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Grandeza vista com outros olhos

19 de August de 2008
Grandeza vista com outros olhos
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Leonardo Brito

Primeiramente, vamos conhecer os personagens desta história: de um lado eu, 35 anos, jornalista não praticante e motociclista desde 24 de setembro de 1995. Do outro, “Jaspion”, um simpático Suzuki Burgman 400 prata ano 2007, sonho de consumo que meu pai acalentou durante três anos.

Sempre fui adepto das trail — minha primeira moto foi uma XR 200, depois dela vieram duas Falcon —, mas tinha uma curiosidade inata por aquele scooter. Será que era mesmo tão confortável quanto o tamanho do banco e a ausência de transmissão convencional faziam supor?

Só havia um jeito de saber: negociar com meu pai a “cessão temporária” de sua jóia particular. Não demorou muito e lá estávamos eu e a cobaia, Jaspion, frente a frente.

Quem projetou o Burgman 400 certamente jamais imaginou que ele viria dar com os costados e as rodas no Brasil. Como um legítimo gaijin, ele ainda mostra dificuldades em sua adaptação, mesmo depois de alguns anos por aqui.

No começo, ele me deixou receoso, não sentia confiança em mim mesmo para equilibrar aquela massa nas saídas de semáforo. Mesmo a parada no farol era um momento de tensão para mim.

O rodar é macio e confortável até que se pega um trecho de asfalto mal conservado. As suspensões de curso curto sofrem horrores na buraqueira nossa de cada dia e as belas rodas aro 13 não são suficientes para absorver os choques.

O resultado é que a cada pancada o scooter corcoveia feito os touros de J.R. Ewing em Dallas, além de sua parte inferior requerer mais atenção em lombadas, notadamente quando se roda com garupa.

Passei por uma lombada no Guarujá que deu até pena do Jaspion, muito embora eu estivesse devagar. Notei também um incômodo nos punhos devido à posição do guidão. Suas pontas são levemente inclinadas, como nas customs, e isso me causou alguns minutos de dor nos punhos por conta da posição não-natural que eles se encontravam.

Isso aliado à tensão de estar pilotando um scooter daquele tamanho — que ainda por cima não era meu — num trânsito extremamente travado (era feriado prolongado aqui na Baixada) tornaram a primeira parte do passeio-avaliação um inferno de Dante.

Conforme o tempo foi passando, o Jaspion foi mostrando que tem seu lado bom. O primeiro ponto positivo foi a ergonomia dos comandos: a despeito da inclinação das pontas do guidão, os comandos são bem distribuídos e de fácil acesso. E ainda contam com um prático e útil lampejador de farol, bem localizado e de fácil manuseio.

Gostei bastante dos porta-objetos no escudo frontal, um de cada lado e com tampa, ótimos para pequenos volumes e coisas que precisam ficar a mão. Agora o que “mata a pau” mesmo é o bauleto sob o banco. Incrível como cabe coisa nele! Cabem até dois capacetes, mas atenção: fiz a experiência com dois cascos tamanho 60 e o banco não fechou de jeito nenhum. Fica, portanto, o aviso aos “cabeções”: dois corpos grandes não ocupam o mesmo espaço no Burgman 400.

Outra coisa boa nele, como já era de se esperar, é o banco. Aqui vale também o princípio da adaptação já descrito no lance do guidão: no começo, ele massacrou minha coluna, mas depois de um tempo já éramos bons amigos. E realmente, o banco é quase um divã.

O garupa, então, está com a vida que pediu a Deus: posição elevada, bom espaço para os pés (no 400, a pedaleira-plataforma cai muito bem, ao contrário do que acontece na caçula 125) e um encosto de tamanho adequado e bem integrado ao estilo do scooter. Fora a facilidade de montar nele, devido à baixa altura.

Depois que você pega o jeito, já se sente à vontade para uma condução mais solta. A palavra-chave para esses scooters grandes é adaptação. Tudo neles é diferente e motociclistas muito “viciados” em um tipo de moto certamente vão sofrer quando encararem um scooter grande pela frente.

Tem que se ter em mente, também, que as características desses scooters não estão de acordo com o que se encontra no Brasil. Meu pai comprou o Jaspion pensando em mais conforto do que teve com seu antigo Address e seus dois ex-Burgman 125.

Até lembro quando ele me perguntou: “E então, é igual a sua moto quando passa em buracos?” Puxa vida, minha moto era uma Falcon! Só eram iguais por terem duas rodas, e olhe lá. É nesse erro que muitos incorrem de achar que eles são iguais aos outros tipos de motos. Não são, e muitos só descobrem isso depois de um tremendo desencanto.

Quanto a mim, passei a olhar o Burgman 400 com outros olhos. Minha conclusão é de que alguns de seus defeitos podem ser superados com o tempo e o costume. Outros, talvez nem mereçam ser chamados de defeitos, e sim falta de costume com nosso país.

Como um legítimo gaijin, ele conserva suas tradições enquanto tenta entender o país que o adotou.

