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Colunistas - Reinaldo Baptistucci

ROTA SUL

12 de March de 2013
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Reinaldo Baptistucci

Em janeiro de 2012 voltamos do Nordeste e marcamos nossa próxima viagem ainda na estrada, seria para o Sul do País. Em novembro de 2012, tudo estava praticamente pronto para nossa ida ao Uruguai. A Karin volta da aula e a moto não está mais lá, furtaram a GS 650 branquinha, sua fiel companheira de viagem com mais de 23 mil Km rodados, que sensação horrível!

Reinaldo me conforta:
Infelizmente decidiram por você. Agora compra a moto que você tanto quer!”
Eu: “Sabe que você tem razão! Vou comprar a GS 800 – mas será que eu dou conta?”
Reinaldo: “Claro que sim. Vai fundo!”
Comprei a tão sonhada GS 800, preta, linda e com a ajuda de amigos queridos do ramo
deixamos a menina apropriada e ajustada para a minha altura de 1.69m.
Recebi a moto zero na primeira semana de dezembro 2012. Que sufoco, pois nossa viagem
de férias ao Uruguai estava programada para o dia 22 de Dezembro. Reinaldo na Bahia
trabalhando e eu tendo de rodar mil Km para fazer a primeira revisão.
Em um final de semana percorri: Leme, Campinas, Jacareí, Aparecida, Rio de Janeiro e volta a
Sampa capital! Agora só fazer a revisão e arrumar a mochila!

No dia 22 de Dezembro subimos às 3h da madrugada nas nossas motos, totalmente desconhecidas, rumo ao sul do Brasil. A Karin maravilhada, aprendendo as manhas da GS 800 e eu com uma HD Dyna, totalmente diferente da Guzzi. Já na Regis Bittencourt a chuva persistia em nos acompanhar. Quilômetros e quilômetros de caminhões parados com os motores e faróis desligados de portas abertas, pessoas nas pistas... e nós trançando nosso balé um tanto perigoso entre todos que ali tentavam viajar. Caótico!

Amanhece na estrada, que alívio, pois chuva na escuridão não é brincadeira, prefiro chuva de dia! Nosso destino é Pomerode em Santa Catarina! A cidadezinha mais alemã do Brasil! Com suas construções feitas na técnica enxaimel tornando o cenário extremamente romântico e bucólico, é possível sentir-se na Alemanha. Não é a toa que essas lindas construções fazem parte do conjunto de bens tombados em nível federal pelo Instituto Nacional de Patrimônio Histórico (Iphan). Os moradores falam alemão o tempo todo. Nosso natal nessa cidade foi uma viagem ao passado, onde o Papai Noel realmente anda pelas ruas no seu trenó distribuindo balas às crianças. No Supermercado Gumz, músicas natalinas cantadas em alemão, senhorinhas conversando sobre o que farão para a ceia (tudo em alemão) ou seja....Uma grande festa! Aproveitamos os dias para conhecer pequenas cidades vizinhas e passear
de moto. Nosso próximo destino: Urubici (SC)!

Finalmente as chuvas dão uma trégua e já estamos no espírito tranquilo das férias! A estrada é um presente a parte, montanhas, vales, serras, araucárias e chegamos a Urubici (SC). Destino de muitos amantes do motociclismo! A Natureza é o que vale a pena nesse lugar, pois a cidadezinha em si não é charmosa! Já estamos adaptados as nossas motos e resolvemos fazer passeios. No roteiro estão incluídos: o morro da Igreja, a Gruta, a famosa Serra do Corvo Branco com bons kms de terra. No Morro da Igreja (que vista) tempo bom e céu azul, 20 Graus e muito vento. Mas, na volta do Corvo Branco o céu fecha e a chuva resolve nos acompanhar na volta, na descida que é toda de terra e cascalho. Ui! Confesso que rolou uma adrenalina. A moto é tudo de bom, mas é alta! E eu não poderia errar, pois não tenho perna para segurar a menina em caso de derrapagem! Tudo tem que ser feito somente no equilíbrio, sem chance para erros. Chegamos na nossa pousada felizes, engraxamos mais uma vez a minha corrente e pegamos o mapa para traçarmos o novo destino. Foi então que resolvemos ir para o CHUÍ! E que passeio!

