, as quatro versões da Scrambler são equipadas com o mesmo motor Desmodue, de dois cilindros em “L”, com 803 cm³, e arrefecimento a ar e óleo – um dos mais “simples” da Ducati atualmente. Derivado da aposentada Monster 796, foi retrabalhado para se adequar à proposta da Scrambler. Ele é menos potente – 75 cv a 8.250 rpm contra os 87 cv da naked – mas oferece torque já a partir dos baixos regimes, atingindo o máximo de 6,9 kgf.m a 5.750 giros.

Embora a marca insista que se trata de um motor suave, basta dar a partida e ouvir seu ronco compassado para ter certeza que se trata de um V2 a 90° (ou L2 como gostam os italianos) com o bravo comando de válvulas desmodrômico. Mas sua nova configuração disponibiliza torque suficiente já a partir de 2.000 giros para arrancadas empolgantes com os 186 kg em ordem de marcha (em qualquer uma das quatro Scrambler).

Aliás, essas “esticadas” do motor, que logo pedem mais uma marcha no câmbio de seis velocidades, está entre as coisas mais divertidas a se fazer com esses modelos retrô. A embreagem com discos em banho de óleo tem acionamento mecânico, porém demonstrou-se macia e em nada lembra as Ducati mais antigas.

O consumo médio foi de 19,1 km/l. Variou entre 17 km/litro quando os pilotos se empolgaram mais no acelerador e chegou até a fazer 21 km/litro em uma condução mais tranquila. Como todas têm tanque para 13,5 litros, a autonomia pode superar os 200 km. 

Posição de pilotagem
Em função do assento baixo, a apenas 790 mm do chão, monta-se com facilidade em qualquer uma das versões da Scrambler. Até mesmo eu, do alto de meus 1,71 m, pude apoiar completamente os dois pés no chão. Situação que transmite confiança e facilita manobras.

As pedaleiras posicionadas bem abaixo do tronco fazem com que o piloto tenha que flexionar os joelhos levemente, mas proporciona uma postura natural. O guidão varia conforme a versão escolhida, mas em geral deixam os braços confortáveis e os cotovelos abertos, o que facilita mudanças de direção e manobras. Embora largo, o guidão não atrapalha tanto para circular no corredor. Neste quesito, um ponto para a Full Throttle, que tem guidão mais estreito e baixo do que as outras (leia abaixo sobre as características de cada versão). 

O assento é confortável, com boa espuma e um espaço razoável para a garupa. Apesar disso, a posição de pilotagem “empurra” o piloto para frente. Postura que cansa após certo tempo e não seria a mais indicada para longas viagens. Entretanto, não é essa a proposta da Scrambler.



Ciclística de sobra 
Todas trazem o motor L2 “amarrado” a um quadro tubular em aço do tipo treliça, uma assinatura da Ducati. Outra característica da marca italiana presente nessa família é a ciclística precisa e de sobra. Explico. O conjunto - quadro, rodas e suspensões - até suportaria um motor mais potente. Mas com os 75 cv garante estabilidade em alta velocidade e boa inclinação nas curvas com boa dose de segurança. Nem mesmo os pneus de uso misto Pirelli MT60 RS, feitos exclusivamente para a Scrambler com cravos menos salientes, atrapalham a aderência.

As suspensões são simples como o conjunto motriz. O garfo telescópico Kayaba com tubos de 41 mm e 150 mm de curso, na dianteira, não oferecem ajustes. Já o monoamortecedor traseiro, fixado à balança de alumínio, tem regulagem na pré-carga da mola. O acerto mescla certa rigidez com conforto para absorver sem problemas as imperfeições do asfalto e de estradas secundárias, mas não são adequados para incursões muito pesadas no fora-de-estrada.

Os freios são um capítulo à parte. Na dianteira, um grande disco único de 330 mm de diâmetro tem pinça radial Brembo de quatro pistões. Atrás, um disco mais modesto, de 245 mm, com pinça de um pistão. O conjunto de freios conta com sistema ABS – que pode ser desligado – e também é um exagero. Você pode até estranhar o disco simples na frente, mas acredite: é o suficiente para “estancar” a leve Scrambler. A mordida na dianteira chega a ser até brusca demais.

Sorriso no rosto
Após rodar na estrada e na cidade, uma palavra define muito bem a experiência de pilotar as quatro versões da Scrambler: diversão. Embora a Ducati tenha exagerado na divulgação da tal “Land of Joy” (terra da alegria) no lançamento dos modelos em 2014, o conceito não é puro marketing. 