O “motonauta” Leonardo Brito participou do Moto Repórter, canal de jornalismo participativo do MOTO.com.br. Para mandar sua notícia, clique aqui.



Fonte:
Moto Repórter
Comentarios ( 26 )

Jean - Blumenau / Santa Catarina
postado em: 30/08/2008, 21:06:41

Acho que existem varios estilos de moto, para agradar a todos motociclistas, eu me identifiquei melhor com as trail e bigtrail, acho elas mais confortáveis nessas terríveis estradas brasileiras. Gostaria de experimentar um Burgman 400, mesmo me agradando não compraria pois acho muito caro. Dá pra comprar uma XT 660 que é o meu estilo. Porem cada um compra o que quiser, ninguém é igual a ninguém.
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Jader - Brasília / Distrito Federal
postado em: 22/08/2008, 14:46:54

Mico não, é porque tem pouca mesmo. Vai em alguma loja da suzuki, tem uma no sudoeste, de vez em quando aparece uma usada lá a venda ou quem sabe eles tras uma usada de sao paulo no jeito.
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Sávio - Brasília / Distrito Federal
postado em: 21/08/2008, 18:04:35

Valeu Jader. Estou criando coragem para trocar a street pelo scooter em breve. Aqui em Brasília não encontro dela usada para vender. Será porque é "mico" ou quem tem não vende?
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Jader - Brasília / Distrito Federal
postado em: 21/08/2008, 11:58:03

Sávio, não te preocupe, ela é super fácio de pilotar e não é tão pesada como parece. Talvez o problema da adaptação seja por causa do estilo, pelo fato de ser automática e pilotagem relaxada.
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Sávio - Brasília / Distrito Federal
postado em: 20/08/2008, 21:53:15

Olá galera. Estou pensando em trocar uma Fazer 250 pelo Burgman. Contudo, só piloto há 2 anos. Me adaptei bem a Yamaha, mas estou namorando há tempos esse big scooter... Pergunto: além da buraqueira do dia a dia que castiga o scooter, o pouco tempo de habilitação é um problema a mais na adaptação da moto ou não?
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Wagner - Jundiaí / São Paulo
postado em: 20/08/2008, 15:38:30

Oi Takahiro, desculpe mas tenho Burgman 400 e cabem sim 2 capacetes fechados!
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Leonardo Brito - Santos / São Paulo
postado em: 20/08/2008, 14:26:10

O Takahiro tocou num ponto interessante, e que eu esqueci de descrever na matéria: eu estava com dois capacetes fechados no dia desse "teste". Obrigado a ele pelas informações e aos demais que postaram comentários.
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TAKAHIRO INOUE - São Paulo / São Paulo
postado em: 20/08/2008, 12:41:28

Gostaria somente de corrigir uma informação: os capacetes possuem cascos de tamanhos idênticos. Ou seja, um mesmo modelo de tamanho 56 é idêntico a outro de tamanho 60. O que muda é a espessura do forro interno que o torna maior ou menor. Desta forma, no bagageiro interno da Burgman 400 não deve comportar tanto 2 capacetes de tamanho 56 como de 60. Se optar por capacetes abertos, muito provavelmente poderá comportar as 2 unidades.
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Wagner - São Paulo / São Paulo
postado em: 20/08/2008, 11:42:58

Boa Jader, o Stefan deveria aplicar melhor o $$ e o gosto dele.
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Armando - Piratininga / São Paulo
postado em: 20/08/2008, 10:15:26

Muito legal,,,,eu tenho um burgman 400 a um ano e como voces , no inicio preocupacoes,,desde o primeiro dia..buracos...mas depois, so alegria...viagens, trabalho, compras, assedios,,,tudo é muito legal ,,pois chama mais atencao que qualquer esportiva ou big trail. Ja andei mais de 15.000km em 08 meses...Bauru, Rio Preto, Tres Lagoas - MS, Campo Grande - MS, Dourados - MS..tudo a trabalho e com muito conforto. Sempre fui apaixonado por trail..Dr 800, tive duas, XT 600 duas..agora vou para a 2*
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Cruz - São Paulo / São Paulo
postado em: 20/08/2008, 08:31:56

Eu acho o seguinte, cada um tem um gosto e uma idéia; mas eu acho q todos os tipos de conduções são válidas, principalmente numa moto; pode ser custom/traill/sport, acho q cada uma tem a sua diferença; o q eu acho um absurdo e de extrema babaquice são pessoas que não gostam do modelo e ficam falando mal; o problema é o país com estas ruas e estradas irregulares, e valores dos impostos que pagamos para termos algo; eu tenho uma 4cc, gosto muito dela, mas tbém tenho curiosidades em andar numa Scoo
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Edson - Itapira / São Paulo
postado em: 20/08/2008, 02:09:00

Scooter é isso: Primeiro rejeição Segundo adaptação Terceiro paixão... Depois vira vício
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Oliveira - São Paulo / São Paulo
postado em: 19/08/2008, 23:16:25