Deixamos Urubici no dia 28 de dezembro cedinho. O céu fechou mesmo, garoa e nós nos equipamos bem. A Segunda Pele foi indispensável, pois fazia 14 Graus! A serra para São Joaquim toda encoberta, muita neblina, piso liso, mas entre as brechas era possível ver um pouco da paisagem. Frio e chuva por muitos e muitos quilômetros. Encharcados e tremendo de frio resolvemos parar em um posto antes de Porto Alegre (RS). Banho Quente e Sopa de Capelete! Que delicia! E o carinho das garçonetes nos chamou a atenção. Todos estavam impressionados com o nosso bom humor naquelas condições. Posso garantir, disse eu: “É o amor incondicional pelas motos, não dá para explicar! Amamos rodar!” No dia seguinte: chuva e mais chuva. Tomamos um belíssimo café da manhã e as simpáticas garçonetes nos desejaram boa viagem! Com as chuvas a visibilidade fica bem mais prejudicada e ler placas passa a ser um desafio. O spray dos caminhões deixa a situação mais apimentada ainda. Passar por Porto Alegre (RS) com destino a Pelotas (RS) então foi PUNK!!!!! Com muita fome, logo depois de Pelotas paramos num posto que servia comida por quilo. Acho que demos prejuízo pro restaurante! Encharcados devoramos o nosso almoço. Felizes, prontos para prosseguir a chuva para. Nem acredito! A frente fria estava subindo e nós descendo, “daqui pra frente o tempo deve melhorar”, disse Reinaldo, e eu mais animada ainda. Pensei: “Esse trecho com certeza vai acompanhar-me nas lembranças por muito tempo”. Ao pernoitarmos num posto na BR 116 encontramos motociclistas do MC Criaturas da Noite, de Cascavel (PR) que nos convidaram para ir ao encontro dos Lobos do Asfalto MC em São Lourenço (RS) que se realizaria nos dias 28 e 29! Então mudamos nosso destino, Chuí (RS) vai esperar!

Chegamos em São Lourenço do Sul (RS) a beira da Lagoa dos Patos. Fomos muito bem recebidos. Armamos nossa barraca e curtimos a cidade, passeamos de escuna pela Lagoa e nos preparamos para a festa que iria rolar de noite. A cidadezinha estava em peso na festa. Fizemos novos amigos e no dia seguinte amarramos nossas coisas todas nas motos e fomos para o Chuí (RS). Passar pela Reserva Ecológica do Taim (BR 471) é tudo de bom, os amantes da “Road 66” que me perdoem, mas não preciso gastar US$ 2.734,00 para curtir. O que temos aqui no Brasil é spetacular. A nossa retona infinita cheia de pastos verdes, água dos dois lados, revoadas de pássaros cruzando a pista bem na frente das nossas motos, capivaras, emas, cobras, raposas são tão lindas quanto. A 100 km/h é possível apreciar toda essa beleza e eu garanto NÃO dá SONO! Uruguai ficou para outra vez, pois Reinaldo e eu nos esquecemos de levar as Identidades.

Eu: “Reinaldo, você trouxe sua identidade?”
Reinaldo: “Não e você?”
Eu: “Também não. Não vai dar para entrar no Uruguai, pois só com RG ou Passaporte!”
Reinaldo: “Podemos ir para Aquidauana (MS) via Pantanal.”
Eu: “Hm, Mato Grosso! Eu sempre quis fazer isso de moto. Legal! Fechou!”