O visual retrô moderno e a aparência de moto customizada de cada uma dessas versões despertam simpatia e contribuem para uma pilotagem divertida. Mas, na prática, são a posição de pilotagem descompromissada, o guidão largo e o motor torcudo os responsáveis pelo prazer a bordo dessas estilosas Ducati.

Pode não ser a mais prática, a mais potente, ou a mais moderna entre os modelos nessa faixa de preço. Mas certamente é aquele tipo de moto que dá vontade de sair por aí, sem destino, e voltar para casa depois de alguns quilômetros e muitas curvas com um sorriso no rosto. Sem se preocupar com a cavalaria, modos de pilotagem, controle de tração... 



Quatro versões e muito estilo
Conheça as diferenças e semelhanças entre cada versão da Ducati Scrambler:

- Icon
A versão Icon é o modelo base e foi o primeiro a chegar ao Brasil. A Ducati não gosta que ela seja chamada de retrô. Segundo a marca, trata-se de uma releitura contemporânea do modelo original. Mais ou menos como seria se a Scrambler de 1962 fosse fabricada até hoje. Ela tem guidão largo, rodas de liga-leve, tampas laterais em alumínio e chega ao país somente na cor amarela. O preço é de R$ 38.900.

- Classic
Bastante semelhante à Icon, a versão Classic exagera nas referências vintage: as rodas são raiadas, os para-lamas são feitos em alumínio e o banco coberto com couro marrom tem costuras e detalhes em alto relevo. A Ducati garante que sua cor – Orange Sunshine (brilho do sol laranja) – é do mesmo tom que a Scrambler de 1962. Não sei dizer, pois eu ainda não era nascido, mas ao vivo é mais escuro e alaranjado do que na Icon. O logo no tanque também tem visual retrô. O preço sugerido é de R$ 41.900.

- Urban Enduro
O tom verde exército – único – reforça a imagem mais aventureira dessa versão, mas é o guidão com cross-bar, a grelha no farol, o para-lama alto e o protetor de cárter que convidam a um passeio por estradas de terra com a Urban Enduro. As rodas também são raiadas e o banco em couro marrom tem costuras que formam listras. Com logo diferenciado, que traz um “X” em vermelho, a Urban Enduro está cotada a R$ 41.900.

- Full Throttle
Inspirada nas motos que disputavam as corridas de flat-track, a Full Throttle tem uma proposta, digamos, mais esportiva. Seu guidão é mais baixo e estreito, o que facilita circular nos corredores na cidade, e suas rodas são de liga-leve. Banco com tecido anti-derrapante em duas cores, para-lamas curtos e uma pintura preta fosca com faixas amarelas reforçam o design mais esportivo. O valor de tabela é R$ 41.900.

Ficha Técnica

Ducati Scrambler 
Motor Dois cilindros em “V”, duas válvulas por cilindro e refrigeração a ar
Capacidade cúbica 803 cm³
Diâmetro x curso 88 x 66mm
Taxa de compressão 11:1
Potência máxima 75 cv a 8.250 rpm
Torque máximo 6,9 kgf.m a 5.750
Câmbio Seis marchas
Transmissão final Corrente
Alimentação Injeção eletrônica
Partida Elétrica
Quadro Treliça em tubos de aço
Suspensão dianteira Garfo telescópico invertido Kayaba de 41 mm de diâmetro com 150 mm de curso 
Suspensão traseira monoamortecedor e balança oscilante em alumínio com 150 mm de curso
Freio dianteiro Disco simples dianteiro de 330 mm de diâmetro, mordido por pinça Brembo de quatro pistões e ABS
Freio traseiro Disco único de 245 mm de diâmetro e ABS
Pneus 110/80 aro 18 (D) e 180/55 aro 17 (T)
Comprimento 2.100 mm
Largura 845 mm
Altura 1.150 mm
Distância entre-eixos 1.445 mm
Altura do assento 790 mm
Peso a seco 170 kg 
Peso em ordem de marcha 186 kg 
Tanque de combustível 13,5 litros

TEXTO: Arthur Caldeira / Agência INFOMOTO
FOTOS: Agência INFOMOTO
VÍDEO: Kiko Tokuda/MOTO.com.br



Fonte:
Agência Infomoto
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