Parabens leonardo! Excelente materia! Parabens ao Site MOTO que sai na frente de outros sites que se dizem especializados em motos, mas não dão a minima para a opinião de seus leitores, manipulam até as conversas do forum e do orkut e não aceitam criticas. Estes duraram não vão muito longe!!!
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Stefan - São Paulo / São Paulo
postado em: 19/08/2008, 21:57:59

Só consideraria uma "OPÇÃO" se custasse o mesmo que uma Falcon, por exemplo. E não o preço de duas Falcons. Brasileiro paga caro pra ter muito pouco!
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Luis Claudio Ávila Barbosa - Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
postado em: 19/08/2008, 20:33:59

Também era cheio de preconceitos até meu pai comprar um. Fora o inconveniente das rodas pequenas nos buracos (mas o problema é do país, não do veículo!), é o veículo urbano perfeito. O véio gostou tanto que trocou por um 650, com rodas 15, câmbio tiptronic, 170 de máxima, um luxo. Esse, além de um show na cidade é maravilhoso na estrada. Só teria um delesse tivesse grana para ter duas motos (tenho uma Bandit 650), mas é uma bela opção, ao contrário do que o povo do "não andei e não gostei" acha.
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Giovani Nicoletti - Rio do Sul / Santa Catarina
postado em: 19/08/2008, 20:30:03

Tive o Burgman por dois anos.Anda bem,é confortável e chama a atenção, mas não gosta de buracos. Há dois anos e meio, encontrei o meu estilo numa Bandit N 600, após fazer um "estágio" numa Dragstar 650.
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Renato - Goiânia / Goiás
postado em: 19/08/2008, 19:51:23

Gente com todo respeito, não compraria. O estilo a mim fica a desejar. Más acredito nos vários atributos que a Burgman reune. Seria muito cômodo de minha parte: sem conhecer, sem experimentar, fazer julgamento negativo.
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clodo & Glayds, Casal Motociclista - Campina Grande / Paraíba
postado em: 19/08/2008, 18:49:35

Nunca andei, nem é minha praia!, agora fiquei impresionado quando viajava de NX4 Falcon à mais ou menos 120 KM e fui ultrapassado por uma Burman 400.Logo em seguida o condutor parou em um posto de gasolina, não deu outra, parei também e lá ficamos amigos e pude verificar e admirar a beleza de motoneta. continuo dizendo, não é a minha praia, por isso não posso nem devo menospresa-la. a velocidade que ela me ultapassou era de 130 km acima.
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Mário Sérgio - Curitiba / Paraná
postado em: 19/08/2008, 18:19:02

Interessante alguns comentários tipo: não provei e não gostei. Vemos uma antipatia gratúita e inexplicável por uma classe de veículos sucesso em qualquer país civilizado. Lembram da fábula da raposa e as uvas? Acho que se aplica neste caso. Todos os usuários do Burgmão que ouço estão plenamente satisfeitos com o veículo e até almejam comprar o 650cc. Só é ruim pra quem nunca teve. Obs: eu ainda não tenho o meu, infelizmente. Posso até não gostar mas antes de criticar, queria experimentar.
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jader - Brasília / Distrito Federal
postado em: 19/08/2008, 18:18:14

Stefan, é mesmo como vc disse, gosto é gosto. Uns gostam do olho e outros da remela, se vc gosta da remela, o problema é seu.
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roberto - São Paulo / São Paulo
postado em: 19/08/2008, 17:42:03

rodrigo so que a honda nao tem burgman ,que faca frente a uma burgman honda e so cg
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Stefan - São Paulo / São Paulo
postado em: 19/08/2008, 17:26:00

O "repórter por uma matéria" entrega o ouro quando afirma "tenta entender o país que o adotou."... traduzindo: não é boa condução para um país de asfalto pra lá de irregular e cheio de buracos! Todos os scooter sofrem com isso - e também muitas nakeds pequenas. Agora uma coisa não entendo: porque diabos alguém compra uma big scooter se com o mesmo dinheiro poderia comprar uma 4 cilindros? Gosto é gosto, desgosto também! :)
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Emerson - São Paulo / São Paulo
postado em: 19/08/2008, 17:21:31

De graça é caro, que tranqueira
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Rodrigo Melo - Curitiba / Paraná
postado em: 19/08/2008, 17:18:49

Por isso quer eu digo: MOTO É HONDA.
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Wagner - Jundiaí / São Paulo
postado em: 19/08/2008, 14:02:40

A Burgman é a superação das motos,excelente de pilotar e muito confortável, fora que vc.pode esquecer chuva e vento.Quanto as rodas 13", esqueça pois em duas rodas buraco é buraco!!!
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marcos morares - São Paulo / São Paulo
postado em: 19/08/2008, 12:55:22

tinha uma burgman comprei uma piaggio beverly 500 e linda demias estilo inconfundivel italiana!
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