Ficamos no Chuí (RS) durante o ano novo, sossego total. Nossas motos estavam na garagem e nós curtindo um chalé pertinho do mar. Lá pelo dia 2 ou 3 de Janeiro do ano novo seguimos para Santana do Livramento (RS) para fazer comprinhas e logo continuamos nossa viagem rumo a Bonito (MS). Mas, antes apreciamos os pampas gaúcho com toda sua beleza, visitamos as ruínas dos Jesuítas em São Miguel das Missões (RS). O templo, hoje em ruínas, foi erguido em 1745. No seu auge, a redução de São Miguel Arcanjo chegou a abrigar 6.000 índios guaranis que, além de aceitar a fé cristã, aprendiam o espanhol e ensinamentos de economia, arte e ciências. Também aprendiam música e a confeccionar instrumentos musicais.

Pela BR 386 e outras muitas quebradas seguimos, passando pelo Rio Uruguai para Toledo (PR). Mais uma de muitas pernoites num posto na beira da estrada. Aliás, sempre bons e baratos (em média R$ 70,00 por casal)! Reinaldo fez as contas: paramos em 49 postos de gasolina.Uma preocupação constante. Achar por volta dos 150 KM rodados um posto BOM. Pois o maior problema no Brasil é a gasolina adulterada, além da falta de posto de gasolina em vários trechos da viagem. Por isso Reinaldo levava sempre com sigo 5 litros de gasolina de reserva! Pane seca é mais comum do que se imagina. Encontramos na BR 471 um motociclista nessa situação! Sorte que estavam em dois!

Seguimos por Dourados (MS) pernoitando em Maracajú (MS) para seguir no dia seguinte para Bonito no Mato Grosso do Sul. O que nos chamou muita atenção foi a intensidade do vento. Ventos fortes com rajadas não deixavam as motos em pé. Infelizmente ou felizmente não havia lugar para nós lá em Bonito (MS). Viajávamos desde o dia 22 de Dezembro pelo Brasil vendo tudo de lindo que esse país oferece por preços justos. Não dá para ser tratado como turista na sua pátria. Resolvemos deixar Bonito (MS) como outros motociclistas que encontramos por lá sem conhecer suas belezas, pois os preços dos passeios eram abusivos! Mas sempre procurando outras rotas alternativas chegamos pela MS 178, depois de rodar mais 70 km, em Bodoquena (MS). O presente foi: um asfalto novíssimo que havia sido feito há um ano, sem trânsito algum, tuiuiús, emas, curicacas e o encontro com uma omitiva de gado nelore e mulas. Pensei: “Rodar de moto é isso. Agente não se aperta e nem se vende. Somos
livres para ir e vir!”

Essa simpática cidade oferece Hotel Fazenda, Pousadas, o Mirante Morraria do Sul, Cachoeiras, Passeios, Ecotour, Pesqueiros e Balneários. Ficamos por lá, 3 dias numa pousada a beira do rio com 3 cachoeiras longe da civilização. Refeitos seguimos por Miranda (MS) passando por Aquidauana (MS) para Três Lagoas (MS). Nosso fim de férias seria curtir a região de Santa Fé do Sul (SP)! Ilha Solteira (SP) Rubinéia (SP), para voltar a represa de Igaratá. E como nossa aventura começou com chuva, ela não iria nos deixar chegar em casa sequinhos! Choveu tanto na volta que não conseguimos fazer de Santa Fé do Sul à Igaratá numa tacada só. Fomos obrigados a pernoitar em Limeira. Felizes e cheios de humor nós nos apelidamos nessa viagem de “os encharcadinhos do asfalto”, que rodaram 6.277 kms em 20 dias de férias!

Abraços aos irmãos de estrada.

Reinaldo Baptistucci
Karin Birgit Stoecker

Reinaldo Baptistucci, mais que um motociclista, contador de histórias e profundo conhecedor do mundo das duas rodas, é um verdadeiro apaixonado por viagens e aventuras pelas rodovias do país e nações vizinhas.



Fonte:
Equipe MOTO.com.br
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