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Colunistas - Reinaldo Baptistucci

Gentileza gera gentileza

20 de August de 2014
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Reinaldo Baptistucci e Karin Birgit Stoecker 

O Conto do Cachecol 
 
Karin
8 da manhã numa quarta-feira. Um baita frio e eu como todos, indo trabalhar feliz pois sabia que Reinaldo voltaria da Barra Grande (BA). Paro no farol da Estaiada com a Av. Portugal (SP) e comprimento os motoboys. Reparo que todos ali estavam bem agasalhados, porém mal equipados e um deles em especial chega e para um pouco na minha frente, mas emparelhado usando um cachecol esverdeado comprido que dava varias volto no pescoço. Mas uma das pontas estava tão comprida que chegava a alcançar a roda traseira. Aquilo me deu um frio na barriga. Só de pensar que aquele Cachecol, feito a mão, poderia enroscar na roda traseira e causar um acidente, me fez imediatamente pular da minha Teneree. Dois passos e bato levemente no obro do cara que vinha de Itapecerica da Serra.
 
“Amigo, seu cachecol é lindo, mas é melhor você dar mais uma volta nessa ponta que está querendo entrar na sua roda de trás.”
 
Ele: “Nossa, valeu!” Como nosso amigo estava todo duro de tanto pulôver, casaco mais as luvas, é lógico que ficou atrapalhado e quem fez a gentileza de arrumar o cachecol, fui eu. A cena ficou marcada. Gostei do sorriso que recebi. O farol abre e fomos todos trabalhar.
 
Reinaldo
Inicio do Segundo Milênio. Estou em São Paulo no corre-corre de sempre, mas com um objetivo básico: fazer uma reportagem. Passaria no mínimo um ano percorrendo as Rotas e Pontos de Encontro dos Motoboys. Foi nesse período que participei de festas e aniversários dos mal entendidos e discriminados Boys, gente como a gente. A diferença é que eles no dia seguinte precisam de qualquer jeito subir nas CGs e mais uma vez enfrentar o trânsito para cumprirem a tarefa de levar ou trazer encomendas. Foi exatamente nessa época que comecei a entender melhor essa gente simples que sem outra escolha passa a vida na base do < quase ou ufa foi por pouco >, gente casada, com filhos e que levantam às 3:00h da manhã para ir trabalhar, e que também sabem o que é ter um equipamento de ótima qualidade mas ... infelizmente, com o que se ganha fica impossível comprar um bom capacete, luvas, botas, abrigos de chuva e jaquetas de couro.
 
Se o equipamento é de Segurança, então na deveria ter um imposto tão Elevado...Concordam???
 
A reportagem saiu e muitos acharam na época um absurdo eu ter defendido com unhas e dentes esse povo que passa por nós tocando a buzina com o cachecol Voando ao Vento feito à Mão pela Vovó, mas como todos já sabem ... sem eles... São Paulo PARA.
 
Por que ela me deixou na mão?
 
Karin
Sexta-feira final de expediente. Saio do trabalho e do nada, parada no farol da Verbo Divino a minha Teneree apaga. Tento uma, duas vezes e nada. Encosto a moto e penso. Quem poderá me socorrer? Reinaldo pra variar circulando entre Barra Grande e Cajaíba (BA) a trabalho. Liguei para o Claudio Bessa, super amigo nosso que atende o celular rindo: “Fala Pinny, o que posso fazer por você?”
 
“Claudio, ai meu Deus, a minha moto não quer pegar!”
 
“Fica fria, vou mandar um dos meninos te pegar.”
 
“Puxa, cara ... valeu!”
 
Passam-se 3 minutinhos e eu resolvo tentar mais uma vez. E ela pega!!! Ligo pro Claudio suspendendo o resgate. Ele pede para que eu leve a moto até sua oficina mesmo assim.
 
Chego na Garage Code e sou recebida com um largo sorriso e um abraço apertado. Explico com detalhes o ocorrido e ele diz: “Pinny, deixa a moto mesmo assim aqui. Isso é normal. É como ir ao médico. Os sintomas sempre desaparecem quando se chega no consultório. Vou mandar passar sua moto no scanner. Ela é injeção eletrônica, certo?”
 
Eu: “Sim, é sim!”
 
Vou embora a pé e subo na BMW - F 800 GS para pegar mais uma vez a estrada. Minha Terapia e Meu Divã. A viagem uma delícia, um dia lindo, frio, mas sol. Perfeito para curtir. Durante o final de semana fazia planos de como resolver a questão da falta da Teneree, pois São Paulo no dia a dia com a F 800 fica mais difícil pra mim.
 
Recebo a notícia de que a minha querida Teneree está pronta.
 
“Claudio, não acredito... Posso passar ainda hoje (domingo) lá pelas 8:00h da noite?”
 
“Claro, eu abro a oficina pra você.”
 
Curiosa, vou a pé até a Garage Code e Claudio de pijama e pantufas abre o portão de Aço, tira o carro que atrapalhava a passagem e abre caminho para a Teneree.
 
Eu pergunto: “Claudio, o que foi que aconteceu com ela?”
 
“Pinny, tá provado que você anda muito de boa e com essa nossa gasolina de má qualidade a tal da sonda Lambda entupiu. – Levei sua moto no Boi e ele detectando o problema logo resolveu para que você não ficasse na mão.”
 
Abracei esse amigo e agradeci muito, pois segunda-feira de manhã cedinho pude trabalhar com uma moto leve e ágil, mas ela não era mais a mesma. Ela se tornou uma pimentinha, com uma arrancada que eu até então desconhecia. Como é bom ter amigos.
 
Lambda, Bessa & Boi
 
Reinaldo
Chove, chove muito, não para de chover.
 
Estou a Bordo da Escuna Anabel I.
 
Cajaíba do Sul (BA).
 
Toca o Celular.
 
É  a Pinny.
 
“Reinaldo, a Teneree apagou, tô na Verbo Divino, pifada.”
 
Na hora pensei – Cabo de bateria, fusível queimado, cabo de vela solto, Gasolina Adulterada...
 
“Calma, dá uma boa olhada na moto, vê se não tem alguma coisa solta e espera um pouco Pinny, tente em 5 minutos dar a partida de novo.”
 
Desliguei o celular.
 
Chove em Cajaíba e o Vento Sul sopra a 30 nós, está frio e o cheiro de mofo na cabine da Escuna é insuportável
 
Toca o Celular.
 
“Reinaldo, a moto pegou, tô indo pra Garage Code.”
 
“Vá e não pare no caminho e nem pense em desligar a moto.”
 
Em Cajaíba, às 4:00h da tarde já é noite, céu negro, maré alta como nunca foi vista antes.
 
Definitivamente o clima no Sul da Bahia Pirou.
 
Volto para São Paulo e fico sabendo dos detalhes ocorridos com a Teneree.
 
BESSA E BOI desentupiram todo o sistema de exaustão e a tal Sonda LAMBDA.
 
Gasolina adulterada um problema Nacional.
 
Pira qualquer Motor. 
 
Abraços aos irmãos estradeiros 
 
Gentileza Gera Gentileza, sinceros agradecimentos ao Claudio Bessa (Garage Code) e ao Boi (Boi Motos)

Reinaldo Baptistucci e Karin Birgit Stoecker, mais que motociclistas, são hábeis contadores de histórias e profundos conhecedores do mundo das duas rodas, sendo verdadeiros apaixonados por viagens e aventuras pelas rodovias do país e nações vizinhas.



Fonte:
Equipe MOTO.com.br
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