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Colunistas - Oswaldo F. Junior

Alasca - Superando os limites da última fronteira

17 de June de 2015
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Oswaldo Fernandes Junior
Consultor de pilotagem, segurança e resistência da OMNO (omnoweb.com.br) e diretor-técnico da CBM (Confederação Brasileira de Motociclismo) para provas de Moto-Turismo e de resistência. Fez diversos cursos nacionais e internacionais em centros de referência. Para ele, moto e estrada é uma combinação mais que perfeita. 

 

Aventura e moto turismo são combinações para quem gosta de superação aos limites pessoais.   Tive a oportunidade de viajar por vários países através do motociclismo, mas conhecer o Alasca era um futuro desconhecido. Alimentando o sonho de um dia poder fazer esta expedição, comecei a pesquisar e planejar minha aventura, sabendo que seria um grande desafio pessoal.

 
O Alasca é fascinante, uma região distante em uma gigante península, sendo um dos estados pertencente aos Estados Unidos, isolado territorialmente dos demais estados, através da fronteira com o Canadá. Possui uma área de grande extensão, mas é escassamente povoado, residindo a maior população nas regiões sul e sudeste. Possui a cidade mais ao norte das Américas, e é cortado pelo circulo polar Ártico, e esta logo abaixo do polo norte. Por tudo isto, recebe o cognome merecido de Alaska - The Last Frontier (Alasca - A Última Fronteira).
 
Os desafios são grandes. Transpor montanhas e gigantes planícies, percorrer estradas sem pavimentação, muitos trechos com cascalhos e buracos, poder participar e conviver com fauna e flora selvagens, suportar situações de frio intenso e dias que não possuem noite, desta forma, a melhor data para a viagem é no verão do Alasca entre os meses de Junho a Setembro, é no mínimo cheia de adrenalina e surpresas. Tudo isto em uma viagem solo, desbravando principalmente os desafios e a zona de conforto pessoal. Perfeito, era isto que eu desejava.
 
Para este projeto pessoal, coloquei algumas metas e pontos a serem alcançados.
 
Os principais são: conhecer a placa de madeira do Circulo polar Ártico, subir até a cidade mais ao norte das Américas, a cidade de Prudhoe Bay, atravessar os rios Tanana e Yukon, descer ao extremo sul do Alasca e conhecer a cidades de Homer, onde foram filmados capítulos da série Pesca Mortal, do Discovery Channel. Conhecer o sol da meia-noite, provar os pratos típicos, dentre eles o caranguejo do Alasca, o verdadeiro King Salmão e o peixe regional Halibut. Estes foram os principais objetivos a serem realizados e alcançados pela expedição.
 
Saindo do Brasil por via aérea, depois de 3 escalas e mais de 2 dias entre sala de espera e voos intermináveis, desci em Anchorage. Era uma madrugada fria, com o corpo dolorido, cansado, mas radiante por mais uma aventura que se iniciara. Anchorage é uma das maiores cidades do Alasca, com todo conforto de uma cidade grande americana, e logo após algumas horas de sono, um bom banho e um típico café da manha, fui até a MotoQuest receber minha motocicleta para a expedição Alasca.
 
O pessoal da MotoQuest me recebeu muito bem. Moto nos últimos ajustes passaram informações de estradas, pontos de paradas, locais turísticos, principais cuidados com abastecimento e dicas regionais. A ansiedade estava em alta, mas antes de sair pelas estradas, aproveitei a tarde para testar roupas, acessórios, conhecer a moto e o modo de deslocamento do trânsito local. Percorri em torno de 60 km, em pontos turísticos da região de Anchorage. Agora pronto para o inicio da expedição.
 
Logo cedo, no outro dia, parti de Anchorage com destino ao porto de Valdez. No início a estrada parece uma estrada comum, pista dupla e vários carros. Após meia hora de pilotagem toda condição começa a mudar, com pistas simples, mas sempre com obras, reduzido fluxo de automóveis, muitas paisagens naturais, poucos pontos de serviços e principalmente sem locais de abastecimento. Estas características são constantes pela viagem ao Alasca. Sempre um bom planejamento, controle, planos alternativos, conservação da motocicleta e principalmente do controle emocional, físico e espiritual são importantes em uma viagem com tanta aventura e variabilidades.
 
Durante 12 dias nesta expedição percorri as cidades e regiões de Anchorage, Palmer, Glacier View, Gleenallen, Keny Lake, Valdez, Toc, Paxson, Salcha, Fairbanks, Ferry, Denali national Park, Talkeetna, Willow, Kenai, Seaward, Homer no extremo Sul, Coldfoot e Deadhorse no extremo norte e a baia de Proudhoe Bay completando todo roteiro e transpondo o Alasca do sul ao norte. Ao se propor fazer a rota da cidade de Fairbanks a Prudhoe Bay detalhes muito importantes, já que esta é uma rota de transporte de carga por caminhões, devido a petrolífera, na região de Prudhoe Bay. Portanto, muita atenção na estrada não pavimentada, onde caminhões aceleram forte, em região de grandes mudanças climáticas e com distâncias de ate 350 km sem nenhum tipo de parada para alimentação ou postos de gasolina. Deve-se programar com atenção e cuidado.
 
Os custos da viagem não são poucos e muito menos desprezíveis. Os preços de hotéis são em torno de US$ 150,00 a diária. Os restaurantes cobram em torno de US$ 30 o prato médio do cardápio, e a gasolina varia de US$ 3,70 a US$ 5,00 o galão (cerca de 3,8 litros), quanto mais ao norte, mais elevado e o preço. Uma viagem que necessita de atenção e controle orçamentário. Para completar ainda faltam os custos pessoais de moto, roupas, acessórios e transporte aéreo ate o Alasca. O povo Alascano, ou seja, os residentes na região, são muito amigáveis e prestativos, desde um simples auxílio para uma fotografia ou ate mesmo pararem o carro para perguntar se precisamos de algo ou qualquer ajuda, apenas em ver a motocicleta parada na estrada. Sinceramente, nunca vi tanta simpatia, cidadania e cordialidade com estrangeiros.
 
Entre os pontos turísticos e a rota de viagem foram realizados mais de 4000 km rodados, sendo pelo menos 1.600 km de estradas de terra, extensas planícies, subidas e descidas intermináveis, glaciais, praias geladas, fiordes, lagos, retas infinitas, florestas gigantescas, neve congelante e dias literalmente sem fim. Sem dúvida, momentos de tirar o fôlego, fazendo respirar forte e fortalecer a vontade de vencer desafios, isto deve estar sempre em você.
 
Ultrapassar estas barreiras foi o grande desafio desta viagem. Alasca não é uma viagem para pilotos de pouca experiência, requer atenção, planejamento, conservação dos equipamentos, habilidade para as condições adversas da estrada, atenção às alterações repentinas do clima e rápidos reflexos e desvios com animais na pista. Também é importante possuir as roupas adequadas para condições de chuva e extremo frio. Torna-se difícil ter o senso de pontos cardiais, pois o sol sempre esta em posição elevada em relação ao horizonte.
 
Consegui atingir todos meus objetivos, conheci as cidades, os pontos turísticos, a curiosidade sobre a vida local e ainda fui agraciado pela presença de vários animais selvagens, inclusive ursos, o que sem dúvida, foi razão de medo e satisfação em poder conviver entre a natureza do Alascano. A viagem é maravilhosa, muita natureza, desafio e revalidação de valores pessoais e respeito ao próximo e a natureza. Não é fácil, exige investimento, dedicação e muito controle, mas para dizer a verdade, faria tudo de novo. Que lugar do outro mundo é este? Este é o Alasca - A Última Fronteira.
 
É isto aí, nos encontramos pelas estradas, e aquele moto-abraço!


Fonte:
Equipe MOTO.com.br
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